{"html": "<div class=\"lf-doc\"><p class=\"lf-p\">Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2.º do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-1-2338\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 1.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Aprovação do Código Civil)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">É aprovado o Código Civil que faz parte do presente decreto-lei.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-2-2339\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 2.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Começo de vigência)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O Código Civil entra em vigor no continente e ilhas adjacentes no dia 1 de Junho de 1967, à excepção do disposto nos artigos 1841.º a 1850.º, que começará a vigorar somente em 1 de Janeiro de 1968.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O código não é, porém, aplicável às acções que estejam pendentes nos tribunais no dia da sua entrada em vigor, salvo o disposto nos artigos 17.º e 21.º do presente decreto-lei.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-3-2340\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 3.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Revogação do direito anterior)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Desde que principie a vigorar o novo Código Civil, fica revogada toda a legislação civil relativa às matérias que esse diploma abrange, com ressalva da legislação especial a que se faça expressa referência.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-4-2341\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 4.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Remissões para o Código de 1867)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Todas as remissões feitas em diplomas legislativos para o Código Civil de 1867 consideram-se feitas para as disposições correspondentes do novo código.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-5-2342\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 5.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Aplicação no tempo)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A aplicação das disposições do novo código a factos passados fica subordinada às regras do artigo 12.º do mesmo diploma, com as modificações e os esclarecimentos constantes dos artigos seguintes.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-6-2343\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 6.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Pessoas colectivas)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As disposições dos artigos 157.º a 194.º do novo Código Civil não prejudicam as normas de direito público contidas em leis administrativas.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-7-2344\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 7.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Interdições)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os dementes, surdos-mudos ou pródigos que tenham sido total ou parcialmente interditos do exercício de direitos, ou venham a sê-lo em acções pendentes, mantêm o grau de incapacidade que lhes tiver sido ou vier a ser fixado na sentença ou que resultar da lei anterior.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-8-2345\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 8.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Privilégios creditórios e hipotecas legais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Não são reconhecidos para o futuro, salvo em acções pendentes, os privilégios e hipotecas legais que não sejam concedidos no novo Código Civil, mesmo quando conferidos em legislação especial.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Exceptuam-se os privilégios e hipotecas legais concedidos ao Estado ou a outras pessoas colectivas públicas, quando se não destinem à garantia de débitos fiscais.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-9-2346\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 9.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Sociedades universais e familiares)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Às sociedades universais e familiares constituídas até 31 de Maio de 1967 serão aplicáveis, até à sua extinção, respectivamente, as disposições dos artigos 1243.º a 1248.º e 1281.º a 1297.º do Código Civil de 1867.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-10-2347\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 10.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Arrendamentos em Lisboa e Porto)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Enquanto não for revista a situação criada em Lisboa e Porto pela suspensão das avaliações fiscais para o efeito da actualização de rendas dos prédios destinados a habitação, mantém-se o regime excepcional da Lei n.º 2030, de 22 de Junho de 1948, quanto a esses arrendamentos.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-11-2348\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 11.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Parceria agrícola)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Ao contrato de parceria agrícola são aplicáveis, para o futuro, as disposições que regulam o arrendamento rural.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-12-2349\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 12.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Foros do Estado)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Na determinação do quantitativo do laudémio nos foros do Estado, para efeitos do disposto no artigo 1517.º do novo Código Civil, atender-se-á ao valor dos respectivos prédios que resulte da matriz.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-13-2350\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 13.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Anulação do casamento)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os casamentos civis celebrados até 31 de Maio de 1967 não podem ser declarados nulos ou anulados, se para tal não houver fundamento reconhecido tanto pela lei antiga como pela nova lei civil, a não ser que já esteja pendente, naquela data, a respectiva acção.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O disposto nos artigos 1639.º a 1646.º do novo código é aplicável às acções que forem intentadas depois de 31 de Maio de 1967, sem prejuízo do que, relativamente aos prazos, prescreve o artigo 297.º do mesmo diploma.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-14-2351\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 14.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Efeitos do casamento)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O disposto nos artigos 1671.º a 1697.º do novo código é aplicável aos casamentos celebrados até 31 de Maio de 1967, mas em caso algum serão anulados os actos praticados pelos cônjuges na vigência da lei antiga, se em face desta não estiverem viciados.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-15-2352\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 15.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Regime de bens)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O preceituado nos artigos 1717.º a 1752.º só é aplicável aos casamentos celebrados até 31 de Maio de 1967 na medida em que for considerado como interpretativo do direito vigente, salvo pelo que respeita ao n.º 2 do artigo 1739.º</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-16-2353\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 16.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Doações para casamento e entre casados. Separação e divórcio)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Sem prejuízo da regra estabelecida no n.º 2 do artigo 2.º deste decreto-lei, são aplicáveis aos casamentos celebrados até 31 de Maio de 1967 as disposições do novo Código Civil relativas à caducidade das doações para casamento, às doações entre casados, à separação dos cônjuges ou dos seus bens e ao divórcio.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Não pode, no entanto, ser decretada a separação judicial de pessoas e bens ou o divórcio de cônjuges casados até 31 de Maio de 1967 com fundamento em facto que não seja relevante segundo a lei vigente à data da sua verificação.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-17-2354\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 17.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Conversão da separação em divórcio)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O disposto no artigo 1793.º é aplicável nas acções pendentes e nos processos findos à data da entrada em vigor do novo Código Civil.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-18-2355\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 18.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Impugnação da legitimidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Até 31 de Outubro de 1967 pode o marido da mãe intentar acção de impugnação da paternidade, com fundamento em qualquer dos factos referidos nas alíneas c) e d) do artigo 1817.