{"html": "<div class=\"lf-doc\"><p class=\"lf-p\">Compete à Assembleia da República:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Aprovar alterações à Constituição, nos termos dos artigos 284.º a 289.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Aprovar os estatutos político-administrativos e as leis relativas à eleição dos deputados às Assembleias Legislativas das regiões autónomas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Fazer leis sobre todas as matérias, salvo as reservadas pela Constituição ao Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Conferir ao Governo autorizações legislativas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Conferir às Assembleias Legislativas das regiões autónomas as autorizações previstas na alínea b) do n.º 1 do artigo 227.º da Constituição;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Conceder amnistias e perdões genéricos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Aprovar as leis das grandes opções dos planos nacionais e o Orçamento do Estado, sob proposta do Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Autorizar o Governo a contrair e a conceder empréstimos e a realizar outras operações de crédito que não sejam de dívida flutuante, definindo as respectivas condições gerais, e estabelecer o limite máximo dos avales a conceder em cada ano pelo Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>Aprovar os tratados, designadamente os tratados de participação de Portugal em organizações internacionais, os tratados de amizade, de paz, de defesa, de rectificação de fronteiras e os respeitantes a assuntos militares, bem como os acordos internacionais que versem matérias da sua competência reservada ou que o Governo entenda submeter à sua apreciação;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">j)</span>Propor ao Presidente da República a sujeição a referendo de questões de relevante interesse nacional;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">l)</span>Autorizar e confirmar a declaração do estado de sítio e do estado de emergência;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">m)</span>Autorizar o Presidente da República a declarar a guerra e a fazer paz;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">n)</span>Pronunciar-se, nos termos da lei, sobre as matérias pendentes de decisão em órgãos no âmbito da União Europeia que incidam na esfera da sua competência legislativa reservada;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">o)</span>Desempenhar as demais funções que lhe sejam atribuídas pela Constituição e pela lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-162\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 162.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência de fiscalização)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Compete à Assembleia da República, no exercício de funções de fiscalização:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Vigiar pelo cumprimento da Constituição e das leis e apreciar os actos do Governo e da Administração;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Apreciar a aplicação da declaração do estado de sítio ou do estado de emergência;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Apreciar, para efeito de cessação de vigência ou de alteração, os decretos-leis, salvo os feitos no exercício da competência legislativa exclusiva do Governo, e os decretos legislativos regionais previstos na alínea b) do n.º 1 do artigo 227.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Tomar as contas do Estado e das demais entidades públicas que a lei determinar, as quais serão apresentadas até 31 de Dezembro do ano subsequente, com o parecer do Tribunal de Contas e os demais elementos necessários à sua apreciação;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Apreciar os relatórios de execução dos planos nacionais.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-163\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 163.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência quanto a outros órgãos)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Compete à Assembleia da República, relativamente a outros órgãos:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Testemunhar a tomada de posse do Presidente da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Dar assentimento à ausência do Presidente da República do território nacional;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Promover o processo de acusação contra o Presidente da República por crimes praticados no exercício das suas funções e decidir sobre a suspensão de membros do Governo, no caso previsto no artigo 196.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Apreciar o programa do Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Votar moções de confiança e de censura ao Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Acompanhar e apreciar, nos termos da lei, a participação de Portugal no processo de construção da união europeia;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Eleger, segundo o sistema de representação proporcional, cinco membros do Conselho de Estado e os membros do Conselho Superior do Ministério Público que lhe competir designar;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Eleger, por maioria de dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, dez juízes do Tribunal Constitucional, o Provedor de Justiça, o Presidente do Conselho Económico e Social, sete vogais do Conselho Superior da Magistratura, os membros da entidade de regulação da comunicação social, e de outros órgãos constitucionais cuja designação, nos termos da lei, seja cometida à Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>Acompanhar, nos termos da lei, o envolvimento de contingentes militares e de forças de segurança no estrangeiro.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-164\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 164.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Reserva absoluta de competência legislativa)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">É da exclusiva competência da Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Eleições dos titulares dos órgãos de soberania;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Regimes dos referendos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Organização, funcionamento e processo do Tribunal Constitucional;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Organização da defesa nacional, definição dos deveres dela decorrentes e bases gerais da organização, do funcionamento, do reequipamento e da disciplina das Forças Armadas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Regimes do estado de sítio e do estado de emergência;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Aquisição, perda e reaquisição da cidadania portuguesa;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Definição dos limites das águas territoriais, da zona económica exclusiva e dos direitos de Portugal aos fundos marinhos contíguos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Associações e partidos políticos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>Bases do sistema de ensino;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">j)</span>Eleições dos deputados às Assembleias Legislativas das regiões autónomas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">l)</span>Eleições dos titulares dos órgãos do poder local ou outras realizadas por sufrágio directo e universal, bem como dos restantes órgãos constitucionais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">m)</span>Estatuto dos titulares dos órgãos de soberania e do poder local, bem como dos restantes órgãos constitucionais ou eleitos por sufrágio directo e universal;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">n)</span>Criação, extinção e modificação de autarquias locais e respectivo regime, sem prejuízo dos poderes das regiões autónomas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">o)</span>Restrições ao exercício de direitos por militares e agentes militarizados dos quadros permanentes em serviço efectivo, bem como por agentes dos serviços e forças de segurança;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">p)</span>Regime de designação dos membros de órgãos da União Europeia, com excepção da Comissão;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">q)</span>Regime do sistema de informações da República e do segredo de Estado;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">r)</span>Regime geral de elaboração e organização dos orçamentos do Estado, das regiões autónomas e das autarquias locais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">s)</span>Regime dos símbolos nacionais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">t)</span>Regime de finanças das regiões autónomas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">u)</span>Regime das forças de segurança;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">v)</span>Regime da autonomia organizativa, administrativa e financeira dos serviços de apoio do Presidente da República.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-165\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 165.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Reserva relativa de competência legislativa)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>É da exclusiva competência da Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias, salvo autorização ao Governo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Estado e capacidade das pessoas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Direitos, liberdades e garantias;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Definição dos crimes, penas, medidas de segurança e respectivos pressupostos, bem como processo criminal;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Regime geral de punição das infracções disciplinares, bem como dos actos ilícitos de mera ordenação social e do respectivo processo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Regime geral da requisição e da expropriação por utilidade pública;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Bases do sistema de segurança social e do serviço nacional de saúde;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Bases do sistema de protecção da natureza, do equilíbrio ecológico e do património cultural;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Regime geral do arrendamento rural e urbano;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>Criação de impostos e sistema fiscal e regime geral das taxas e demais contribuições financeiras a favor das entidades públicas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">j)</span>Definição dos sectores de propriedade dos meios de produção, incluindo a dos sectores básicos nos quais seja vedada a actividade às empresas privadas e a outras entidades da mesma natureza;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">l)</span>Meios e formas de intervenção, expropriação, nacionalização e privatização dos meios de produção e solos por motivo de interesse público, bem como critérios de fixação, naqueles casos, de indemnizações;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">m)</span>Regime dos planos de desenvolvimento económico e social e composição do Conselho Económico e Social;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">n)</span>Bases da política agrícola, incluindo a fixação dos limites máximos e mínimos das unidades de exploração agrícola;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">o)</span>Sistema monetário e padrão de pesos e medidas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">p)</span>Organização e competência dos tribunais e do Ministério Público e estatuto dos respectivos magistrados, bem como das entidades não jurisdicionais de composição de conflitos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">q)</span>Estatuto das autarquias locais, incluindo o regime das finanças locais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">r)</span>Participação das organizações de moradores no exercício do poder local;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">s)</span>Associações públicas, garantias dos administrados e responsabilidade civil da Administração;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">t)</span>Bases do regime e âmbito da função pública;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">u)</span>Bases gerais do estatuto das empresas públicas e das fundações públicas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">v)</span>Definição e regime dos bens do domínio público;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">x)</span>Regime dos meios de produção integrados no sector cooperativo e social de propriedade;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">z)</span>Bases do ordenamento do território e do urbanismo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">aa)</span>Regime e forma de criação das polícias municipais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As leis de autorização legislativa devem definir o objecto, o sentido, a extensão e a duração da autorização, a qual pode ser prorrogada.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As autorizações legislativas não podem ser utilizadas mais de uma vez, sem prejuízo da sua execução parcelada.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>As autorizações caducam com a demissão do Governo a que tiverem sido concedidas, com o termo da legislatura ou com a dissolução da Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>As autorizações concedidas ao Governo na lei do Orçamento observam o disposto no presente artigo e, quando incidam sobre matéria fiscal, só caducam no termo do ano económico a que respeitam.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-166\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 166.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Forma dos actos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Revestem a forma de lei constitucional os actos previstos na alínea a) do artigo 161.º 2. Revestem a forma de lei orgânica os actos previstos nas alíneas a) a f), h), j), primeira parte da alínea l), q) e t) do artigo 164.º e no artigo 255.º 3. Revestem a forma de lei os actos previstos nas alíneas b) a h) do artigo 161.º 4. Revestem a forma de moção os actos previstos nas alíneas d) e e) do artigo 163.º 5. Revestem a forma de resolução os demais actos da Assembleia da República, bem como os actos da Comissão Permanente previstos nas alíneas e) e f) do n.º 3 do artigo 179.º 6. As resoluções são publicadas independentemente de promulgação.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-167\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 167.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Iniciativa da lei e do referendo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A iniciativa da lei e do referendo compete aos Deputados, aos grupos parlamentares e ao Governo, e ainda, nos termos e condições estabelecidos na lei, a grupos de cidadãos eleitores, competindo a iniciativa da lei, no respeitante às regiões autónomas, às respectivas Assembleias Legislativas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os Deputados, os grupos parlamentares, as Assembleias Legislativas das regiões autónomas e os grupos de cidadãos eleitores não podem apresentar projectos de lei, propostas de lei ou propostas de alteração que envolvam, no ano económico em curso, aumento das despesas ou diminuição das receitas do Estado previstas no Orçamento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os Deputados, os grupos parlamentares e os grupos de cidadãos eleitores não podem apresentar projectos de referendo que envolvam, no ano económico em curso, aumento das despesas ou diminuição das receitas do Estado previstas no Orçamento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os projectos e as propostas de lei e de referendo definitivamente rejeitados não podem ser renovados na mesma sessão legislativa, salvo nova eleição da Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>Os projectos de lei, as propostas de lei do Governo e os projectos e propostas de referendo não votados na sessão legislativa em que tiverem sido apresentados não carecem de ser renovados na sessão legislativa seguinte, salvo termo da legislatura.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>As propostas de lei e de referendo caducam com a demissão do Governo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">7.</span>As propostas de lei da iniciativa das Assembleias Legislativas das regiões autónomas caducam com o termo da respectiva legislatura, caducando apenas com o termo da legislatura da Assembleia da República as que já tenham sido objecto de aprovação na generalidade.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">8.</span>As comissões parlamentares podem apresentar textos de substituição, sem prejuízo dos projectos e das propostas de lei e de referendo a que se referem, quando não retirados.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-168\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 168.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Discussão e votação)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A discussão dos projectos e propostas de lei compreende um debate na generalidade e outro na especialidade.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A votação compreende uma votação na generalidade, uma votação na especialidade e uma votação final global.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se a Assembleia assim o deliberar, os textos aprovados na generalidade serão votados na especialidade pelas comissões, sem prejuízo do poder de avocação pela Assembleia e do voto final desta para aprovação global.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>São obrigatoriamente votadas na especialidade pelo Plenário as leis sobre as matérias previstas nas alíneas a) a f), h), n) e o) do artigo 164.