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DL n.º 27/2023, de 28 de Abril

Índice (274)
  1. Artigo 1.º Âmbito de aplicação
  2. Artigo 2.º Organismo de investimento colectivo
  3. Artigo 3.º Forma dos organismos de investimento
  4. Artigo 4.º Organismos de investimento coletivo abertos e fechados
  5. Artigo 5.º Tipos de organismos de investimento colectivo
  6. Artigo 6.º Sociedades gestoras
  7. Artigo 7.º Sociedades gestoras de grande e de pequena dimensão
  8. Artigo 8.º Denominação
  9. Artigo 9.º Outras definições
  10. Artigo 10.º Deveres fundamentais
  11. Artigo 11.º Constituição e extinção
  12. Artigo 12.º Autonomia patrimonial
  13. Artigo 13.º Compartimentos patrimoniais autónomos
  14. Artigo 14.º Unidades de participação
  15. Artigo 15.º Categorias de unidades de participação
  16. Artigo 16.º Participantes
  17. Artigo 17.º Subscrição, resgate e reembolso
  18. Artigo 18.º Registo de unidades de participação
  19. Artigo 19.º Duração do organismo de investimento colectivo
  20. Artigo 20.º Valor líquido global
  21. Artigo 21.º Sociedades de investimento colectivo
  22. Artigo 22.º Procedimento
  23. Artigo 23.º Apreciação e decisão
  24. Artigo 24.º Recusa de autorização
  25. Artigo 25.º Revogação, suspensão e caducidade
  26. Artigo 26.º Alterações subsequentes à autorização para início de atividade de soci
  27. Artigo 27.º Alterações subsequentes à constituição de organismo de investimento co
  28. Artigo 28.º Âmbito da actividade
  29. Artigo 29.º Requisitos gerais
  30. Artigo 30.º Capital inicial mínimo
  31. Artigo 31.º Fundos próprios
  32. Artigo 32.º Âmbito da actividade
  33. Artigo 33.º Regime aplicável
  34. Artigo 34.º Direito de exercer a atividade noutro Estado-Membro
  35. Artigo 35.º Estabelecimento de sucursal
  36. Artigo 36.º Liberdade de prestação de serviços
  37. Artigo 37.º Alterações às informações comunicadas no âmbito do estabelecimento de
  38. Artigo 38.º Alterações às informações comunicadas no âmbito da liberdade de presta
  39. Artigo 39.º Direito aplicável à prestação transfronteiriça da actividade
  40. Artigo 40.º
  41. Artigo 41.º Direito de exercer a atividade em Portugal
  42. Artigo 42.º Estabelecimento de sucursal em Portugal
  43. Artigo 43.º Liberdade de prestação de serviços em Portugal
  44. Artigo 44.º Alterações às informações comunicadas no âmbito do estabelecimento de
  45. Artigo 45.º Alterações às informações comunicadas no âmbito da liberdade de presta
  46. Artigo 46.º
  47. Artigo 47.º Direito aplicável à constituição e funcionamento de organismo de inves
  48. Artigo 48.º Pedido de autorização
  49. Artigo 49.º Procedimento de autorização
  50. Artigo 50.º Requisitos de autorização
  51. Artigo 51.º Decisão
  52. Artigo 52.º Procedimento de dispensa
  53. Artigo 53.º Cooperação e comunicação de informação
  54. Artigo 54.º Alteração da estratégia de comercialização
  55. Artigo 55.º Execução e alteração da estratégia de comercialização
  56. Artigo 56.º Litígios da sociedade gestora de país terceiro autorizada em Portugal
  57. Artigo 57.º Direito de estabelecimento de sucursal e liberdade de prestação de ser
  58. Artigo 58.º
  59. Artigo 59.º Direito aplicável à constituição e funcionamento de organismos de inve
  60. Artigo 60.º Autorização de organismo de investimento colectivo
  61. Artigo 61.º Disposições gerais
  62. Artigo 62.º Regime aplicável
  63. Artigo 63.º Funções da sociedade gestora
  64. Artigo 64.º Deveres gerais
  65. Artigo 65.º Dever de agir no interesse dos participantes
  66. Artigo 66.º Deveres de organização
  67. Artigo 67.º Tratamento de reclamações e prestação de informação
  68. Artigo 68.º Comissão de gestão
  69. Artigo 69.º Custos e encargos do organismo de investimento colectivo
  70. Artigo 70.º Subcontratação
  71. Artigo 71.º Subcontratação por entidade subcontratada
  72. Artigo 72.º Substituição
  73. Artigo 73.º Receitas
  74. Artigo 74.º Comissões
  75. Artigo 75.º Valor e divulgação
  76. Artigo 76.º Deveres gerais
  77. Artigo 77.º Critérios de identificação de conflitos de interesses
  78. Artigo 78.º Política e procedimentos em matéria de conflitos de interesses
  79. Artigo 79.º Gestão e acompanhamento de conflitos de interesses
  80. Artigo 80.º Operações pessoais
  81. Artigo 81.º Envolvimento acionista e exercício dos direitos de voto
  82. Artigo 82.º Benefícios ilegítimos
  83. Artigo 83.º Conflitos de interesses no âmbito da gestão de organismos de investime
  84. Artigo 84.º Documentos constitutivos dos organismos de investimento colectivo
  85. Artigo 85.º Elaboração e conteúdo do prospecto
  86. Artigo 86.º Elaboração do regulamento de gestão
  87. Artigo 87.º Elaboração do documento com informações fundamentais destinadas aos in