º do novo Código Civil, relativamente ao filho nascido antes da entrada em vigor deste diploma, com prejuízo do disposto no artigo 1818.º 2. Dentro do mesmo prazo serão recebidos nos tribunais de menores os requerimentos a que se refere o artigo 1820.º, seguindo-se os demais termos da impugnação oficiosa, desde que o filho tenha menos de catorze anos de idade à data da apresentação do requerimento.</div>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-19-2356\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 19.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Acções de investigação de maternidade ou paternidade ilegítima)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O facto de se ter esgotado o período a que se refere o n.º 1.º do artigo 1854.º não impede que as acções de investigação de maternidade ou paternidade ilegítima sejam propostas até 31 de Maio de 1968, desde que não tenha caducado antes, em face da legislação anterior, o direito de as propor.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-20-2357\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 20.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Filhos adulterinos)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os assentos secretos de perfilhação de filhos adulterinos, validamente lavrados ao abrigo da legislação vigente, tornar-se-ão públicos mediante averbamento oficioso, sempre que sejam passadas certidões do respectivo registo de nascimento.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-21-2358\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 21.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Tutela e curatela)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As disposições do novo Código Civil relativas à tutela e à curatela são aplicáveis às tutelas e curatelas instauradas até 31 de Maio de 1967; porém, os tutores e os curadores já nomeados manter-se-ão nos seus cargos enquanto deles não se escusarem ou enquanto não forem removidos ou exonerados.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-22-2359\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 22.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Declaração de nulidade ou anulação de testamento ou de disposições testamentárias)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os testamentos anteriores a 31 de Maio de 1967 e as disposições testamentárias neles contidas só podem ser declarados nulos ou anulados, por vício substancial ou de forma, se o respectivo fundamento for também reconhecido pelo novo Código Civil, salvo se a acção já estiver pendente naquela data.</p>\n<h4 class=\"lf-art\" id=\"a-23-2360\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 23.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Testamentaria)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As atribuições do testamenteiro são as que lhe forem fixadas pela lei vigente à data da feitura do testamento.</p>\n<p class=\"lf-p\">Publique-se e cumpra-se como nele se contém.</p>\n<p class=\"lf-p\">Paços do Governo da República, 25 de Novembro de 1966. - AMÉRICO DEUS RODRIGUES THOMAZ - António de Oliveira Salazar - António Jorge Martins da Mota Veiga - Manuel Gomes de Araújo - Alfredo Rodrigues dos Santos Júnior - João de Matos Antunes Varela - Ulisses Cruz de Aguiar Cortês - Joaquim da Luz Cunha - Fernando Quintanilha Mendonça Dias - Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira - Eduardo de Arantes e Oliveira - Joaquim Moreira da Silva Cunha - Inocêncio Galvão Teles - José Gonçalo da Cunha Sottomayor Correia de Oliveira - Carlos Gomes da Silva Ribeiro - José João Gonçalves de Proença - Francisco Pereira Neto de Carvalho.</p>\n<p class=\"lf-p\">Para ser presente à Assembleia Nacional.</p>\n<p class=\"lf-p\">CÓDIGO CIVIL LIVRO I PARTE GERAL</p>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO I</h3>\n<p class=\"lf-p\">Das leis, sua interpretação e aplicação</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO I</h3>\n<p class=\"lf-p\">Fontes do direito</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 1.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Fontes imediatas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>São fontes imediatas do direito as leis e as normas corporativas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Consideram-se leis todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes; são normas corporativas as regras ditadas pelos organismos representativos das diferentes categorias morais, culturais, económicas ou profissionais, no domínio das suas atribuições, bem como os respectivos estatutos e regulamentos internos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As normas corporativas não podem contrariar as disposições legais de carácter imperativo.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 2.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Assentos)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">(Revogado pelo Decreto-Lei n.º 329-A/95, de 12 de Dezembro).</p>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 329-A/95, de 12/12 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 3.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Valor jurídico dos usos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os usos que não forem contrários aos princípios da boa fé são juridicamente atendíveis quando a lei o determine.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>As normas corporativas prevalecem sobre os usos.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 4.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Valor da equidade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os tribunais só podem resolver segundo a equidade:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Quando haja disposição legal que o permita;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Quando haja acordo das partes e a relação jurídica não seja indisponível;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Quando as partes tenham previamente convencionado o recurso à equidade, nos termos aplicáveis à cláusula compromissória.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO II</h3>\n<p class=\"lf-p\">Vigência, interpretação e aplicação das leis</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 5.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Começo da vigência da lei)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A lei só se torna obrigatória depois de publicada no jornal oficial.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Entre a publicação e a vigência da lei decorrerá o tempo que a própria lei fixar ou, na falta de fixação, o que for determinado em legislação especial.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 6.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Ignorância ou má interpretação da lei)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 7.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Cessação da vigência da lei)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Quando se não destine a ter vigência temporária, a lei só deixa de vigorar se for revogada por outra lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A revogação pode resultar de declaração expressa, da incompatibilidade entre as novas disposições e as regras precedentes ou da circunstância de a nova lei regular toda a matéria da lei anterior.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A lei geral não revoga a lei especial, excepto se outra for a intenção inequívoca do legislador.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A revogação da lei revogatória não importa o renascimento da lei que esta revogara.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 8.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Obrigação de julgar e dever de obediência à lei)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O tribunal não pode abster-se de julgar, invocando a falta ou obscuridade da lei ou alegando dúvida insanável acerca dos factos em litígio.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O dever de obediência à lei não pode ser afastado sob pretexto de ser injusto ou imoral o conteúdo do preceito legislativo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Nas decisões que proferir, o julgador terá em consideração todos os casos que mereçam tratamento análogo, a fim de obter uma interpretação e aplicação uniformes do direito.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 9.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Interpretação da lei)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A interpretação não deve cingir-se à letra da lei, mas reconstituir a partir dos textos o pensamento legislativo, tendo sobretudo em conta a unidade do sistema jurídico, as circunstâncias em que a lei foi elaborada e as condições específicas do tempo em que é aplicada.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Não pode, porém, ser considerado pelo intérprete o pensamento legislativo que não tenha na letra da lei um mínimo de correspondência verbal, ainda que imperfeitamente expresso.