º, bem como na alínea q) do n.º 1 do artigo 165.º 5. As leis orgânicas carecem de aprovação, na votação final global, por maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, devendo as disposições relativas à delimitação territorial das regiões, previstas no artigo 255.º, ser aprovadas, na especialidade, em Plenário, por idêntica maioria.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>Carecem de aprovação por maioria de dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>A lei respeitante à entidade de regulação da comunicação social;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>As normas que disciplinam o disposto no n.º 2 do artigo 118.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>A lei que regula o exercício do direito previsto no n.º 2 do artigo 121.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>As disposições das leis que regulam as matérias referidas nos artigos 148.º e 149.º, e as relativas ao sistema e método de eleição dos órgãos previstos no n.º 3 do artigo 239.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>As disposições que regulam a matéria da alínea o) do artigo 164.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>As disposições dos estatutos político-administrativos das regiões autónomas que enunciem as matérias que integram o respectivo poder legislativo.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-169\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 169.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Apreciação parlamentar de actos legislativos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os decretos-leis, salvo os aprovados no exercício da competência legislativa exclusiva do Governo, podem ser submetidos a apreciação da Assembleia da República, para efeitos de cessação de vigência ou de alteração, a requerimento de dez Deputados, nos trinta dias subsequentes à publicação, descontados os períodos de suspensão do funcionamento da Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Requerida a apreciação de um decreto-lei elaborado no uso de autorização legislativa, e no caso de serem apresentadas propostas de alteração, a Assembleia poderá suspender, no todo ou em parte, a vigência do decreto-lei até à publicação da lei que o vier a alterar ou até à rejeição de todas aquelas propostas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A suspensão caduca decorridas dez reuniões plenárias sem que a Assembleia se tenha pronunciado a final.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Se for aprovada a cessação da sua vigência, o diploma deixará de vigorar desde o dia em que a resolução for publicada no Diário da República e não poderá voltar a ser publicado no decurso da mesma sessão legislativa.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>Se, requerida a apreciação, a Assembleia não se tiver sobre ela pronunciado ou, havendo deliberado introduzir emendas, não tiver votado a respectiva lei até ao termo da sessão legislativa em curso, desde que decorridas quinze reuniões plenárias, considerar-se-á caduco o processo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>Os processos de apreciação parlamentar de decretos-leis gozam de prioridade, nos termos do Regimento.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-170\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 170.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Processo de urgência)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Assembleia da República pode, por iniciativa de qualquer Deputado ou grupo parlamentar, ou do Governo, declarar a urgência do processamento de qualquer projecto ou proposta de lei ou de resolução.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A Assembleia pode ainda, por iniciativa das Assembleias Legislativas das regiões autónomas, declarar a urgência do processamento de qualquer proposta de lei por estas apresentada.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO III</h3>\n<p class=\"lf-p\">Organização e funcionamento</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-171\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 171.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Legislatura)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A legislatura tem a duração de quatro sessões legislativas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>No caso de dissolução, a Assembleia então eleita inicia nova legislatura cuja duração será inicialmente acrescida do tempo necessário para se completar o período correspondente à sessão legislativa em curso à data da eleição.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-172\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 172.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Dissolução)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Assembleia da República não pode ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição, no último semestre do mandato do Presidente da República ou durante a vigência do estado de sítio ou do estado de emergência.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A inobservância do disposto no número anterior determina a inexistência jurídica do decreto de dissolução.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A dissolução da Assembleia não prejudica a subsistência do mandato dos Deputados, nem da competência da Comissão Permanente, até à primeira reunião da Assembleia após as subsequentes eleições.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-173\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 173.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Reunião após eleições)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Assembleia da República reúne por direito próprio no terceiro dia posterior ao apuramento dos resultados gerais das eleições ou, tratando-se de eleições por termo de legislatura, se aquele dia recair antes do termo desta, no primeiro dia da legislatura subsequente.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Recaindo aquela data fora do período de funcionamento efectivo da Assembleia, esta reunir-se-á para efeito do disposto no artigo 175.º</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-174\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 174.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Sessão legislativa, período de funcionamento e convocação)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A sessão legislativa tem a duração de um ano e inicia-se a 15 de Setembro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O período normal de funcionamento da Assembleia da República decorre de 15 de Setembro a 15 de Junho, sem prejuízo das suspensões que a Assembleia deliberar por maioria de dois terços dos Deputados presentes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Fora do período indicado no número anterior, a Assembleia da República pode funcionar por deliberação do Plenário, prorrogando o período normal de funcionamento, por iniciativa da Comissão Permanente ou, na impossibilidade desta e em caso de grave emergência, por iniciativa de mais de metade dos Deputados.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A Assembleia pode ainda ser convocada extraordinariamente pelo Presidente da República para se ocupar de assuntos específicos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>As comissões podem funcionar independentemente do funcionamento do Plenário da Assembleia, mediante deliberação desta, nos termos do n.º 2.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-175\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 175.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência interna da Assembleia)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Compete à Assembleia da República:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Elaborar e aprovar o seu Regimento, nos termos da Constituição;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Eleger por maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções o seu Presidente e os demais membros da Mesa, sendo os quatro Vice-Presidentes eleitos sob proposta dos quatro maiores grupos parlamentares;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Constituir a Comissão Permanente e as restantes comissões.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-176\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 176.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Ordem do dia das reuniões plenárias)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A ordem do dia é fixada pelo Presidente da Assembleia da República, segundo a prioridade das matérias definidas no Regimento, e sem prejuízo do direito de recurso para o Plenário da Assembleia e da competência do Presidente da República prevista no n.º 4 do artigo 174.º 2. O Governo e os grupos parlamentares podem solicitar prioridade para assuntos de interesse nacional de resolução urgente.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Todos os grupos parlamentares têm direito à determinação da ordem do dia de um certo número de reuniões, segundo critério a estabelecer no Regimento, ressalvando-se sempre a posição dos partidos minoritários ou não representados no Governo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>As Assembleias Legislativas das regiões autónomas podem solicitar prioridade para assuntos de interesse regional de resolução urgente.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-177\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 177.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Participação dos membros do Governo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os Ministros têm o direito de comparecer às reuniões plenárias da Assembleia da República, podendo ser coadjuvados ou substituídos pelos Secretários de Estado, e uns e outros usar da palavra, nos termos do Regimento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Serão marcadas reuniões em que os membros do Governo estarão presentes para responder a perguntas e pedidos de esclarecimento dos Deputados, as quais se realizarão com a periodicidade mínima fixada no Regimento e em datas a estabelecer por acordo com o Governo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os membros do Governo podem solicitar a sua participação nos trabalhos das comissões e devem comparecer perante as mesmas quando tal seja requerido.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-178\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 178.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Comissões)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Assembleia da República tem as comissões previstas no Regimento e pode constituir comissões eventuais de inquérito ou para qualquer outro fim determinado.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A composição das comissões corresponde à representatividade dos partidos na Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As petições dirigidas à Assembleia são apreciadas pelas comissões ou por comissão especialmente constituída para o efeito, que poderá ouvir as demais comissões competentes em razão da matéria, em todos os casos podendo ser solicitado o depoimento de quaisquer cidadãos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Sem prejuízo da sua constituição nos termos gerais, as comissões parlamentares de inquérito são obrigatoriamente constituídas sempre que tal seja requerido por um quinto dos Deputados em efectividade de funções, até ao limite de uma por Deputado e por sessão legislativa.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>As comissões parlamentares de inquérito gozam de poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>As presidências das comissões são no conjunto repartidas pelos grupos parlamentares em proporção com o número dos seus Deputados.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">7.</span>Nas reuniões das comissões em que se discutam propostas legislativas regionais, podem participar representantes da Assembleia Legislativa da região autónoma proponente, nos termos do Regimento.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-179\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 179.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Comissão Permanente)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Fora do período de funcionamento efectivo da Assembleia da República, durante o período em que ela se encontrar dissolvida, e nos restantes casos previstos na Constituição, funciona a Comissão Permanente da Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A Comissão Permanente é presidida pelo Presidente da Assembleia da República e composta pelos Vice-Presidentes e por Deputados indicados por todos os partidos, de acordo com a respectiva representatividade na Assembleia.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Compete à Comissão Permanente:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Vigiar pelo cumprimento da Constituição e das leis e acompanhar a actividade do Governo e da Administração;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Exercer os poderes da Assembleia relativamente ao mandato dos Deputados;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Promover a convocação da Assembleia sempre que tal seja necessário;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Preparar a abertura da sessão legislativa;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Dar assentimento à ausência do Presidente da República do território nacional;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Autorizar o Presidente da República a declarar o estado de sítio ou o estado de emergência, a declarar guerra e a fazer a paz.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>No caso da alínea f) do número anterior, a Comissão Permanente promoverá a convocação da Assembleia no prazo mais curto possível.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-180\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 180.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Grupos parlamentares)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os Deputados eleitos por cada partido ou coligação de partidos podem constituir-se em grupo parlamentar.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Constituem direitos de cada grupo parlamentar:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Participar nas comissões da Assembleia em função do número dos seus membros, indicando os seus representantes nelas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Ser ouvido na fixação da ordem do dia e interpor recurso para o Plenário da ordem do dia fixada;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Provocar, com a presença do Governo, o debate de questões de interesse público actual e urgente;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Provocar, por meio de interpelação ao Governo, a abertura de dois debates em cada sessão legislativa sobre assunto de política geral ou sectorial;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Solicitar à Comissão Permanente que promova a convocação da Assembleia;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Requerer a constituição de comissões parlamentares de inquérito;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Exercer iniciativa legislativa;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Apresentar moções de rejeição do programa do Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>Apresentar moções de censura ao Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">j)</span>Ser informado, regular e directamente, pelo Governo, sobre o andamento dos principais assuntos de interesse público.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Cada grupo parlamentar tem direito a dispor de locais de trabalho na sede da Assembleia, bem como de pessoal técnico e administrativo da sua confiança, nos termos que a lei determinar.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Aos Deputados não integrados em grupos parlamentares são assegurados direitos e garantias mínimos, nos termos do Regimento.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-181\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 181.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Funcionários e especialistas ao serviço da Assembleia)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os trabalhos da Assembleia e os das comissões serão coadjuvados por um corpo permanente de funcionários técnicos e administrativos e por especialistas requisitados ou temporariamente contratados, no número que o Presidente considerar necessário.</p>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO IV</h3>\n<p class=\"lf-p\">Governo</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO I</h3>\n<p class=\"lf-p\">Função e estrutura</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-182\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 182.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Definição)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O Governo é o órgão de condução da política geral do país e o órgão superior da administração pública.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-183\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 183.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Composição)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Governo é constituído pelo Primeiro-Ministro, pelos Ministros e pelos Secretários e Subsecretários de Estado.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O Governo pode incluir um ou mais Vice-Primeiros-Ministros.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O número, a designação e as atribuições dos ministérios e secretarias de Estado, bem como as formas de coordenação entre eles, serão determinados, consoante os casos, pelos decretos de nomeação dos respectivos titulares ou por decreto-lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-184\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 184.