  88. Artigo 88.º Conteúdo do documento com informações fundamentais destinadas aos inve
  89. Artigo 89.º Dever de disponibilização do documento com informações fundamentais de
  90. Artigo 90.º Responsabilidade civil
  91. Artigo 91.º
  92. Artigo 92.º Elaboração e prazos de divulgação dos relatórios e contas
  93. Artigo 93.º Conteúdo do relatório e contas
  94. Artigo 94.º
  95. Artigo 95.º Deveres de informação relativos a execução de ordens de subscrição e d
  96. Artigo 96.º Informação financeira
  97. Artigo 97.º Comunicações promocionais
  98. Artigo 98.º Formas de divulgação
  99. Artigo 99.º Divulgação de documentos constitutivos e relatórios e contas
  100. Artigo 100.º Dever de comunicação à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários
  101. Artigo 101.º Composição da carteira
  102. Artigo 102.º Prestação de informação pelas sociedades gestoras de OICVM
  103. Artigo 103.º Prestação de informação pelas sociedades gestoras de OIA
  104. Artigo 104.º Órgão de administração
  105. Artigo 105.º Adequação dos membros dos órgãos sociais
  106. Artigo 106.º Avaliação da adequação
  107. Artigo 107.º Avaliação contínua da adequação dos membros dos órgãos sociais
  108. Artigo 108.º Adequação dos titulares de participações qualificadas
  109. Artigo 109.º Avaliação inicial dos titulares de participações qualificadas em socie
  110. Artigo 110.º Procedimento de avaliação inicial
  111. Artigo 111.º Diminuição de participação qualificada
  112. Artigo 112.º Comunicações relativas a participações qualificadas
  113. Artigo 113.º Participações qualificadas em sociedade gestora não autorizada para a
  114. Artigo 114.º Supervisão contínua das participações qualificadas e medidas correctiv
  115. Artigo 115.º Âmbito e objecto
  116. Artigo 116.º Competência decisória e de revisão
  117. Artigo 117.º Comité de remunerações
  118. Artigo 118.º Colaboradores com funções de controlo interno
  119. Artigo 119.º Componente fixa e variável da remuneração
  120. Artigo 120.º Pagamento da componente variável em instrumentos financeiros
  121. Artigo 121.º Remuneração por cessação de funções
  122. Artigo 122.º Benefícios discricionários de pensão
  123. Artigo 123.º Função de gestão de riscos
  124. Artigo 124.º Gestão de riscos e avaliação contínua
  125. Artigo 125.º Gestão da liquidez
  126. Artigo 126.º Exposição a titularização
  127. Artigo 127.º Princípios gerais
  128. Artigo 128.º Competência para a avaliação
  129. Artigo 129.º Política de envolvimento de acionistas e deveres de transparência da s
  130. Artigo 130.º Designação de depositário
  131. Artigo 131.º Contrato entre o depositário e a sociedade gestora
  132. Artigo 132.º Deveres do depositário
  133. Artigo 133.º Independência
  134. Artigo 134.º Reutilização de ativos sob guarda
  135. Artigo 135.º Substituição do depositário
  136. Artigo 136.º Subcontratação da função da guarda de ativos
  137. Artigo 137.º Regime dos ativos em caso de insolvência do depositário
  138. Artigo 138.º Responsabilidade do depositário
  139. Artigo 139.º Auditor
  140. Artigo 140.º Comercialização
  141. Artigo 141.º Regime aplicável à comercialização
  142. Artigo 142.º Entidade comercializadora
  143. Artigo 143.º Deveres da entidade comercializadora
  144. Artigo 144.º Pré-comercialização
  145. Artigo 145.º Pré-comercialização de organismos de investimento alternativo
  146. Artigo 146.º Informação relativa à pré-comercialização
  147. Artigo 147.º Supervisão e cooperação no âmbito da pré-comercialização
  148. Artigo 148.º Meios de comercialização
  149. Artigo 149.º Comercialização de organismos de investimento coletivo em valores mobi
  150. Artigo 150.º
  151. Artigo 151.º Comercialização de organismos de investimento coletivo em valores mobi
  152. Artigo 152.º
  153. Artigo 153.º Informação aos investidores
  154. Artigo 154.º
  155. Artigo 155.º
  156. Artigo 156.º
  157. Artigo 157.º Comercialização por sociedades gestoras autorizadas em Portugal
  158. Artigo 158.º
  159. Artigo 159.º Depositários de organismos de investimento alternativo de país terceir
  160. Artigo 160.º
  161. Artigo 161.º
  162. Artigo 162.º Comercialização de organismo de investimento alternativo na União Euro
  163. Artigo 163.º
  164. Artigo 164.º Procedimentos internos
  165. Artigo 165.º Recursos
  166. Artigo 166.º Políticas e procedimentos de contabilidade
  167. Artigo 167.º Segurança de informação e continuidade da actividade
  168. Artigo 168.º Execução de decisões de negociação
  169. Artigo 169.º Transmissão de ordens de negociação
  170. Artigo 170.º Tratamento de operações
  171. Artigo 171.º Agregação e afetação de ordens
  172. Artigo 172.º Registo e conservação
  173. Artigo 173.º Registo das operações
  174. Artigo 174.º Registo de ordens de subscrição e resgate