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Na fixação do sentido e alcance da lei, o intérprete presumirá que o legislador consagrou as soluções mais acertadas e soube exprimir o seu pensamento em termos adequados.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 10.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Integração das lacunas da lei)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os casos que a lei não preveja são regulados segundo a norma aplicável aos casos análogos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Há analogia sempre que no caso omisso procedam as razões justificativas da regulamentação do caso previsto na lei.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Na falta de caso análogo, a situação é resolvida segundo a norma que o próprio intérprete criaria, se houvesse de legislar dentro do espírito do sistema.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 11.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Normas excepcionais)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As normas excepcionais não comportam aplicação analógica, mas admitem interpretação extensiva.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 12.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Aplicação das leis no tempo. Princípio geral)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A lei só dispõe para o futuro; ainda que lhe seja atribuída eficácia retroactiva, presume-se que ficam ressalvados os efeitos já produzidos pelos factos que a lei se destina a regular.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Quando a lei dispõe sobre as condições de validade substancial ou formal de quaisquer factos ou sobre os seus efeitos, entende-se, em caso de dúvida, que só visa os factos novos; mas, quando dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas, abstraindo dos factos que lhes deram origem, entender-se-á que a lei abrange as próprias relações já constituídas, que subsistam à data da sua entrada em vigor.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 13.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Aplicação das leis no tempo. Leis interpretativas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A lei interpretativa integra-se na lei interpretada, ficando salvos, porém, os efeitos já produzidos pelo cumprimento da obrigação, por sentença passada em julgado, por transacção, ainda que não homologada, ou por actos de análoga natureza.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A desistência e a confissão não homologadas pelo tribunal podem ser revogadas pelo desistente ou confitente a quem a lei interpretativa for favorável.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO III</h3>\n<p class=\"lf-p\">Direitos dos estrangeiros e conflitos de leis SECÇÃO I Disposições gerais</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 14.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Condição jurídica dos estrangeiros)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os estrangeiros são equiparados aos nacionais quanto ao gozo de direitos civis, salvo disposição legal em contrário.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Não são, porém, reconhecidos aos estrangeiros os direitos que, sendo atribuídos pelo respectivo Estado aos seus nacionais, o não sejam aos portugueses em igualdade de circunstâncias.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 15.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Qualificações)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A competência atribuída a uma lei abrange somente as normas que, pelo seu conteúdo e pela função que têm nessa lei, integram o regime do instituto visado na regra de conflitos.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 16.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Referência à lei estrangeira. Princípio geral)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A referência das normas de conflitos a qualquer lei estrangeira determina apenas, na falta de preceito em contrário, a aplicação do direito interno dessa lei.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 17.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Reenvio para a lei de um terceiro Estado)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Se, porém, o direito internacional privado da lei referida pela norma de conflitos portuguesa remeter para outra legislação e esta se considerar competente para regular o caso, é o direito interno desta legislação que deve ser aplicado.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Cessa o disposto no número anterior, se a lei referida pela norma de conflitos portuguesa for a lei pessoal e o interessado residir habitualmente em território português ou em país cujas normas de conflitos considerem competente o direito interno do Estado da sua nacionalidade.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Ficam, todavia, unicamente sujeitos à regra do n.º 1 os casos da tutela e curatela, relações patrimoniais entre os cônjuges, poder paternal, relações entre adoptante e adoptado e sucessão por morte, se a lei nacional indicada pela norma de conflitos devolver para a lei da situação dos bens imóveis e esta se considerar competente.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 18.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Reenvio para a lei portuguesa)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Se o direito internacional privado da lei designada pela norma de conflitos devolver para o direito interno português, é este o direito aplicável.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Quando, porém, se trate de matéria compreendida no estatuto pessoal, a lei portuguesa só é aplicável se o interessado tiver em território português a sua residência habitual ou se a lei do país desta residência considerar igualmente competente o direito interno português.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 19.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Casos em que não é admitido o reenvio)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Cessa o disposto nos dois artigos anteriores, quando da aplicação deles resulte a invalidade ou ineficácia de um negócio jurídico que seria válido ou eficaz segundo a regra fixada no artigo 16.º, ou a ilegitimidade de um estado que de outro modo seria legítimo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Cessa igualmente o disposto nos mesmos artigos, se a lei estrangeira tiver sido designada pelos interessados, nos casos em que a designação é permitida.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 20.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Ordenamentos jurídicos plurilegislativos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Quando, em razão da nacionalidade de certa pessoa, for competente a lei de um Estado em que coexistam diferentes sistemas legislativos locais, é o direito interno desse Estado que fixa em cada caso o sistema aplicável.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Na falta de normas de direito interlocal, recorre-se ao direito internacional privado do mesmo Estado; e, se este não bastar, considera-se como lei pessoal do interessado a lei da sua residência habitual.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se a legislação competente constituir uma ordem jurídica territorialmente unitária, mas nela vigorarem diversos sistemas de normas para diferentes categorias de pessoas, observar-se-á sempre o estabelecido nessa legislação quanto ao conflito de sistemas.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 21.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Fraude à lei)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Na aplicação das normas de conflitos são irrelevantes as situações de facto ou de direito criadas com o intuito fraudulento de evitar a aplicabilidade da lei que, noutras circunstâncias, seria competente</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 22.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Ordem pública)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Não são aplicáveis os preceitos da lei estrangeira indicados pela norma de conflitos, quando essa aplicação envolva ofensa dos princípios fundamentais da ordem pública internacional do Estado português.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>São aplicáveis, neste caso, as normas mais apropriadas da legislação estrangeira competente ou, subsidiariamente, as regras do direito interno português.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 23.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Interpretação e averiguação do direito estrangeiro)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A lei estrangeira é interpretada dentro do sistema a que pertence e de acordo com as regras interpretativas nele fixadas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Na impossibilidade de averiguar o conteúdo da lei estrangeira aplicável, recorrer-se-á à lei que for subsidiariamente competente, devendo adoptar-se igual procedimento sempre que não for possível determinar os elementos de facto ou de direito de que dependa a designação da lei aplicável.