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Conselho de Ministros)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Conselho de Ministros é constituído pelo Primeiro-Ministro, pelos Vice-Primeiros-Ministros, se os houver, e pelos Ministros.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A lei pode criar Conselhos de Ministros especializados em razão da matéria.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Podem ser convocados para participar nas reuniões do Conselho de Ministros os Secretários e Subsecretários de Estado.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-185\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 185.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Substituição de membros do Governo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Não havendo Vice-Primeiro-Ministro, o Primeiro-Ministro é substituído na sua ausência ou no seu impedimento pelo Ministro que indicar ao Presidente da República ou, na falta de tal indicação, pelo Ministro que for designado pelo Presidente da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Cada Ministro será substituído na sua ausência ou impedimento pelo Secretário de Estado que indicar ao Primeiro-Ministro ou, na falta de tal indicação, pelo membro do Governo que o Primeiro-Ministro designar.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-186\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 186.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Início e cessação de funções)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As funções do Primeiro-Ministro iniciam-se com a sua posse e cessam com a sua exoneração pelo Presidente da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As funções dos restantes membros do Governo iniciam-se com a sua posse e cessam com a sua exoneração ou com a exoneração do Primeiro-Ministro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As funções dos Secretários e Subsecretários de Estado cessam ainda com a exoneração do respectivo Ministro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Em caso de demissão do Governo, o Primeiro-Ministro do Governo cessante é exonerado na data da nomeação e posse do novo Primeiro-Ministro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>Antes da apreciação do seu programa pela Assembleia da República, ou após a sua demissão, o Governo limitar-se-á à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO II</h3>\n<p class=\"lf-p\">Formação e responsabilidade</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-187\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 187.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Formação)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os restantes membros do Governo são nomeados pelo Presidente da República, sob proposta do Primeiro-Ministro.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-188\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 188.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Programa do Governo)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Do programa do Governo constarão as principais orientações políticas e medidas a adoptar ou a propor nos diversos domínios da actividade governamental.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-189\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 189.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Solidariedade governamental)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os membros do Governo estão vinculados ao programa do Governo e às deliberações tomadas em Conselho de Ministros.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-190\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 190.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Responsabilidade do Governo)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O Governo é responsável perante o Presidente da República e a Assembleia da República.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-191\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 191.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Responsabilidade dos membros do Governo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Primeiro-Ministro é responsável perante o Presidente da República e, no âmbito da responsabilidade política do Governo, perante a Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os Vice-Primeiros-Ministros e os Ministros são responsáveis perante o Primeiro-Ministro e, no âmbito da responsabilidade política do Governo, perante a Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os Secretários e Subsecretários de Estado são responsáveis perante o Primeiro-Ministro e o respectivo Ministro.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-192\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 192.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Apreciação do programa do Governo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O programa do Governo é submetido à apreciação da Assembleia da República, através de uma declaração do Primeiro-Ministro, no prazo máximo de dez dias após a sua nomeação.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Se a Assembleia da República não se encontrar em funcionamento efectivo, será obrigatoriamente convocada para o efeito pelo seu Presidente.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O debate não pode exceder três dias e até ao seu encerramento pode qualquer grupo parlamentar propor a rejeição do programa ou o Governo solicitar a aprovação de um voto de confiança.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A rejeição do programa do Governo exige maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-193\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 193.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Solicitação de voto de confiança)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O Governo pode solicitar à Assembleia da República a aprovação de um voto de confiança sobre uma declaração de política geral ou sobre qualquer assunto relevante de interesse nacional.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-194\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 194.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Moções de censura)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Assembleia da República pode votar moções de censura ao Governo sobre a execução do seu programa ou assunto relevante de interesse nacional, por iniciativa de um quarto dos Deputados em efectividade de funções ou de qualquer grupo parlamentar.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As moções de censura só podem ser apreciadas quarenta e oito horas após a sua apresentação, em debate de duração não superior a três dias.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se a moção de censura não for aprovada, os seus signatários não podem apresentar outra durante a mesma sessão legislativa.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-195\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 195.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Demissão do Governo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Implicam a demissão do Governo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>O início de nova legislatura;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>A aceitação pelo Presidente da República do pedido de demissão apresentado pelo Primeiro-Ministro;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>A morte ou a impossibilidade física duradoura do Primeiro-Ministro;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>A rejeição do programa do Governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>A não aprovação de uma moção de confiança;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>A aprovação de uma moção de censura por maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O Presidente da República só pode demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-196\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 196.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Efectivação da responsabilidade criminal dos membros do Governo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Nenhum membro do Governo pode ser detido ou preso sem autorização da Assembleia da República, salvo por crime doloso a que corresponda pena de prisão cujo limite máximo seja superior a três anos e em flagrante delito.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Movido procedimento criminal contra algum membro do Governo, e acusado este definitivamente, a Assembleia da República decidirá se o membro do Governo deve ou não ser suspenso para efeito de seguimento do processo, sendo obrigatória a decisão de suspensão quando se trate de crime do tipo referido no número anterior.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO III</h3>\n<p class=\"lf-p\">Competência</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-197\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 197.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência política)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Compete ao Governo, no exercício de funções políticas:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Referendar os actos do Presidente da República, nos termos do artigo 140.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Negociar e ajustar convenções internacionais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Aprovar os acordos internacionais cuja aprovação não seja da competência da Assembleia da República ou que a esta não tenham sido submetidos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Apresentar propostas de lei e de resolução à Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Propor ao Presidente da República a sujeição a referendo de questões de relevante interesse nacional, nos termos do artigo 115.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Pronunciar-se sobre a declaração do estado de sítio ou do estado de emergência;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Propor ao Presidente da República a declaração da guerra ou a feitura da paz;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Apresentar à Assembleia da República, nos termos da alínea d) do artigo 162.º, as contas do Estado e das demais entidades públicas que a lei determinar;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>Apresentar, em tempo útil, à Assembleia da República, para efeitos do disposto na alínea n) do artigo 161.º e na alínea f) do artigo 163.º, informação referente ao processo de construção da união europeia;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">j)</span>Praticar os demais actos que lhe sejam cometidos pela Constituição ou pela lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A aprovação pelo Governo de acordos internacionais reveste a forma de decreto.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-198\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 198.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência legislativa)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Compete ao Governo, no exercício de funções legislativas:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Fazer decretos-leis em matérias não reservadas à Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Fazer decretos-leis em matérias de reserva relativa da Assembleia da República, mediante autorização desta;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Fazer decretos-leis de desenvolvimento dos princípios ou das bases gerais dos regimes jurídicos contidos em leis que a eles se circunscrevam.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>É da exclusiva competência legislativa do Governo a matéria respeitante à sua própria organização e funcionamento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os decretos-leis previstos nas alíneas b) e c) do n.º 1 devem invocar expressamente a lei de autorização legislativa ou a lei de bases ao abrigo da qual são aprovados.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-199\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 199.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência administrativa)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Compete ao Governo, no exercício de funções administrativas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Elaborar os planos, com base nas leis das respectivas grandes opções, e fazê-los executar;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Fazer executar o Orçamento do Estado;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Fazer os regulamentos necessários à boa execução das leis;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Dirigir os serviços e a actividade da administração directa do Estado, civil e militar, superintender na administração indirecta e exercer a tutela sobre esta e sobre a administração autónoma;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Praticar todos os actos exigidos pela lei respeitantes aos funcionários e agentes do Estado e de outras pessoas colectivas públicas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Defender a legalidade democrática;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Praticar todos os actos e tomar todas as providências necessárias à promoção do desenvolvimento económico-social e à satisfação das necessidades colectivas.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-200\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 200.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência do Conselho de Ministros)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Compete ao Conselho de Ministros:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Definir as linhas gerais da política governamental, bem como as da sua execução;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Deliberar sobre o pedido de confiança à Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Aprovar as propostas de lei e de resolução;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Aprovar os decretos-leis, bem como os acordos internacionais não submetidos à Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Aprovar os planos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Aprovar os actos do Governo que envolvam aumento ou diminuição das receitas ou despesas públicas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Deliberar sobre outros assuntos da competência do Governo que lhe sejam atribuídos por lei ou apresentados pelo Primeiro-Ministro ou por qualquer Ministro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os Conselhos de Ministros especializados exercem a competência que lhes for atribuída por lei ou delegada pelo Conselho de Ministros.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-201\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 201.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência dos membros do Governo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Compete ao Primeiro-Ministro:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Dirigir a política geral do Governo, coordenando e orientando a acção de todos os Ministros;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Dirigir o funcionamento do Governo e as suas relações de carácter geral com os demais órgãos do Estado;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Informar o Presidente da República acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Exercer as demais funções que lhe sejam atribuídas pela Constituição e pela lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Compete aos Ministros:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Executar a política definida para os seus Ministérios;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Assegurar as relações de carácter geral entre o Governo e os demais órgãos do Estado, no âmbito dos respectivos Ministérios.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os decretos-leis e os demais decretos do Governo são assinados pelo Primeiro-Ministro e pelos Ministros competentes em razão da matéria.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO V</h3>\n<p class=\"lf-p\">Tribunais</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO I</h3>\n<p class=\"lf-p\">Princípios gerais</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-202\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 202.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Função jurisdicional)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os tribunais são os órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Na administração da justiça incumbe aos tribunais assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade democrática e dirimir os conflitos de interesses públicos e privados.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>No exercício das suas funções os tribunais têm direito à coadjuvação das outras autoridades.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A lei poderá institucionalizar instrumentos e formas de composição não jurisdicional de conflitos.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-203\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 203.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Independência)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os tribunais são independentes e apenas estão sujeitos à lei.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-204\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 204.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Apreciação da inconstitucionalidade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Nos feitos submetidos a julgamento não podem os tribunais aplicar normas que infrinjam o disposto na Constituição ou os princípios nela consignados.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-205\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 205.