  175. Artigo 175.º Sistemas de comunicação interna de factos, informações e provas
  176. Artigo 176.º Composição do património dos OICVM
  177. Artigo 177.º Operações proibidas
  178. Artigo 178.º Técnicas e instrumentos de gestão
  179. Artigo 179.º Exposição a instrumentos financeiros derivados
  180. Artigo 180.º Limites aplicáveis
  181. Artigo 181.º Endividamento
  182. Artigo 182.º Situações excepcionais
  183. Artigo 183.º Dever de diligência
  184. Artigo 184.º Política de gestão de riscos
  185. Artigo 185.º Avaliação, acompanhamento e revisão da política de gestão de riscos
  186. Artigo 186.º Cálculo da exposição global
  187. Artigo 187.º Abordagem baseada nos compromissos
  188. Artigo 188.º Risco de contraparte e concentração de emitentes em OICVM
  189. Artigo 189.º
  190. Artigo 190.º Auditoria interna
  191. Artigo 191.º Verificação de cumprimento
  192. Artigo 192.º Controlo pela direção de topo e pelo órgão de fiscalização
  193. Artigo 193.º Organismo de alimentação e organismo principal
  194. Artigo 194.º Procedimento de autorização
  195. Artigo 195.º Contrato entre o organismo de alimentação e o organismo principal
  196. Artigo 196.º Ativos elegíveis do organismo de investimento coletivo em valores mobi
  197. Artigo 197.º Unidades de participação e comissões
  198. Artigo 198.º Fiscalização do organismo de investimento coletivo em valores mobiliár
  199. Artigo 199.º
  200. Artigo 200.º
  201. Artigo 201.º Informação a prestar pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários
  202. Artigo 202.º Informação em ações publicitárias
  203. Artigo 203.º Depositários
  204. Artigo 204.º Auditores
  205. Artigo 205.º Liquidação
  206. Artigo 206.º Fusão ou cisão
  207. Artigo 207.º Conversão ou alteração
  208. Artigo 208.º Tipos de organismos de investimento alternativo
  209. Artigo 209.º Emissão de obrigações
  210. Artigo 210.º
  211. Artigo 211.º Obrigação de entrada e mora
  212. Artigo 212.º Assembleia de participantes
  213. Artigo 213.º Aumento de capital
  214. Artigo 214.º Redução de capital
  215. Artigo 215.º Prorrogação da duração e conversão
  216. Artigo 216.º Âmbito
  217. Artigo 217.º
  218. Artigo 218.º
  219. Artigo 219.º Conservação do capital
  220. Artigo 220.º Imóveis elegíveis
  221. Artigo 221.º Participações em sociedades imobiliárias
  222. Artigo 222.º Unidades de participação
  223. Artigo 223.º Instrumentos financeiros derivados
  224. Artigo 224.º Outros ativos
  225. Artigo 225.º Operações permitidas
  226. Artigo 226.º Ativos não elegíveis
  227. Artigo 227.º Investimento em capital de risco
  228. Artigo 228.º Sociedade gestora
  229. Artigo 229.º Operações permitidas
  230. Artigo 230.º Operações proibidas
  231. Artigo 231.º Valor da unidade de participação e composição da carteira
  232. Artigo 232.º Assembleia anual de participantes
  233. Artigo 233.º Informação
  234. Artigo 234.º Investimento em créditos
  235. Artigo 235.º Fusão
  236. Artigo 236.º Procedimento e autoridade de supervisão
  237. Artigo 237.º Fusão de organismos de investimento alternativo
  238. Artigo 238.º Pedido de autorização de fusão de organismo de investimento coletivo e
  239. Artigo 239.º Relatório de auditor
  240. Artigo 240.º Decisão e autorização
  241. Artigo 241.º Informação a prestar aos participantes
  242. Artigo 242.º Modo e meios de prestação da informação aos participantes
  243. Artigo 243.º Direito ao resgate
  244. Artigo 244.º Efeitos da fusão
  245. Artigo 245.º Custos
  246. Artigo 246.º Procedimento
  247. Artigo 247.º Dissolução
  248. Artigo 248.º Comunicações e publicações do facto dissolutivo
  249. Artigo 249.º Efeitos da dissolução
  250. Artigo 250.º Liquidação extrajudicial de organismo de investimento colectivo
  251. Artigo 251.º Liquidação judicial de organismo de investimento colectivo
  252. Artigo 252.º Dissolução
  253. Artigo 253.º Dissolução voluntária
  254. Artigo 254.º Liquidação de sociedade gestora
  255. Artigo 255.º Supervisão
  256. Artigo 256.º Divulgação de legislação e regulamentação
  257. Artigo 257.º Supervisão de organismos de investimento coletivo em valores mobiliári
  258. Artigo 258.º
  259. Artigo 259.º Supervisão de sociedade gestora de organismos de investimento alternat
  260. Artigo 260.º Comunicação de irregularidades
  261. Artigo 261.º Cooperação na supervisão de entidades autorizadas em Portugal
  262. Artigo 262.º Cooperação no âmbito da autorização de sociedade gestora
  263. Artigo 263.º Cooperação na avaliação dos riscos
  264. Artigo 264.º
  265. Artigo 265.º Cooperação e troca de informação
  266. Artigo 266.º Regulamentação
  267. Artigo 289.º [...]
  268. Artigo 305.º [...]
  269. Artigo 359.º [...]
  270. Artigo 363.º [...]
  271. Artigo 388.º [...]
  272. Artigo 400.º [...]
  273. Artigo 404.º [...]
  274. Artigo 422.º A