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 24.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Actos realizados a bordo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Aos actos realizados a bordo de navios ou aeronaves, fora dos portos ou aeródromos, é aplicável a lei do lugar da respectiva matrícula, sempre que for competente a lei territorial.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os navios e aeronaves militares consideram-se como parte do território do Estado a que pertencem.</div>\n<p class=\"lf-p\">SECÇÃO II Normas de conflitos SUBSECÇÃO I Âmbito e determinação da lei pessoal</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 25.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Âmbito da lei pessoal)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O estado dos indivíduos, a capacidade das pessoas, as relações de família e as sucessões por morte são regulados pela lei pessoal dos respectivos sujeitos, salvas as restrições estabelecidas na presente secção.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 26.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Início e termo da personalidade jurídica)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O início e termo da personalidade jurídica são fixados igualmente pela lei pessoal de cada indivíduo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Quando certo efeito jurídico depender da sobrevivência de uma a outra pessoa e estas tiverem leis pessoais diferentes, se as presunções de sobrevivência dessas leis forem inconciliáveis, é aplicável o disposto no n.º 2 do artigo 68.º</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 27.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direitos de personalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Aos direitos de personalidade, no que respeita à sua existência e tutela e às restrições impostas ao seu exercício, é também aplicável a lei pessoal.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O estrangeiro ou apátrida não goza, porém, de qualquer forma de tutela jurídica que não seja reconhecida na lei portuguesa.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 28.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Desvios quanto às consequências da incapacidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O negócio jurídico celebrado em Portugal por pessoa que seja incapaz segundo a lei pessoal competente não pode ser anulado com fundamento na incapacidade no caso de a lei interna portuguesa, se fosse aplicável, considerar essa pessoa como capaz.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Esta excepção cessa, quando a outra parte tinha conhecimento da incapacidade, ou quando o negócio jurídico for unilateral, pertencer ao domínio do direito da família ou das sucessões ou respeitar à disposição de imóveis situados no estrangeiro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se o negócio jurídico for celebrado pelo incapaz em país estrangeiro, será observada a lei desse país, que consagrar regras idênticas às fixadas nos números anteriores.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 29.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Maioridade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A mudança da lei pessoal não prejudica a maioridade adquirida segundo a lei pessoal anterior.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 30.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Tutela e institutos análogos)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">À tutela e institutos análogos de protecção aos incapazes é aplicável a lei pessoal do incapaz.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 31.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Determinação da lei pessoal)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A lei pessoal é a da nacionalidade do indivíduo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>São, porém, reconhecidos em Portugal os negócios jurídicos celebrados no país da residência habitual do declarante, em conformidade com a lei desse país, desde que esta se considere competente.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 32.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Apátridas)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">1 - A lei pessoal do apátrida é a do lugar onde ele tiver a sua residência habitual.</p>\n<p class=\"lf-p\">2 - A lei pessoal do apátrida é, porém, a do seu domicílio legal quando o apátrida seja menor ou quando seja maior acompanhado com domicílio legal determinado por sentença.</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Na falta de residência habitual, é aplicável o disposto no n.º 2 do artigo 82.º Contém as alterações dos seguintes diplomas:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>Lei n.º 49/2018, de 14/08 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 33.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Pessoas colectivas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A pessoa colectiva tem como lei pessoal a lei do Estado onde se encontra situada a sede principal e efectiva da sua administração.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>À lei pessoal compete especialmente regular: a capacidade da pessoa colectiva; a constituição, funcionamento e competência dos seus órgãos; os modos de aquisição e perda da qualidade de associado e os correspondentes direitos e deveres; a responsabilidade da pessoa colectiva, bem como a dos respectivos órgãos e membros, perante terceiros; a transformação, dissolução e extinção da pessoa colectiva.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A transferência, de um Estado para outro, da sede da pessoa colectiva não extingue a personalidade jurídica desta, se nisso convierem as leis de uma e outra sede.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A fusão de entidades com lei pessoal diferente é apreciada em face de ambas as leis pessoais.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 34.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Pessoas colectivas internacionais)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A lei pessoal das pessoas colectivas internacionais é a designada na convenção que as criou ou nos respectivos estatutos e, na falta de designação, a do país onde estiver a sede principal.</p>\n<p class=\"lf-p\">SUBSECÇÃO II Lei reguladora dos negócios jurídicos</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 35.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Declaração negocial)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A perfeição, interpretação e integração da declaração negocial são reguladas pela lei aplicável à substância do negócio, a qual é igualmente aplicável à falta e vícios da vontade.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O valor de um comportamento como declaração negocial é determinado pela lei da residência habitual comum do declarante e do destinatário e, na falta desta, pela lei do lugar onde o comportamento se verificou.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O valor do silêncio como meio declaratório é igualmente determinado pela lei da residência habitual comum e, na falta desta, pela lei do lugar onde a proposta foi recebida.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 36.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Forma da declaração)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A forma da declaração negocial é regulada pela lei aplicável à substância do negócio; é, porém, suficiente a observância da lei em vigor no lugar em que é feita a declaração, salvo se a lei reguladora da substância do negócio exigir, sob pena de nulidade ou ineficácia, a observância de determinada forma, ainda que o negócio seja celebrado no estrangeiro.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A declaração negocial é ainda formalmente válida se, em vez da forma prescrita na lei local, tiver sido observada a forma prescrita pelo Estado para que remete a norma de conflitos daquela lei, sem prejuízo do disposto na última parte do número anterior.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 37.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Representação legal)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A representação legal está sujeita à lei reguladora da relação jurídica de que nasce o poder representativo.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 38.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Representação orgânica)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A representação da pessoa colectiva por intermédio dos seus órgãos é regulada pela respectiva lei pessoal.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 39.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Representação voluntária)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A representação voluntária é regulada, quanto à existência, extensão, modificação, efeitos e extinção dos poderes representativos, pela lei do Estado em que os poderes são exercidos.