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Decisões dos tribunais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As decisões dos tribunais que não sejam de mero expediente são fundamentadas na forma prevista na lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As decisões dos tribunais são obrigatórias para todas as entidades públicas e privadas e prevalecem sobre as de quaisquer outras autoridades.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei regula os termos da execução das decisões dos tribunais relativamente a qualquer autoridade e determina as sanções a aplicar aos responsáveis pela sua inexecução.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-206\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 206.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Audiências dos tribunais)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As audiências dos tribunais são públicas, salvo quando o próprio tribunal decidir o contrário, em despacho fundamentado, para salvaguarda da dignidade das pessoas e da moral pública ou para garantir o seu normal funcionamento.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-207\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 207.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Júri, participação popular e assessoria técnica)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O júri, nos casos e com a composição que a lei fixar, intervém no julgamento dos crimes graves, salvo os de terrorismo e os de criminalidade altamente organizada, designadamente quando a acusação ou a defesa o requeiram.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A lei poderá estabelecer a intervenção de juízes sociais no julgamento de questões de trabalho, de infracções contra a saúde pública, de pequenos delitos, de execução de penas ou outras em que se justifique uma especial ponderação dos valores sociais ofendidos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei poderá estabelecer ainda a participação de assessores tecnicamente qualificados para o julgamento de determinadas matérias.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-208\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 208.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Patrocínio forense)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A lei assegura aos advogados as imunidades necessárias ao exercício do mandato e regula o patrocínio forense como elemento essencial à administração da justiça.</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO II</h3>\n<p class=\"lf-p\">Organização dos tribunais</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-209\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 209.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Categorias de tribunais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Além do Tribunal Constitucional, existem as seguintes categorias de tribunais:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>O Supremo Tribunal de Justiça e os tribunais judiciais de primeira e de segunda instância;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>O Supremo Tribunal Administrativo e os demais tribunais administrativos e fiscais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>O Tribunal de Contas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Podem existir tribunais marítimos, tribunais arbitrais e julgados de paz.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei determina os casos e as formas em que os tribunais previstos nos números anteriores se podem constituir, separada ou conjuntamente, em tribunais de conflitos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Sem prejuízo do disposto quanto aos tribunais militares, é proibida a existência de tribunais com competência exclusiva para o julgamento de certas categorias de crimes.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-210\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 210.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Supremo Tribunal de Justiça e instâncias)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Supremo Tribunal de Justiça é o órgão superior da hierarquia dos tribunais judiciais, sem prejuízo da competência própria do Tribunal Constitucional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça é eleito pelos respectivos juízes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os tribunais de primeira instância são, em regra, os tribunais de comarca, aos quais se equiparam os referidos no n.º 2 do artigo seguinte.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os tribunais de segunda instância são, em regra, os tribunais da Relação.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>O Supremo Tribunal de Justiça funcionará como tribunal de instância nos casos que a lei determinar.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-211\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 211.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência e especialização dos tribunais judiciais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os tribunais judiciais são os tribunais comuns em matéria cível e criminal e exercem jurisdição em todas as áreas não atribuídas a outras ordens judiciais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Na primeira instância pode haver tribunais com competência específica e tribunais especializados para o julgamento de matérias determinadas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Da composição dos tribunais de qualquer instância que julguem crimes de natureza estritamente militar fazem parte um ou mais juízes militares, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os tribunais da Relação e o Supremo Tribunal de Justiça podem funcionar em secções especializadas.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-212\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 212.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Tribunais administrativos e fiscais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Supremo Tribunal Administrativo é o órgão superior da hierarquia dos tribunais administrativos e fiscais, sem prejuízo da competência própria do Tribunal Constitucional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O Presidente do Supremo Tribunal Administrativo é eleito de entre e pelos respectivos juízes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Compete aos tribunais administrativos e fiscais o julgamento das acções e recursos contenciosos que tenham por objecto dirimir os litígios emergentes das relações jurídicas administrativas e fiscais.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-213\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 213.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Tribunais militares)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Durante a vigência do estado de guerra serão constituídos tribunais militares com competência para o julgamento de crimes de natureza estritamente militar.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-214\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 214.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Tribunal de Contas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Tribunal de Contas é o órgão supremo de fiscalização da legalidade das despesas públicas e de julgamento das contas que a lei mandar submeter-lhe, competindo-lhe, nomeadamente:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Dar parecer sobre a Conta Geral do Estado, incluindo a da segurança social;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Dar parecer sobre as contas das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Efectivar a responsabilidade por infracções financeiras, nos termos da lei;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Exercer as demais competências que lhe forem atribuídas por lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O mandato do Presidente do Tribunal de Contas tem a duração de quatro anos, sem prejuízo do disposto na alínea m) do artigo 133.º 3. O Tribunal de Contas pode funcionar descentralizadamente, por secções regionais, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira há secções do Tribunal de Contas com competência plena em razão da matéria na respectiva região, nos termos da lei.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO III</h3>\n<p class=\"lf-p\">Estatuto dos juízes</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-215\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 215.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Magistratura dos tribunais judiciais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os juízes dos tribunais judiciais formam um corpo único e regem-se por um só estatuto.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A lei determina os requisitos e as regras de recrutamento dos juízes dos tribunais judiciais de primeira instância.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O recrutamento dos juízes dos tribunais judiciais de segunda instância faz-se com prevalência do critério do mérito, por concurso curricular entre juízes da primeira instância.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>O acesso ao Supremo Tribunal de Justiça faz-se por concurso curricular aberto aos magistrados judiciais e do Ministério Público e a outros juristas de mérito, nos termos que a lei determinar.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-216\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 216.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Garantias e incompatibilidades)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os juízes são inamovíveis, não podendo ser transferidos, suspensos, aposentados ou demitidos senão nos casos previstos na lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os juízes não podem ser responsabilizados pelas suas decisões, salvas as excepções consignadas na lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os juízes em exercício não podem desempenhar qualquer outra função pública ou privada, salvo as funções docentes ou de investigação científica de natureza jurídica, não remuneradas, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os juízes em exercício não podem ser nomeados para comissões de serviço estranhas à actividade dos tribunais sem autorização do conselho superior competente.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>A lei pode estabelecer outras incompatibilidades com o exercício da função de juiz.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-217\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 217.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Nomeação, colocação, transferência e promoção de juízes)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A nomeação, a colocação, a transferência e a promoção dos juízes dos tribunais judiciais e o exercício da acção disciplinar competem ao Conselho Superior da Magistratura, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A nomeação, a colocação, a transferência e a promoção dos juízes dos tribunais administrativos e fiscais, bem como o exercício da acção disciplinar, competem ao respectivo conselho superior, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei define as regras e determina a competência para a colocação, transferência e promoção, bem como para o exercício da acção disciplinar em relação aos juízes dos restantes tribunais, com salvaguarda das garantias previstas na Constituição.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-218\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 218.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Conselho Superior da Magistratura)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Conselho Superior da Magistratura é presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e composto pelos seguintes vogais:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Dois designados pelo Presidente da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Sete eleitos pela Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Sete juízes eleitos pelos seus pares, de harmonia com o princípio da representação proporcional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As regras sobre garantias dos juízes são aplicáveis a todos os vogais do Conselho Superior da Magistratura.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei poderá prever que do Conselho Superior da Magistratura façam parte funcionários de justiça, eleitos pelos seus pares, com intervenção restrita à discussão e votação das matérias relativas à apreciação do mérito profissional e ao exercício da função disciplinar sobre os funcionários de justiça.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO IV</h3>\n<p class=\"lf-p\">Ministério Público</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-219\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 219.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Funções e estatuto)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Ao Ministério Público compete representar o Estado e defender os interesses que a lei determinar, bem como, com observância do disposto no número seguinte e nos termos da lei, participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania, exercer a acção penal orientada pelo princípio da legalidade e defender a legalidade democrática.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O Ministério Público goza de estatuto próprio e de autonomia, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei estabelece formas especiais de assessoria junto do Ministério Público nos casos dos crimes estritamente militares.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os agentes do Ministério Público são magistrados responsáveis, hierarquicamente subordinados, e não podem ser transferidos, suspensos, aposentados ou demitidos senão nos casos previstos na lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>A nomeação, colocação, transferência e promoção dos agentes do Ministério Público e o exercício da acção disciplinar competem à Procuradoria-Geral da República.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-220\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 220.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Procuradoria-Geral da República)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Procuradoria-Geral da República é o órgão superior do Ministério Público, com a composição e a competência definidas na lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A Procuradoria-Geral da República é presidida pelo Procurador-Geral da República e compreende o Conselho Superior do Ministério Público, que inclui membros eleitos pela Assembleia da República e membros de entre si eleitos pelos magistrados do Ministério Público.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O mandato do Procurador-Geral da República tem a duração de seis anos, sem prejuízo do disposto na alínea m) do artigo 133.º</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO VI</h3>\n<p class=\"lf-p\">Tribunal Constitucional</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-221\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 221.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Definição)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O Tribunal Constitucional é o tribunal ao qual compete especificamente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-constitucional.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-222\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 222.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Composição e estatuto dos juízes)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Tribunal Constitucional é composto por treze juízes, sendo dez designados pela Assembleia da República e três cooptados por estes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Seis de entre os juízes designados pela Assembleia da República ou cooptados são obrigatoriamente escolhidos de entre juízes dos restantes tribunais e os demais de entre juristas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O mandato dos juízes do Tribunal Constitucional tem a duração de nove anos e não é renovável.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>O Presidente do Tribunal Constitucional é eleito pelos respectivos juízes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>Os juízes do Tribunal Constitucional gozam das garantias de independência, inamovibilidade, imparcialidade e irresponsabilidade e estão sujeitos às incompatibilidades dos juízes dos restantes tribunais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>A lei estabelece as imunidades e as demais regras relativas ao estatuto dos juízes do Tribunal Constitucional.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-223\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 223.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Compete ao Tribunal Constitucional apreciar a inconstitucionalidade e a ilegalidade, nos termos dos artigos 277.º e seguintes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Compete também ao Tribunal Constitucional:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Verificar a morte e declarar a impossibilidade física permanente do Presidente da República, bem como verificar os impedimentos temporários do exercício das suas funções;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Verificar a perda do cargo de Presidente da República, nos casos previstos no n.º 3 do artigo 129.º e no n.º 3 do artigo 130.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Julgar em última instância a regularidade e a validade dos actos de processo eleitoral, nos termos da lei;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Verificar a morte e declarar a incapacidade para o exercício da função presidencial de qualquer candidato a Presidente da República, para efeitos do disposto no n.º 3 do artigo 124.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Verificar a legalidade da constituição de partidos políticos e suas coligações, bem como apreciar a legalidade das suas denominações, siglas e símbolos, e ordenar a respectiva extinção, nos termos da Constituição e da lei;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Verificar previamente a constitucionalidade e a legalidade dos referendos nacionais, regionais e locais, incluindo a apreciação dos requisitos relativos ao respectivo universo eleitoral;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Julgar a requerimento dos Deputados, nos termos da lei, os recursos relativos à perda do mandato e às eleições realizadas na Assembleia da República e nas Assembleias Legislativas das regiões autónomas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Julgar as acções de impugnação de eleições e deliberações de órgãos de partidos políticos que, nos termos da lei, sejam recorríveis.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Compete ainda ao Tribunal Constitucional exercer as demais funções que lhe sejam atribuídas pela Constituição e pela lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-224\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 224.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Organização e funcionamento)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A lei estabelece as regras relativas à sede, à organização e ao funcionamento do Tribunal Constitucional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A lei pode determinar o funcionamento do Tribunal Constitucional por secções, salvo para efeito da fiscalização abstracta da constitucionalidade e da legalidade.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei regula o recurso para o pleno do Tribunal Constitucional das decisões contraditórias das secções no domínio de aplicação da mesma norma.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO VII</h3>\n<p class=\"lf-p\">Regiões autónomas</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-225\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 225.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Regime político-administrativo dos Açores e da Madeira)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O regime político-administrativo próprio dos arquipélagos dos Açores e da Madeira fundamenta-se nas suas características geográficas, económicas, sociais e culturais e nas históricas aspirações autonomistas das populações insulares.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A autonomia das regiões visa a participação democrática dos cidadãos, o desenvolvimento económico-social e a promoção e defesa dos interesses regionais, bem como o reforço da unidade nacional e dos laços de solidariedade entre todos os portugueses.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A autonomia político-administrativa regional não afecta a integridade da soberania do Estado e exerce-se no quadro da Constituição.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-226\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 226.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Estatutos e leis eleitorais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os projectos de estatutos político-administrativos e de leis relativas à eleição dos deputados às Assembleias Legislativas das regiões autónomas são elaborados por estas e enviados para discussão e aprovação à Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Se a Assembleia da República rejeitar o projecto ou lhe introduzir alterações, remetê-lo-á à respectiva Assembleia Legislativa para apreciação e emissão de parecer.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Elaborado o parecer, a Assembleia da República procede à discussão e deliberação final.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>O regime previsto nos números anteriores é aplicável às alterações dos estatutos político-administrativos e das leis relativas à eleição dos deputados às Assembleias Legislativas das regiões autónomas.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-227\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 227.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Poderes das regiões autónomas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As regiões autónomas são pessoas colectivas territoriais e têm os seguintes poderes, a definir nos respectivos estatutos:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Legislar no âmbito regional em matérias enunciadas no respectivo estatuto político-administrativo e que não estejam reservadas aos órgãos de soberania;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Legislar em matérias de reserva relativa da Assembleia da República, mediante autorização desta, com excepção das previstas nas alíneas a) a c), na primeira parte da alínea d), nas alíneas f) e i), na segunda parte da alínea m) e nas alíneas o), p), q), s), t), v), x) e aa) do n.º 1 do artigo 165.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Desenvolver para o âmbito regional os princípios ou as bases gerais dos regimes jurídicos contidos em lei que a eles se circunscrevam;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Regulamentar a legislação regional e as leis emanadas dos órgãos de soberania que não reservem para estes o respectivo poder regulamentar;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Exercer a iniciativa estatutária, bem como a iniciativa legislativa em matéria relativa à eleição dos deputados às respectivas Assembleias Legislativas, nos termos do artigo 226.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Exercer a iniciativa legislativa, nos termos do n.º 1 do artigo 167.º, mediante a apresentação à Assembleia da República de propostas de lei e respectivas propostas de alteração;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Exercer poder executivo próprio;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>Administrar e dispor do seu património e celebrar os actos e contratos em que tenham interesse;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>Exercer poder tributário próprio, nos termos da lei, bem como adaptar o sistema fiscal nacional às especificidades regionais, nos termos de lei quadro da Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">j)</span>Dispor, nos termos dos estatutos e da lei de finanças das regiões autónomas, das receitas fiscais nelas cobradas ou geradas, bem como de uma participação nas receitas tributárias do Estado, estabelecida de acordo com um princípio que assegure a efectiva solidariedade nacional, e de outras receitas que lhes sejam atribuídas e afectá-las às suas despesas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">l)</span>Criar e extinguir autarquias locais, bem como modificar a respectiva área, nos termos da lei;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">m)</span>Exercer poder de tutela sobre as autarquias locais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">n)</span>Elevar povoações à categoria de vilas ou cidades;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">o)</span>Superintender nos serviços, institutos públicos e empresas públicas e nacionalizadas que exerçam a sua actividade exclusiva ou predominantemente na região, e noutros casos em que o interesse regional o justifique;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">p)</span>Aprovar o plano de desenvolvimento económico e social, o orçamento regional e as contas da região e participar na elaboração dos planos nacionais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">q)</span>Definir actos ilícitos de mera ordenação social e respectivas sanções, sem prejuízo do disposto na alínea d) do n.º 1 do artigo 165.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">r)</span>Participar na definição e execução das políticas fiscal, monetária, financeira e cambial, de modo a assegurar o controlo regional dos meios de pagamento em circulação e o financiamento dos investimentos necessários ao seu desenvolvimento económico-social;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">s)</span>Participar na definição das políticas respeitantes às águas territoriais, à zona económica exclusiva e aos fundos marinhos contíguos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">t)</span>Participar nas negociações de tratados e acordos internacionais que directamente lhes digam respeito, bem como nos benefícios deles decorrentes;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">u)</span>Estabelecer cooperação com outras entidades regionais estrangeiras e participar em organizações que tenham por objecto fomentar o diálogo e a cooperação inter-regional, de acordo com as orientações definidas pelos órgãos de soberania com competência em matéria de política externa;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">v)</span>Pronunciar-se por sua iniciativa ou sob consulta dos órgãos de soberania, sobre as questões da competência destes que lhes digam respeito, bem como, em matérias do seu interesse específico, na definição das posições do Estado Português no âmbito do processo de construção europeia;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">x)</span>Participar no processo de construção europeia, mediante representação nas respectivas instituições regionais e nas delegações envolvidas em processos de decisão da União Europeia, quando estejam em causa matérias que lhes digam respeito, bem como transpor actos jurídicos da União, nos termos do artigo 112.º 2. As propostas de lei de autorização devem ser acompanhadas do anteprojecto do decreto legislativo regional a autorizar, aplicando-se às correspondentes leis de autorização o disposto nos n.os 2 e 3 do artigo 165.º 3. As autorizações referidas no número anterior caducam com o termo da legislatura ou a dissolução, quer da Assembleia da República quer da Assembleia Legislativa a que tiverem sido concedidas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os decretos legislativos regionais previstos nas alíneas b) e c) do n.º 1 devem invocar expressamente as respectivas leis de autorização ou leis de bases, sendo aplicável aos primeiros o disposto no artigo 169.º, com as necessárias adaptações.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-228\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 228.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Autonomia legislativa)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A autonomia legislativa das regiões autónomas incide sobre as matérias enunciadas no respectivo estatuto político-administrativo que não estejam reservadas aos órgãos de soberania.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Na falta de legislação regional própria sobre matéria não reservada à competência dos órgãos de soberania, aplicam-se nas regiões autónomas as normas legais em vigor.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-229\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 229.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Cooperação dos órgãos de soberania e dos órgãos regionais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os órgãos de soberania asseguram, em cooperação com os órgãos de governo próprio, o desenvolvimento económico e social das regiões autónomas, visando, em especial, a correcção das desigualdades derivadas da insularidade.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os órgãos de soberania ouvirão sempre, relativamente às questões da sua competência respeitantes às regiões autónomas, os órgãos de governo regional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As relações financeiras entre a República e as regiões autónomas são reguladas através da lei prevista na alínea t) do artigo 164.º 4. O Governo da República e os Governos Regionais podem acordar outras formas de cooperação envolvendo, nomeadamente, actos de delegação de competências, estabelecendo-se em cada caso a correspondente transferência de meios financeiros e os mecanismos de fiscalização aplicáveis.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-230\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 230.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Representante da República)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Para cada uma das regiões autónomas há um Representante da República, nomeado e exonerado pelo Presidente da República ouvido o Governo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Salvo o caso de exoneração, o mandato do Representante da República tem a duração do mandato do Presidente da República e termina com a posse do novo Representante da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Em caso de vagatura do cargo, bem como nas suas ausências e impedimentos, o Representante da República é substituído pelo presidente da Assembleia Legislativa.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-231\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 231.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Órgãos de governo próprio das regiões autónomas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>São órgãos de governo próprio de cada região autónoma a Assembleia Legislativa e o Governo Regional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A Assembleia Legislativa é eleita por sufrágio universal, directo e secreto, de harmonia com o princípio da representação proporcional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O Governo Regional é politicamente responsável perante a Assembleia Legislativa da região autónoma e o seu presidente é nomeado pelo Representante da República, tendo em conta os resultados eleitorais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>O Representante da República nomeia e exonera os restantes membros do Governo Regional, sob proposta do respectivo presidente.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>O Governo Regional toma posse perante a Assembleia Legislativa da região autónoma.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>É da exclusiva competência do Governo Regional a matéria respeitante à sua própria organização e funcionamento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">7.</span>O estatuto dos titulares dos órgãos de governo próprio das regiões autónomas é definido nos respectivos estatutos político-administrativos.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-232\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 232.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência da Assembleia Legislativa da região autónoma)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>É da exclusiva competência da Assembleia Legislativa da região autónoma o exercício das atribuições referidas nas alíneas a), b) e c), na segunda parte da alínea d), na alínea f), na primeira parte da alínea i) e nas alíneas l), n) e q) do n.º 1 do artigo 227.º, bem como a aprovação do orçamento regional, do plano de desenvolvimento económico e social e das contas da região e ainda a adaptação do sistema fiscal nacional às especificidades da região.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Compete à Assembleia Legislativa da região autónoma apresentar propostas de referendo regional, através do qual os cidadãos eleitores recenseados no respectivo território possam, por decisão do Presidente da República, ser chamados a pronunciar-se directamente, a título vinculativo, acerca de questões de relevante interesse específico regional, aplicando-se, com as necessárias adaptações, o disposto no artigo 115.º 3. Compete à Assembleia Legislativa da região autónoma elaborar e aprovar o seu regimento, nos termos da Constituição e do respectivo estatuto político-administrativo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Aplica-se à Assembleia Legislativa da região autónoma e respectivos grupos parlamentares, com as necessárias adaptações, o disposto na alínea c) do artigo 175.º, nos n.os 1 a 6 do artigo 178.º e no artigo 179.º, com excepção do disposto nas alíneas e) e f) do n.º 3 e no n.º 4, bem como no artigo 180.º</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-233\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 233.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Assinatura e veto do Representante da República)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Compete ao Representante da República assinar e mandar publicar os decretos legislativos regionais e os decretos regulamentares regionais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>No prazo de quinze dias, contados da recepção de qualquer decreto da Assembleia Legislativa da região autónoma que lhe haja sido enviado para assinatura, ou da publicação da decisão do Tribunal Constitucional que não se pronuncie pela inconstitucionalidade de norma dele constante, deve o Representante da República assiná-lo ou exercer o direito de veto, solicitando nova apreciação do diploma em mensagem fundamentada.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se a Assembleia Legislativa da região autónoma confirmar o voto por maioria absoluta dos seus membros em efectividade de funções, o Representante da República deverá assinar o diploma no prazo de oito dias a contar da sua recepção.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>No prazo de vinte dias, contados da recepção de qualquer decreto do Governo Regional que lhe tenha sido enviado para assinatura, deve o Representante da República assiná-lo ou recusar a assinatura, comunicando por escrito o sentido dessa recusa ao Governo Regional, o qual poderá converter o decreto em proposta a apresentar à Assembleia Legislativa da região autónoma.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>O Representante da República exerce ainda o direito de veto, nos termos dos artigos 278.º e 279.º</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-234\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 234.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Dissolução e demissão dos órgãos de governo próprio)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As Assembleias Legislativas das regiões autónomas podem ser dissolvidas pelo Presidente da República, ouvidos o Conselho de Estado e os partidos nelas representados.