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Porém, se o representante exercer os poderes representativos em país diferente daquele que o representado indicou e o facto for conhecido do terceiro com quem contrate, é aplicável a lei do país da residência habitual do representado.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se o representante exercer profissionalmente a representação e o facto for conhecido do terceiro contratante, é aplicável a lei do domicílio profissional.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>Quando a representação se refira à disposição ou administração de bens imóveis, é aplicável a lei do país da situação desses bens.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 40.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Prescrição e caducidade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A prescrição e a caducidade são reguladas pela lei aplicável ao direito a que uma ou outra se refere.</p>\n<p class=\"lf-p\">SUBSECÇÃO III Lei reguladora das obrigações</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 41.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Obrigações provenientes de negócios jurídicos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As obrigações provenientes de negócio jurídico, assim como a própria substância dele, são reguladas pela lei que os respectivos sujeitos tiverem designado ou houverem tido em vista.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A designação ou referência das partes só pode, todavia, recair sobre lei cuja aplicabilidade corresponda a um interesse sério dos declarantes ou esteja em conexão com algum dos elementos do negócio jurídico atendíveis no domínio do direito internacional privado.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 42.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Critério supletivo)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Na falta de determinação da lei competente, atende-se, nos negócios jurídicos unilaterais, à lei da residência habitual do declarante e, nos contratos, à lei da residência habitual comum das partes.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Na falta de residência comum, é aplicável, nos contratos gratuitos, a lei da residência habitual daquele que atribui o benefício e, nos restantes contratos, a lei do lugar da celebração.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 43.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Gestão de negócios)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">À gestão de negócios é aplicável a lei do lugar em que decorre a principal actividade do gestor.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 44.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Enriquecimento sem causa)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O enriquecimento sem causa é regulado pela lei com base na qual se verificou a transferência do valor patrimonial a favor do enriquecido.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 45.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Responsabilidade extracontratual)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A responsabilidade extracontratual fundada, quer em acto ilícito, quer no risco ou em qualquer conduta lícita, é regulada pela lei do Estado onde decorreu a principal actividade causadora do prejuízo; em caso de responsabilidade por omissão, é aplicável a lei do lugar onde o responsável deveria ter agido.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Se a lei do Estado onde se produziu o efeito lesivo considerar responsável o agente, mas não o considerar como tal a lei do país onde decorreu a sua actividade, é aplicável a primeira lei, desde que o agente devesse prever a produção de um dano, naquele país, como consequência do seu acto ou omissão.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se, porém, o agente e o lesado tiverem a mesma nacionalidade ou, na falta dela, a mesma residência habitual, e se encontrarem ocasionalmente em país estrangeiro, a lei aplicável será a da nacionalidade ou a da residência comum, sem prejuízo das disposições do Estado local que devam ser aplicadas indistintamente a todas as pessoas.</div>\n<p class=\"lf-p\">SUBSECÇÃO IV Lei reguladora das coisas</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 46.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direitos reais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O regime da posse, propriedade e demais direitos reais é definido pela lei do Estado em cujo território as coisas se encontrem situadas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Em tudo quanto respeita à constituição ou transferência de direitos reais sobre coisas em trânsito, são estas havidas como situadas no país do destino.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>A constituição e transferência de direitos sobre os meios de transporte submetidos a um regime de matrícula são reguladas pela lei do país onde a matrícula tiver sido efectuada.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 47.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Capacidade para constituir direitos reais sobre coisas imóveis ou dispor deles)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">É igualmente definida pela lei da situação da coisa a capacidade para constituir direitos reais sobre coisas imóveis ou para dispor deles, desde que essa lei assim o determine; de contrário, é aplicável a lei pessoal.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 48.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Propriedade intelectual)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os direitos de autor são regulados pela lei do lugar da primeira publicação da obra e, não estando esta publicada, pela lei pessoal do autor, sem prejuízo do disposto em legislação especial.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A propriedade industrial é regulada pela lei do país da sua criação.</div>\n<p class=\"lf-p\">SUBSECÇÃO V Lei reguladora das relações de família</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 49.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Capacidade para contrair casamento ou celebrar convenções antenupciais)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A capacidade para contrair casamento ou celebrar a convenção antenupcial é regulada, em relação a cada nubente, pela respectiva lei pessoal, à qual compete ainda definir o regime da falta e dos vícios da vontade dos contraentes.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 50.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Forma do casamento)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A forma do casamento é regulada pela lei do Estado em que o acto é celebrado, salvo o disposto no artigo seguinte.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">ARTIGO 51.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Desvios)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O casamento de dois estrangeiros em Portugal pode ser celebrado segundo a forma prescrita na lei nacional de qualquer dos contraentes, perante os respectivos agentes diplomáticos ou consulares, desde que igual competência seja reconhecida por essa lei aos agentes diplomáticos e consulares portugueses.</div>\n<p class=\"lf-p\">2 - O casamento no estrangeiro de dois portugueses ou de português e estrangeiro pode ser celebrado perante o agente diplomático ou consular do Estado Português ou perante os ministros do culto católico.</p>\n<p class=\"lf-p\">3 - Em qualquer dos casos previstos no número anterior, o casamento deve ser precedido do processo respectivo, organizado pela entidade competente, excepto se for dispensado nos termos do artigo 1599 4. O casamento no estrangeiro de dois portugueses ou de português e estrangeiro, em harmonia com as leis canónicas, é havido como casamento católico, seja qual for a forma legal da celebração do acto segundo a lei local, e à sua transcrição servirá de base o assento do registo paroquial.</p>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 324/2007, de 28/09 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 52.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Relações entre os cônjuges)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Salvo o disposto no artigo seguinte, as relações entre os cônjuges são reguladas pela lei nacional comum.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Não tendo os cônjuges a mesma nacionalidade, é aplicável a lei da sua residência habitual comum e, na falta desta, a lei do país com o qual a vida familiar se ache mais estreitamente conexa.</div>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 53.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Convenções antenupciais e regime de bens)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A substância e efeitos das convenções antenupciais e do regime de bens, legal ou convencional, são definidos pela lei nacional dos nubentes ao tempo da celebração do casamento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Não tendo os nubentes a mesma nacionalidade, é aplicável a lei da sua residência habitual comum à data do casamento e, se esta faltar também, a lei da primeira residência conjugal.