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A dissolução da Assembleia Legislativa da região autónoma acarreta a demissão do Governo Regional, que fica limitado à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos, até à tomada de posse do novo governo após a realização de eleições.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A dissolução da Assembleia Legislativa da região autónoma não prejudica a subsistência do mandato dos deputados, nem da competência da Comissão Permanente, até à primeira reunião da Assembleia após as subsequentes eleições.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO VIII</h3>\n<p class=\"lf-p\">Poder local</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO I</h3>\n<p class=\"lf-p\">Princípios gerais</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-235\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 235.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Autarquias locais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A organização democrática do Estado compreende a existência de autarquias locais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As autarquias locais são pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-236\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 236.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Categorias de autarquias locais e divisão administrativa)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>No continente as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões administrativas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As regiões autónomas dos Açores e da Madeira compreendem freguesias e municípios.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Nas grandes áreas urbanas e nas ilhas, a lei poderá estabelecer, de acordo com as suas condições específicas, outras formas de organização territorial autárquica.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A divisão administrativa do território será estabelecida por lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-237\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 237.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Descentralização administrativa)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As atribuições e a organização das autarquias locais, bem como a competência dos seus órgãos, serão reguladas por lei, de harmonia com o princípio da descentralização administrativa.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Compete à assembleia da autarquia local o exercício dos poderes atribuídos pela lei, incluindo aprovar as opções do plano e o orçamento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As polícias municipais cooperam na manutenção da tranquilidade pública e na protecção das comunidades locais.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-238\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 238.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Património e finanças locais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As autarquias locais têm património e finanças próprios.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O regime das finanças locais será estabelecido por lei e visará a justa repartição dos recursos públicos pelo Estado e pelas autarquias e a necessária correcção de desigualdades entre autarquias do mesmo grau.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As receitas próprias das autarquias locais incluem obrigatoriamente as provenientes da gestão do seu património e as cobradas pela utilização dos seus serviços.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>As autarquias locais podem dispor de poderes tributários, nos casos e nos termos previstos na lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-239\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 239.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Órgãos deliberativos e executivos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A organização das autarquias locais compreende uma assembleia eleita dotada de poderes deliberativos e um órgão executivo colegial perante ela responsável.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A assembleia é eleita por sufrágio universal, directo e secreto dos cidadãos recenseados na área da respectiva autarquia, segundo o sistema da representação proporcional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O órgão executivo colegial é constituído por um número adequado de membros, sendo designado presidente o primeiro candidato da lista mais votada para a assembleia ou para o executivo, de acordo com a solução adoptada na lei, a qual regulará também o processo eleitoral, os requisitos da sua constituição e destituição e o seu funcionamento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>As candidaturas para as eleições dos órgãos das autarquias locais podem ser apresentadas por partidos políticos, isoladamente ou em coligação, ou por grupos de cidadãos eleitores, nos termos da lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-240\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 240.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Referendo local)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As autarquias locais podem submeter a referendo dos respectivos cidadãos eleitores matérias incluídas nas competências dos seus órgãos, nos casos, nos termos e com a eficácia que a lei estabelecer.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A lei pode atribuir a cidadãos eleitores o direito de iniciativa de referendo.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-241\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 241.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Poder regulamentar)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As autarquias locais dispõem de poder regulamentar próprio nos limites da Constituição, das leis e dos regulamentos emanados das autarquias de grau superior ou das autoridades com poder tutelar.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-242\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 242.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Tutela administrativa)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A tutela administrativa sobre as autarquias locais consiste na verificação do cumprimento da lei por parte dos órgãos autárquicos e é exercida nos casos e segundo as formas previstas na lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As medidas tutelares restritivas da autonomia local são precedidas de parecer de um órgão autárquico, nos termos a definir por lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A dissolução de órgãos autárquicos só pode ter por causa acções ou omissões ilegais graves.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-243\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 243.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Pessoal das autarquias locais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As autarquias locais possuem quadros de pessoal próprio, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>É aplicável aos funcionários e agentes da administração local o regime dos funcionários e agentes do Estado, com as adaptações necessárias, nos termos da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei define as formas de apoio técnico e em meios humanos do Estado às autarquias locais, sem prejuízo da sua autonomia.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO II</h3>\n<p class=\"lf-p\">Freguesia</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-244\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 244.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Órgãos da freguesia)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os órgãos representativos da freguesia são a assembleia de freguesia e a junta de freguesia.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-245\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 245.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Assembleia de freguesia)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A assembleia de freguesia é o órgão deliberativo da freguesia.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A lei pode determinar que nas freguesias de população diminuta a assembleia de freguesia seja substituída pelo plenário dos cidadãos eleitores.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-246\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 246.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Junta de freguesia)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A junta de freguesia é o órgão executivo colegial da freguesia.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-247\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 247.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Associação)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As freguesias podem constituir, nos termos da lei, associações para administração de interesses comuns.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-248\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 248.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Delegação de tarefas)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A assembleia de freguesia pode delegar nas organizações de moradores tarefas administrativas que não envolvam o exercício de poderes de autoridade.</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO III</h3>\n<p class=\"lf-p\">Município</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-249\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 249.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Modificação dos municípios)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A criação ou a extinção de municípios, bem como a alteração da respectiva área, é efectuada por lei, precedendo consulta dos órgãos das autarquias abrangidas.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-250\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 250.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Órgãos do município)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os órgãos representativos do município são a assembleia municipal e a câmara municipal.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-251\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 251.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Assembleia municipal)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A assembleia municipal é o órgão deliberativo do município e é constituída por membros eleitos directamente em número superior ao dos presidentes de junta de freguesia, que a integram.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-252\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 252.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Câmara municipal)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A câmara municipal é o órgão executivo colegial do município.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-253\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 253.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Associação e federação)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os municípios podem constituir associações e federações para a administração de interesses comuns, às quais a lei pode conferir atribuições e competências próprias.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-254\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 254.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Participação nas receitas dos impostos directos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os municípios participam, por direito próprio e nos termos definidos pela lei, nas receitas provenientes dos impostos directos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os municípios dispõem de receitas tributárias próprias, nos termos da lei.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO IV</h3>\n<p class=\"lf-p\">Região administrativa</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-255\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 255.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Criação legal)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As regiões administrativas são criadas simultaneamente, por lei, a qual define os respectivos poderes, a composição, a competência e o funcionamento dos seus órgãos, podendo estabelecer diferenciações quanto ao regime aplicável a cada uma.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-256\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 256.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Instituição em concreto)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A instituição em concreto das regiões administrativas, com aprovação da lei de instituição de cada uma delas, depende da lei prevista no artigo anterior e do voto favorável expresso pela maioria dos cidadãos eleitores que se tenham pronunciado em consulta directa, de alcance nacional e relativa a cada área regional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Quando a maioria dos cidadãos eleitores participantes não se pronunciar favoravelmente em relação a pergunta de alcance nacional sobre a instituição em concreto das regiões administrativas, as respostas a perguntas que tenham tido lugar relativas a cada região criada na lei não produzirão efeitos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As consultas aos cidadãos eleitores previstas nos números anteriores terão lugar nas condições e nos termos estabelecidos em lei orgânica, por decisão do Presidente da República, mediante proposta da Assembleia da República, aplicando-se, com as devidas adaptações, o regime decorrente do artigo 115.º</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-257\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 257.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Atribuições)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Às regiões administrativas são conferidas, designadamente, a direcção de serviços públicos e tarefas de coordenação e apoio à acção dos municípios no respeito da autonomia destes e sem limitação dos respectivos poderes.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-258\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 258.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Planeamento)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As regiões administrativas elaboram planos regionais e participam na elaboração dos planos nacionais.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-259\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 259.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Órgãos da região)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os órgãos representativos da região administrativa são a assembleia regional e a junta regional.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-260\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 260.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Assembleia regional)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A assembleia regional é o órgão deliberativo da região e é constituída por membros eleitos directamente e por membros, em número inferior ao daqueles, eleitos pelo sistema da representação proporcional e o método da média mais alta de Hondt, pelo colégio eleitoral formado pelos membros das assembleias municipais da mesma área designados por eleição directa.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-261\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 261.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Junta regional)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A junta regional é o órgão executivo colegial da região.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-262\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 262.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Representante do Governo)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Junto de cada região pode haver um representante do Governo, nomeado em Conselho de Ministros, cuja competência se exerce igualmente junto das autarquias existentes na área respectiva.</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO V</h3>\n<p class=\"lf-p\">Organizações de moradores</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-263\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 263.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Constituição e área)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A fim de intensificar a participação das populações na vida administrativa local podem ser constituídas organizações de moradores residentes em área inferior à da respectiva freguesia.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A assembleia de freguesia, por sua iniciativa ou a requerimento de comissões de moradores ou de um número significativo de moradores, demarcará as áreas territoriais das organizações referidas no número anterior, solucionando os eventuais conflitos daí resultantes.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-264\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 264.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Estrutura)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A estrutura das organizações de moradores é fixada por lei e compreende a assembleia de moradores e a comissão de moradores.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A assembleia de moradores é composta pelos residentes inscritos no recenseamento da freguesia.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A comissão de moradores é eleita, por escrutínio secreto, pela assembleia de moradores e por ela livremente destituída.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-265\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 265.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direitos e competência)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As organizações de moradores têm direito:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>De petição perante as autarquias locais relativamente a assuntos administrativos de interesse dos moradores;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>De participação, sem voto, através de representantes seus, na assembleia de freguesia.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Às organizações de moradores compete realizar as tarefas que a lei lhes confiar ou os órgãos da respectiva freguesia nelas delegarem.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO IX</h3>\n<p class=\"lf-p\">Administração Pública</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-266\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 266.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Princípios fundamentais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Administração Pública visa a prossecução do interesse público, no respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os órgãos e agentes administrativos estão subordinados à Constituição e à lei e devem actuar, no exercício das suas funções, com respeito pelos princípios da igualdade, da proporcionalidade, da justiça, da imparcialidade e da boa fé.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-267\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 267.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Estrutura da Administração)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Administração Pública será estruturada de modo a evitar a burocratização, a aproximar os serviços das populações e a assegurar a participação dos interessados na sua gestão efectiva, designadamente por intermédio de associações públicas, organizações de moradores e outras formas de representação democrática.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Para efeito do disposto no número anterior, a lei estabelecerá adequadas formas de descentralização e desconcentração administrativas, sem prejuízo da necessária eficácia e unidade de acção da Administração e dos poderes de direcção, superintendência e tutela dos órgãos competentes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei pode criar entidades administrativas independentes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>As associações públicas só podem ser constituídas para a satisfação de necessidades específicas, não podem exercer funções próprias das associações sindicais e têm organização interna baseada no respeito dos direitos dos seus membros e na formação democrática dos seus órgãos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>O processamento da actividade administrativa será objecto de lei especial, que assegurará a racionalização dos meios a utilizar pelos serviços e a participação dos cidadãos na formação das decisões ou deliberações que lhes disserem respeito.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>As entidades privadas que exerçam poderes públicos podem ser sujeitas, nos termos da lei, a fiscalização administrativa.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-268\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 268.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direitos e garantias dos administrados)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os cidadãos têm o direito de ser informados pela Administração, sempre que o requeiram, sobre o andamento dos processos em que sejam directamente interessados, bem como o de conhecer as resoluções definitivas que sobre eles forem tomadas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os cidadãos têm também o direito de acesso aos arquivos e registos administrativos, sem prejuízo do disposto na lei em matérias relativas à segurança interna e externa, à investigação criminal e à intimidade das pessoas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os actos administrativos estão sujeitos a notificação aos interessados, na forma prevista na lei, e carecem de fundamentação expressa e acessível quando afectem direitos ou interesses legalmente protegidos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>É garantido aos administrados tutela jurisdicional efectiva dos seus direitos ou interesses legalmente protegidos, incluindo, nomeadamente, o reconhecimento desses direitos ou interesses, a impugnação de quaisquer actos administrativos que os lesem, independentemente da sua forma, a determinação da prática de actos administrativos legalmente devidos e a adopção de medidas cautelares adequadas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>Os cidadãos têm igualmente direito de impugnar as normas administrativas com eficácia externa lesivas dos seus direitos ou interesses legalmente protegidos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>Para efeitos dos n.os 1 e 2, a lei fixará um prazo máximo de resposta por parte da Administração.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-269\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 269.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Regime da função pública)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>No exercício das suas funções, os trabalhadores da Administração Pública e demais agentes do Estado e outras entidades públicas estão exclusivamente ao serviço do interesse público, tal como é definido, nos termos da lei, pelos órgãos competentes da Administração.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os trabalhadores da Administração Pública e demais agentes do Estado e outras entidades públicas não podem ser prejudicados ou beneficiados em virtude do exercício de quaisquer direitos políticos previstos na Constituição, nomeadamente por opção partidária.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Em processo disciplinar são garantidas ao arguido a sua audiência e defesa.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Não é permitida a acumulação de empregos ou cargos públicos, salvo nos casos expressamente admitidos por lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>A lei determina as incompatibilidades entre o exercício de empregos ou cargos públicos e o de outras actividades.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-270\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 270.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Restrições ao exercício de direitos)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A lei pode estabelecer, na estrita medida das exigências próprias das respectivas funções, restrições ao exercício dos direitos de expressão, reunião, manifestação, associação e petição colectiva e à capacidade eleitoral passiva por militares e agentes militarizados dos quadros permanentes em serviço efectivo, bem como por agentes dos serviços e das forças de segurança e, no caso destas, a não admissão do direito à greve, mesmo quando reconhecido o direito de associação sindical.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-271\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 271.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Responsabilidade dos funcionários e agentes)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os funcionários e agentes do Estado e das demais entidades públicas são responsáveis civil, criminal e disciplinarmente pelas acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício de que resulte violação dos direitos ou interesses legalmente protegidos dos cidadãos, não dependendo a acção ou procedimento, em qualquer fase, de autorização hierárquica.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>É excluída a responsabilidade do funcionário ou agente que actue no cumprimento de ordens ou instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua transmissão ou confirmação por escrito.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Cessa o dever de obediência sempre que o cumprimento das ordens ou instruções implique a prática de qualquer crime.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A lei regula os termos em que o Estado e as demais entidades públicas têm direito de regresso contra os titulares dos seus órgãos, funcionários e agentes.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-272\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 272.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Polícia)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A polícia tem por funções defender a legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As medidas de polícia são as previstas na lei, não devendo ser utilizadas para além do estritamente necessário.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A prevenção dos crimes, incluindo a dos crimes contra a segurança do Estado, só pode fazer-se com observância das regras gerais sobre polícia e com respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A lei fixa o regime das forças de segurança, sendo a organização de cada uma delas única para todo o território nacional.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO X</h3>\n<p class=\"lf-p\">Defesa nacional</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-273\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 273.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Defesa nacional)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>É obrigação do Estado assegurar a defesa nacional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A defesa nacional tem por objectivos garantir, no respeito da ordem constitucional, das instituições democráticas e das convenções internacionais, a independência nacional, a integridade do território e a liberdade e a segurança das populações contra qualquer agressão ou ameaça externas.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-274\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 274.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Conselho Superior de Defesa Nacional)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Conselho Superior de Defesa Nacional é presidido pelo Presidente da República e tem a composição que a lei determinar, a qual incluirá membros eleitos pela Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O Conselho Superior de Defesa Nacional é o órgão específico de consulta para os assuntos relativos à defesa nacional e à organização, funcionamento e disciplina das Forças Armadas, podendo dispor da competência administrativa que lhe for atribuída por lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-275\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 275.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Forças Armadas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Às Forças Armadas incumbe a defesa militar da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As Forças Armadas compõem-se exclusivamente de cidadãos portugueses e a sua organização é única para todo o território nacional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As Forças Armadas obedecem aos órgãos de soberania competentes, nos termos da Constituição e da lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>As Forças Armadas estão ao serviço do povo português, são rigorosamente apartidárias e os seus elementos não podem aproveitar-se da sua arma, do seu posto ou da sua função para qualquer intervenção política.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>Incumbe às Forças Armadas, nos termos da lei, satisfazer os compromissos internacionais do Estado Português no âmbito militar e participar em missões humanitárias e de paz assumidas pelas organizações internacionais de que Portugal faça parte.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>As Forças Armadas podem ser incumbidas, nos termos da lei, de colaborar em missões de protecção civil, em tarefas relacionadas com a satisfação de necessidades básicas e a melhoria da qualidade de vida das populações, e em acções de cooperação técnico-militar no âmbito da política nacional de cooperação.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">7.</span>As leis que regulam o estado de sítio e o estado de emergência fixam as condições do emprego das Forças Armadas quando se verifiquem essas situações.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-276\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 276.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Defesa da Pátria, serviço militar e serviço cívico)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O serviço militar é regulado por lei, que fixa as formas, a natureza voluntária ou obrigatória, a duração e o conteúdo da respectiva prestação.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Os cidadãos sujeitos por lei à prestação do serviço militar e que forem considerados inaptos para o serviço militar armado prestarão serviço militar não armado ou serviço cívico adequado à sua situação.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os objectores de consciência ao serviço militar a que legalmente estejam sujeitos prestarão serviço cívico de duração e penosidade equivalentes à do serviço militar armado.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>O serviço cívico pode ser estabelecido em substituição ou complemento do serviço militar e tornado obrigatório por lei para os cidadãos não sujeitos a deveres militares.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>Nenhum cidadão poderá conservar nem obter emprego do Estado ou de outra entidade pública se deixar de cumprir os seus deveres militares ou de serviço cívico quando obrigatório.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">7.</span>Nenhum cidadão pode ser prejudicado na sua colocação, nos seus benefícios sociais ou no seu emprego permanente por virtude do cumprimento do serviço militar ou do serviço cívico obrigatório.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">PARTE IV</h3>\n<p class=\"lf-p\">Garantia e revisão da Constituição</p>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO I</h3>\n<p class=\"lf-p\">Fiscalização da constitucionalidade</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-277\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 277.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Inconstitucionalidade por acção)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>São inconstitucionais as normas que infrinjam o disposto na Constituição ou os princípios nela consignados.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A inconstitucionalidade orgânica ou formal de tratados internacionais regularmente ratificados não impede a aplicação das suas normas na ordem jurídica portuguesa, desde que tais normas sejam aplicadas na ordem jurídica da outra parte, salvo se tal inconstitucionalidade resultar de violação de uma disposição fundamental.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-278\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 278.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Fiscalização preventiva da constitucionalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Presidente da República pode requerer ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva da constitucionalidade de qualquer norma constante de tratado internacional que lhe tenha sido submetido para ratificação, de decreto que lhe tenha sido enviado para promulgação como lei ou como decreto-lei ou de acordo internacional cujo decreto de aprovação lhe tenha sido remetido para assinatura.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os Representantes da República podem igualmente requerer ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva da constitucionalidade de qualquer norma constante de decreto legislativo regional que lhes tenha sido enviado para assinatura.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A apreciação preventiva da constitucionalidade deve ser requerida no prazo de oito dias a contar da data da recepção do diploma.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Podem requerer ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva da constitucionalidade de qualquer norma constante de decreto que tenha sido enviado ao Presidente da República para promulgação como lei orgânica, além deste, o Primeiro-Ministro ou um quinto dos Deputados à Assembleia da República em efectividade de funções.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>O Presidente da Assembleia da República, na data em que enviar ao Presidente da República decreto que deva ser promulgado como lei orgânica, dará disso conhecimento ao Primeiro-Ministro e aos grupos parlamentares da Assembleia da República.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>A apreciação preventiva da constitucionalidade prevista no n.º 4 deve ser requerida no prazo de oito dias a contar da data prevista no número anterior.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">7.</span>Sem prejuízo do disposto no n.º 1, o Presidente da República não pode promulgar os decretos a que se refere o n.º 4 sem que decorram oito dias após a respectiva recepção ou antes de o Tribunal Constitucional sobre eles se ter pronunciado, quando a intervenção deste tiver sido requerida.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">8.</span>O Tribunal Constitucional deve pronunciar-se no prazo de 25 dias, o qual, no caso do n.º 1, pode ser encurtado pelo Presidente da República, por motivo de urgência.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-279\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 279.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Efeitos da decisão)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Se o Tribunal Constitucional se pronunciar pela inconstitucionalidade de norma constante de qualquer decreto ou acordo internacional, deverá o diploma ser vetado pelo Presidente da República ou pelo Representante da República, conforme os casos, e devolvido ao órgão que o tiver aprovado.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>No caso previsto no n.