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se for estrangeira a lei aplicável e um dos nubentes tiver a sua residência habitual em território português, pode ser convencionado um dos regimes admitidos neste código.</div>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 54.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Modificações do regime de bens)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Aos cônjuges é permitido modificar o regime de bens, legal ou convencional, se a tal forem autorizados pela lei competente nos termos do artigo 52.º 2. A nova convenção em caso nenhum terá efeito retroactivo em prejuízo de terceiro.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 55.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Separação judicial de pessoas e bens e divórcio)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>À separação judicial de pessoas e bens e ao divórcio é aplicável o disposto no artigo 52.º 2. Se, porém, na constância do matrimónio houver mudança da lei competente, só pode fundamentar a separação ou o divórcio algum facto relevante ao tempo da sua verificação.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 56.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Constituição da filiação)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>À constituição da filiação é aplicável a lei pessoal do progenitor à data do estabelecimento da relação.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Tratando-se de filho de mulher casada, a constituição da filiação relativamente ao pai é regulada pela lei nacional comum da mãe e do marido; na falta desta, é aplicável a lei da residência habitual comum dos cônjuges e, se esta também faltar, a lei pessoal do filho.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Para os efeitos do número anterior, atender-se-á ao momento do nascimento do filho ou ao momento da dissolução do casamento, se for anterior ao nascimento.</div>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 57.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Relações entre pais e filhos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As relações entre pais e filhos são reguladas pela lei nacional comum dos pais e, na falta desta, pela lei da sua residência habitual comum; se os pais residirem habitualmente em Estados diferentes, é aplicável a lei pessoal do filho.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Se a filiação apenas se achar estabelecida relativamente a um dos progenitores, aplica-se a lei pessoal deste; se um dos progenitores tiver falecido, é competente a lei pessoal do sobrevivo.</div>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 58.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Legitimação)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">(Revogado pelo Decreto-Lei n.º 496/77, de 25 de Novembro).</p>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 59.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Filiação ilegítima)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">(Revogado pelo Decreto-Lei n.º 496/77, de 25 de Novembro).</p>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 60.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Filiação adoptiva)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>À constituição da filiação adoptiva é aplicável a lei pessoal do adoptante, sem prejuízo do disposto no número seguinte.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Se a adopção for realizada por marido e mulher ou o adoptando for filho do cônjuge do adoptante, é competente a lei nacional comum dos cônjuges e, na falta desta, a lei da sua residência habitual comum; se também esta faltar, será aplicável a lei do país com o qual a vida familiar dos adoptantes se ache mais estreitamente conexa.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>As relações entre adoptante e adoptado, e entre este e a família de origem, estão sujeitas à lei pessoal do adoptante; no caso previsto no número anterior é aplicável o disposto no artigo 57.º 4. Se a lei competente para regular as relações entre o adoptando e os seus progenitores não conhecer o instituto da adopção, ou não o admitir em relação a quem se encontre na situação familiar do adoptando, a adopção não é permitida.</div>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 61.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Requisitos especiais da perfilhação ou adopção)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Se, como requisito da perfilhação ou adopção, a lei pessoal do perfilhando ou adoptando exigir o consentimento deste, será a exigência respeitada.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Será igualmente respeitada a exigência do consentimento de terceiro a quem o interessado esteja ligado por qualquer relação jurídica de natureza familiar ou tutelar, se provier da lei reguladora desta relação.</div>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11 SUBSECÇÃO VI Lei reguladora das sucessões</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 62.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Lei competente)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A sucessão por morte é regulada pela lei pessoal do autor da sucessão ao tempo do falecimento deste, competindo-lhe também definir os poderes do administrador da herança e do executor testamentário.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 63.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Capacidade de disposição)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A capacidade para fazer, modificar ou revogar uma disposição por morte, bem como as exigências de forma especial das disposições por virtude da idade do disponente, são reguladas pela lei pessoal do autor ao tempo da declaração.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Aquele que, depois de ter feito a disposição, adquirir nova lei pessoal conserva a capacidade necessária para revogar a disposição nos termos da lei anterior.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 64.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Interpretação das disposições; falta e vícios da vontade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">É a lei pessoal do autor da herança ao tempo da declaração que regula:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>A interpretação das respectivas cláusulas e disposições, salvo se houver referência expressa ou implícita a outra lei;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>A falta e vícios da vontade;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>A admissibilidade de testamentos de mão comum ou de pactos sucessórios, sem prejuízo, quanto a estes, do disposto no artigo 53.º</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 65.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Forma)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As disposições por morte, bem como a sua revogação ou modificação, serão válidas, quanto à forma, se corresponderem às prescrições da lei do lugar onde o acto for celebrado, ou às da lei pessoal do autor da herança, quer no momento da declaração, quer no momento da morte, ou ainda às prescrições da lei para que remeta a norma de conflitos da lei local.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Se, porém, a lei pessoal do autor da herança no momento da declaração exigir, sob pena de nulidade ou ineficácia, a observância de determinada forma, ainda que o acto seja praticado no estrangeiro, será a exigência respeitada.</div>\n<h3 class=\"lf-part\">TÍTULO II</h3>\n<p class=\"lf-p\">Das relações jurídicas SUBTÍTULO I Das pessoas</p>\n<h3 class=\"lf-part\">CAPÍTULO I</h3>\n<p class=\"lf-p\">Pessoas singulares SECÇÃO I Personalidade e capacidade jurídica</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 66.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Começo da personalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A personalidade adquire-se no momento do nascimento completo e com vida.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Os direitos que a lei reconhece aos nascituros dependem do seu nascimento.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 67.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Capacidade jurídica)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As pessoas podem ser sujeitos de quaisquer relações jurídicas, salvo disposição legal em contrário: nisto consiste a sua capacidade jurídica.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 68.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Termo da personalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A personalidade cessa com a morte.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Quando certo efeito jurídico depender da sobrevivência de uma a outra pessoa, presume-se, em caso de dúvida, que uma e outra faleceram ao mesmo tempo.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Tem-se por falecida a pessoa cujo cadáver não foi encontrado ou reconhecido, quando o desaparecimento se tiver dado em circunstâncias que não permitam duvidar da morte dela.