º 1, o decreto não poderá ser promulgado ou assinado sem que o órgão que o tiver aprovado expurgue a norma julgada inconstitucional ou, quando for caso disso, o confirme por maioria de dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se o diploma vier a ser reformulado, poderá o Presidente da República ou o Representante da República, conforme os casos, requerer a apreciação preventiva da constitucionalidade de qualquer das suas normas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Se o Tribunal Constitucional se pronunciar pela inconstitucionalidade de norma constante de tratado, este só poderá ser ratificado se a Assembleia da República o vier a aprovar por maioria de dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-280\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 280.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Fiscalização concreta da constitucionalidade e da legalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Cabe recurso para o Tribunal Constitucional das decisões dos tribunais:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Que recusem a aplicação de qualquer norma com fundamento na sua inconstitucionalidade;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Que apliquem norma cuja inconstitucionalidade haja sido suscitada durante o processo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Cabe igualmente recurso para o Tribunal Constitucional das decisões dos tribunais:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Que recusem a aplicação de norma constante de acto legislativo com fundamento na sua ilegalidade por violação da lei com valor reforçado;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Que recusem a aplicação de norma constante de diploma regional com fundamento na sua ilegalidade por violação do estatuto da região autónoma;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Que recusem a aplicação de norma constante de diploma emanado de um órgão de soberania com fundamento na sua ilegalidade por violação do estatuto de uma região autónoma;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Que apliquem norma cuja ilegalidade haja sido suscitada durante o processo com qualquer dos fundamentos referidos nas alíneas a), b) e c).</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Quando a norma cuja aplicação tiver sido recusada constar de convenção internacional, de acto legislativo ou de decreto regulamentar, os recursos previstos na alínea a) do n.º 1 e na alínea a) do n.º 2 são obrigatórios para o Ministério Público.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Os recursos previstos na alínea b) do n.º 1 e na alínea d) do n.º 2 só podem ser interpostos pela parte que haja suscitado a questão da inconstitucionalidade ou da ilegalidade, devendo a lei regular o regime de admissão desses recursos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">5.</span>Cabe ainda recurso para o Tribunal Constitucional, obrigatório para o Ministério Público, das decisões dos tribunais que apliquem norma anteriormente julgada inconstitucional ou ilegal pelo próprio Tribunal Constitucional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">6.</span>Os recursos para o Tribunal Constitucional são restritos à questão da inconstitucionalidade ou da ilegalidade, conforme os casos.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-281\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 281.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Fiscalização abstracta da constitucionalidade e da legalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Tribunal Constitucional aprecia e declara, com força obrigatória geral:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>A inconstitucionalidade de quaisquer normas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>A ilegalidade de quaisquer normas constantes de acto legislativo com fundamento em violação de lei com valor reforçado;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>A ilegalidade de quaisquer normas constantes de diploma regional, com fundamento em violação do estatuto da região autónoma;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>A ilegalidade de quaisquer normas constantes de diploma emanado dos órgãos de soberania com fundamento em violação dos direitos de uma região consagrados no seu estatuto.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Podem requerer ao Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade ou de ilegalidade, com força obrigatória geral:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>O Presidente da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>O Presidente da Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>O Primeiro-Ministro;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>O Provedor de Justiça;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>O Procurador-Geral da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>Um décimo dos Deputados à Assembleia da República;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>Os Representantes da República, as Assembleias Legislativas das regiões autónomas, os presidentes das Assembleias Legislativas das regiões autónomas, os presidentes dos Governos Regionais ou um décimo dos deputados à respectiva Assembleia Legislativa, quando o pedido de declaração de inconstitucionalidade se fundar em violação dos direitos das regiões autónomas ou o pedido de declaração de ilegalidade se fundar em violação do respectivo estatuto.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O Tribunal Constitucional aprecia e declara ainda, com força obrigatória geral, a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de qualquer norma, desde que tenha sido por ele julgada inconstitucional ou ilegal em três casos concretos.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-282\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 282.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Efeitos da declaração de inconstitucionalidade ou de ilegalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A declaração de inconstitucionalidade ou de ilegalidade com força obrigatória geral produz efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional ou ilegal e determina a repristinação das normas que ela, eventualmente, haja revogado.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Tratando-se, porém, de inconstitucionalidade ou de ilegalidade por infracção de norma constitucional ou legal posterior, a declaração só produz efeitos desde a entrada em vigor desta última.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Ficam ressalvados os casos julgados, salvo decisão em contrário do Tribunal Constitucional quando a norma respeitar a matéria penal, disciplinar ou de ilícito de mera ordenação social e for de conteúdo menos favorável ao arguido.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Quando a segurança jurídica, razões de equidade ou interesse público de excepcional relevo, que deverá ser fundamentado, o exigirem, poderá o Tribunal Constitucional fixar os efeitos da inconstitucionalidade ou da ilegalidade com alcance mais restrito do que o previsto nos n.os 1 e 2.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-283\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 283.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Inconstitucionalidade por omissão)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A requerimento do Presidente da República, do Provedor de Justiça ou, com fundamento em violação de direitos das regiões autónomas, dos presidentes das Assembleias Legislativas das regiões autónomas, o Tribunal Constitucional aprecia e verifica o não cumprimento da Constituição por omissão das medidas legislativas necessárias para tornar exequíveis as normas constitucionais.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Quando o Tribunal Constitucional verificar a existência de inconstitucionalidade por omissão, dará disso conhecimento ao órgão legislativo competente.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO II</h3>\n<p class=\"lf-p\">Revisão constitucional</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-284\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 284.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Competência e tempo de revisão)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Assembleia da República pode rever a Constituição decorridos cinco anos sobre a data da publicação da última lei de revisão ordinária.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A Assembleia da República pode, contudo, assumir em qualquer momento poderes de revisão extraordinária por maioria de quatro quintos dos Deputados em efectividade de funções.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-285\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 285.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Iniciativa da revisão)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A iniciativa da revisão compete aos Deputados.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Apresentado um projecto de revisão constitucional, quaisquer outros terão de ser apresentados no prazo de trinta dias.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-286\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 286.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Aprovação e promulgação)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As alterações da Constituição são aprovadas por maioria de dois terços dos Deputados em efectividade de funções.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As alterações da Constituição que forem aprovadas serão reunidas numa única lei de revisão.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O Presidente da República não pode recusar a promulgação da lei de revisão.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-287\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 287.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Novo texto da Constituição)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As alterações da Constituição serão inseridas no lugar próprio, mediante as substituições, as supressões e os aditamentos necessários.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A Constituição, no seu novo texto, será publicada conjuntamente com a lei de revisão.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-288\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 288.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Limites materiais da revisão)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As leis de revisão constitucional terão de respeitar:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>A independência nacional e a unidade do Estado;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>A forma republicana de governo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>A separação das Igrejas do Estado;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Os direitos dos trabalhadores, das comissões de trabalhadores e das associações sindicais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">f)</span>A coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">g)</span>A existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">h)</span>O sufrágio universal, directo, secreto e periódico na designação dos titulares electivos dos órgãos de soberania, das regiões autónomas e do poder local, bem como o sistema de representação proporcional;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">i)</span>O pluralismo de expressão e organização política, incluindo partidos políticos, e o direito de oposição democrática;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">j)</span>A separação e a interdependência dos órgãos de soberania;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">l)</span>A fiscalização da constitucionalidade por acção ou por omissão de normas jurídicas;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">m)</span>A independência dos tribunais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">n)</span>A autonomia das autarquias locais;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">o)</span>A autonomia político-administrativa dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-289\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 289.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Limites circunstanciais da revisão)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Não pode ser praticado nenhum acto de revisão constitucional na vigência de estado de sítio ou de estado de emergência.</p>\n<p class=\"lf-p\">Disposições finais e transitórias</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-290\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 290.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direito anterior)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As leis constitucionais posteriores a 25 de Abril de 1974 não ressalvadas neste capítulo são consideradas leis ordinárias, sem prejuízo do disposto no número seguinte.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O direito ordinário anterior à entrada em vigor da Constituição mantém-se, desde que não seja contrário à Constituição ou aos princípios nela consignados.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-291\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 291.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Distritos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Enquanto as regiões administrativas não estiverem concretamente instituídas, subsistirá a divisão distrital no espaço por elas não abrangido.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Haverá em cada distrito, em termos a definir por lei, uma assembleia deliberativa, composta por representantes dos municípios.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Compete ao governador civil, assistido por um conselho, representar o Governo e exercer os poderes de tutela na área do distrito.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-292\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 292.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Incriminação e julgamento dos agentes e responsáveis da PIDE/DGS)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Mantém-se em vigor a Lei n.º 8/75, de 25 de Julho, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 16/75, de 23 de Dezembro, e pela Lei n.º 18/75, de 26 de Dezembro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A lei poderá precisar as tipificações criminais constantes do n.º 2 do artigo 2.º, do artigo 3.º, da alínea b) do artigo 4.º e do artigo 5.º do diploma referido no número anterior.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei poderá regular especialmente a atenuação extraordinária prevista no artigo 7.º do mesmo diploma.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-293\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 293.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Reprivatização de bens nacionalizados depois de 25 de Abril de l974)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Lei-quadro, aprovada por maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, regula a reprivatização da titularidade ou do direito de exploração de meios de produção e outros bens nacionalizados depois de 25 de Abril de l974, observando os seguintes princípios fundamentais:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>A reprivatização da titularidade ou do direito de exploração de meios de produção e outros bens nacionalizados depois do 25 de Abril de 1974 realizar-se-á, em regra e preferencialmente, através de concurso público, oferta na bolsa de valores ou subscrição pública;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>As receitas obtidas com as reprivatizações serão utilizadas apenas para amortização da dívida pública e do sector empresarial do Estado, para o serviço da dívida resultante de nacionalizações ou para novas aplicações de capital no sector produtivo;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Os trabalhadores das empresas objecto de reprivatização manterão no processo de reprivatização da respectiva empresa todos os direitos e obrigações de que forem titulares;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Os trabalhadores das empresas objecto de reprivatização adquirirão o direito à subscrição preferencial de uma percentagem do respectivo capital social;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Proceder-se-á à avaliação prévia dos meios de produção e outros bens a reprivatizar, por intermédio de mais de uma entidade independente.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As pequenas e médias empresas indirectamente nacionalizadas situadas fora dos sectores básicos da economia poderão ser reprivatizadas nos termos da lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-294\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 294.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Regime aplicável aos órgãos das autarquias locais)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Até à entrada em vigor da lei prevista no n.º 3 do artigo 239.º, os órgãos das autarquias locais são constituídos e funcionam nos termos de legislação correspondente ao texto da Constituição na redacção que lhe foi dada pela Lei Constitucional n.º 1/92, de 25 de Novembro.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-295\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 295.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Referendo sobre tratado europeu)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O disposto no n.º 3 do artigo 115.º não prejudica a possibilidade de convocação e de efectivação de referendo sobre a aprovação de tratado que vise a construção e aprofundamento da união europeia.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-296\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 296.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Data e entrada em vigor da Constituição)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A Constituição da República Portuguesa tem a data da sua aprovação pela Assembleia Constituinte, 2 de Abril de 1976.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A Constituição da República Portuguesa entra em vigor no dia 25 de Abril de 1976.</div>\n<p class=\"lf-p\">Páginas: © Copyright 2026. 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