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 69.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Renúncia à capacidade jurídica)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Ninguém pode renunciar, no todo ou em parte, à sua capacidade jurídica.</p>\n<p class=\"lf-p\">SECÇÃO II Direitos de personalidade</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 70.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Tutela geral da personalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A lei protege os indivíduos contra qualquer ofensa ilícita ou ameaça de ofensa à sua personalidade física ou moral.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Independentemente da responsabilidade civil a que haja lugar, a pessoa ameaçada ou ofendida pode requerer as providências adequadas às circunstâncias do caso, com o fim de evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já cometida.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 71.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Ofensa a pessoas já falecidas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os direitos de personalidade gozam igualmente de protecção depois da morte do respectivo titular.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Tem legitimidade, neste caso, para requerer as providências previstas no n.º 2 do artigo anterior o cônjuge sobrevivo ou qualquer descendente, ascendente, irmão, sobrinho ou herdeiro do falecido.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se a ilicitude da ofensa resultar de falta de consentimento, só as pessoas que o deveriam prestar têm legitimidade, conjunta ou separadamente, para requerer providências a que o número anterior se refere.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 72.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direito ao nome)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Toda a pessoa tem direito a usar o seu nome, completo ou abreviado, e a opor-se a que outrem o use ilicitamente para sua identificação ou outros fins.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O titular do nome não pode, todavia, especialmente no exercício de uma actividade profissional, usá-lo de modo a prejudicar os interesses de quem tiver nome total ou parcialmente idêntico; nestes casos, o tribunal decretará as providências que, segundo juízos de equidade, melhor conciliem os interesses em conflito.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 73.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Legitimidade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">As acções relativas à defesa do nome podem ser exercidas não só pelo respectivo titular, como, depois da morte dele, pelas pessoas referidas no n.º 2 do artigo 71.º</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 74.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Pseudónimo)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O pseudónimo, quando tenha notoriedade, goza da protecção conferida ao próprio nome.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 75.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Cartas-missivas confidenciais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O destinatário de carta-missiva de natureza confidencial deve guardar reserva sobre o seu conteúdo, não lhe sendo lícito aproveitar os elementos de informação que ela tenha levado ao seu conhecimento.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Morto o destinatário, pode a restituição da carta confidencial ser ordenada pelo tribunal, a requerimento do autor dela ou, se este já tiver falecido, das pessoas indicadas no n.º 2 do artigo 71.º; pode também ser ordenada a destruição da carta, o seu depósito em mão de pessoa idónea ou qualquer outra medida apropriada.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 76.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Publicação de cartas confidenciais)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>As cartas-missivas confidenciais só podem ser publicadas com o consentimento do seu autor ou com o suprimento judicial desse consentimento; mas não há lugar ao suprimento quando se trate de utilizar as cartas como documento literário, histórico ou biográfico.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Depois da morte do autor, a autorização compete às pessoas designadas no n.º 2 do artigo 71.º, segundo a ordem nele indicada.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 77.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Memórias familiares e outros escritos confidenciais)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O disposto no artigo anterior é aplicável, com as necessárias adaptações, às memórias familiares e pessoais e a outros escritos que tenham carácter confidencial ou se refiram à intimidade da vida privada.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 78.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Cartas-missivas não confidenciais)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O destinatário de carta não confidencial só pode usar dela em termos que não contrariem a expectativa do autor.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 79.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direito à imagem)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comércio sem o consentimento dela; depois da morte da pessoa retratada, a autorização compete às pessoas designadas no n.º 2 do artigo 71.º, segundo a ordem nele indicada.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Não é necessário o consentimento da pessoa retratada quando assim o justifiquem a sua notoriedade, o cargo que desempenhe, exigências de polícia ou de justiça, finalidades científicas, didácticas ou culturais, ou quando a reprodução da imagem vier enquadrada na de lugares públicos, ou na de factos de interesse público ou que hajam decorrido publicamente.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>O retrato não pode, porém, ser reproduzido, exposto ou lançado no comércio, se do facto resultar prejuízo para a honra, reputação ou simples decoro da pessoa retratada.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 80.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Todos devem guardar reserva quanto à intimidade da vida privada de outrem.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A extensão da reserva é definida conforme a natureza do caso e a condição das pessoas.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 81.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Limitação voluntária dos direitos de personalidade)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Toda a limitação voluntária ao exercício dos direitos de personalidade é nula, se for contrária aos princípios da ordem pública.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>A limitação voluntária, quando legal, é sempre revogável, ainda que com obrigação de indemnizar os prejuízos causados às legítimas expectativas da outra parte.</div>\n<p class=\"lf-p\">SECÇÃO III Domicílio</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 82.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Domicílio voluntário geral)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A pessoa tem domicílio no lugar da sua residência habitual; se residir alternadamente, em diversos lugares, tem-se por domiciliada em qualquer deles.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Na falta de residência habitual, considera-se domiciliada no lugar da sua residência ocasional ou, se esta não puder ser determinada, no lugar onde se encontrar.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 83.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Domicílio profissional)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>A pessoa que exerce uma profissão tem, quanto às relações que a esta se referem, domicílio profissional no lugar onde a profissão é exercida.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Se exercer a profissão em lugares diversos, cada um deles constitui domicílio para as relações que lhe correspondem.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 84.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Domicílio electivo)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">É permitido estipular domicílio particular para determinados negócios, contanto que a estipulação seja reduzida a escrito.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 85.º</span><span class=\"lf-art-t\">Domicílio legal dos menores e dos maiores acompanhados</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O menor tem domicílio no lugar da residência da família; se ela não existir, tem por domicílio o do progenitor a cuja guarda estiver.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O domicílio do menor que em virtude de decisão judicial foi confiado a terceira pessoa ou a estabelecimento de educação ou assistência é o do progenitor que exerce o poder paternal.</div>\n<p class=\"lf-p\">3 - O domicílio do menor sujeito a tutela é o do seu tutor.</p>\n<p class=\"lf-p\">4 - O domicílio do maior acompanhado é o determinado nos artigos anteriores, salvo se a sentença que decretou o acompanhamento dispuser de outro modo.</p>\n<p class=\"lf-p\">5 - Quando tenha sido instituído o regime de administração de bens, o domicílio do menor ou do maior acompanhado é o do administrador, nas relações a que essa administração se refere.</p>\n<p class=\"lf-p\">6 - Não são aplicáveis as regras dos números anteriores se delas resultar que o menor ou o maior acompanhado não tem domicílio em território nacional.</p>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>Lei n.º 49/2018, de 14/08 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>2ª versão: DL n.º 496/77, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 86.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Domicílio legal da mulher casada)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">(Revogado pelo Decreto-Lei n.º 496/77, de 25 de Novembro).</p>\n<p class=\"lf-p\">Contém as alterações dos seguintes diplomas:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>DL n.º 496/77, de 25/11 Consultar versões anteriores deste artigo:</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">-</span>1ª versão: DL n.º 47344/66, de 25/11</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 87.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Domicílio legal dos empregados públicos)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os empregados públicos, civis ou militares, quando haja lugar certo para o exercício dos seus empregos, têm nele domicílio necessário, sem prejuízo do seu domicílio voluntário no lugar da residência habitual.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>O domicílio necessário é determinado pela posse do cargo ou pelo exercício das respectivas funções.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 88.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Domicílio legal dos agentes diplomáticos portugueses)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Os agentes diplomáticos portugueses, quando invoquem a extraterritorialidade, consideram-se domiciliados em Lisboa.</p>\n<p class=\"lf-p\">SECÇÃO IV Ausência SUBSECÇÃO I Curadoria provisória</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 89.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Nomeação de curador provisório)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Quando haja necessidade de prover acerca da administração dos bens de quem desapareceu sem que dele se saiba parte e sem ter deixado representante legal ou procurador, deve o tribunal nomear-lhe curador provisório.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Deve igualmente ser nomeado curador ao ausente, se o procurador não quiser ou não puder exercer as suas funções.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Pode ser designado para certos negócios, sempre que as circunstâncias o exijam, um curador especial.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 90.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Providências cautelares)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A possibilidade de nomeação do curador provisório não obsta às providências cautelares que se mostrem indispensáveis em relação a quaisquer bens do ausente.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 91.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Legitimidade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A curadoria provisória e as providências a que se refere o artigo anterior podem ser requeridas pelo Ministério Público ou por qualquer interessado.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 92.º</span><span class=\"lf-art-t\">(A quem deve ser deferida a curadoria provisória)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O curador provisório será escolhido de entre as pessoas seguintes: o cônjuge do ausente, algum ou alguns dos herdeiros presumidos, ou algum ou alguns dos interessados na conservação dos bens.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Havendo conflito de interesses entre o ausente e o curador ou entre o ausente e o cônjuge, ascendentes ou descendentes do curador, deve ser designado um curador especial, nos termos do n.º 3 do artigo 89.º</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 93.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Relação dos bens e caução)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>Os bens do ausente serão relacionados e só depois entregues ao curador provisório, ao qual será fixada caução pelo tribunal.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Em caso de urgência, pode ser autorizada a entrega dos bens antes de estes serem relacionados ou de o curador prestar a caução exigida.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Se o curador não prestar a caução, será nomeado outro em lugar dele.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 94.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Direitos e obrigações do curador provisório)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O curador fica sujeito ao regime do mandato geral em tudo o que não contrariar as disposições desta subsecção.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Compete ao curador provisório requerer os procedimentos cautelares necessários e intentar as acções que não possam ser retardadas sem prejuízo dos interesses do ausente; cabe-lhe ainda representar o ausente em todas as acções contra este propostas.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">3.</span>Só com autorização judicial pode o curador alienar ou onerar bens imóveis, objectos preciosos, títulos de crédito, estabelecimentos comerciais e quaisquer outros bens cuja alienação ou oneração não constitua acto de administração.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">4.</span>A autorização judicial só será concedida quando o acto se justifique para evitar a deterioração ou ruína dos bens, solver dívidas do ausente, custear benfeitorias necessárias ou úteis ou ocorrer a outra necessidade urgente.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 95.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Prestação de contas)</span></h4>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">1.</span>O curador provisório deve prestar contas do seu mandato perante o tribunal, anualmente ou quando este o exigir.</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">2.</span>Deferida a curadoria definitiva nos termos da subsecção seguinte, as contas do curador provisório são prestadas aos curadores definitivos.</div>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 96.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Remuneração do curador)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O curador haverá dez por cento da receita líquida que realizar.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 97.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Substituição do curador provisório)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">O curador pode ser substituído, a requerimento do Ministério Público ou de qualquer interessado, logo que se mostre inconveniente a sua permanência no cargo.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 98.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Termo da curadoria)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">A curadoria provisória termina:</p>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">a)</span>Pelo regresso do ausente;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">b)</span>Se o ausente providenciar acerca da administração dos bens;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">c)</span>Pela comparência de pessoa que legalmente represente o ausente ou de procurador bastante;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">d)</span>Pela entrega dos bens aos curadores definitivos ou ao cabeça-de-casal, nos termos do artigo 103.º;</div>\n<div class=\"lf-abs\"><span class=\"lf-abs-num\">e)</span>Pela certeza da morte do ausente.</div>\n<p class=\"lf-p\">SUBSECÇÃO II Curadoria definitiva</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 99.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Justificação da ausência)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">Decorridos dois anos sem se saber do ausente, se este não tiver deixado representante legal nem procurador bastante, ou cinco anos, no caso contrário, pode o Ministério Público ou algum dos interessados requerer a justificação da ausência.</p>\n<h4 class=\"lf-art\"><span class=\"lf-art-num\">Artigo 100.º</span><span class=\"lf-art-t\">(Legitimidade)</span></h4>\n<p class=\"lf-p\">São interessados na justificação da ausência o cônjuge não separado judicialmente de pessoas e bens, os herdeiros do ausente e todos os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente da condição da sua morte.</p>\n<p class=\"lf-p\">Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 ...</p>\n<p class=\"lf-p\">Seguinte &gt; © Copyright 2026. 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