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A expressão exacta Ir para o art.:

Artigo 1.ºÂmbito de aplicação

Artigo 2.ºOrganismo de investimento colectivo

Artigo 3.ºForma dos organismos de investimento

Artigo 4.ºOrganismos de investimento coletivo abertos e fechados

Artigo 5.ºTipos de organismos de investimento colectivo

Artigo 6.ºSociedades gestoras

Artigo 7.ºSociedades gestoras de grande e de pequena dimensão

Artigo 8.ºDenominação

Artigo 9.ºOutras definições

Artigo 10.ºDeveres fundamentais

Artigo 11.ºConstituição e extinção

Artigo 12.ºAutonomia patrimonial

Artigo 13.ºCompartimentos patrimoniais autónomos

Artigo 14.ºUnidades de participação

Artigo 15.ºCategorias de unidades de participação

Artigo 16.ºParticipantes

Artigo 17.ºSubscrição, resgate e reembolso

Artigo 18.ºRegisto de unidades de participação

Artigo 19.ºDuração do organismo de investimento colectivo

Artigo 20.ºValor líquido global

Artigo 21.ºSociedades de investimento colectivo

Artigo 22.ºProcedimento

Artigo 23.ºApreciação e decisão

Artigo 24.ºRecusa de autorização

Artigo 25.ºRevogação, suspensão e caducidade

Artigo 26.ºAlterações subsequentes à autorização para início de atividade de sociedade gestora

Artigo 27.ºAlterações subsequentes à constituição de organismo de investimento colectivo

Artigo 28.ºÂmbito da actividade

Artigo 29.ºRequisitos gerais

Artigo 30.ºCapital inicial mínimo

Artigo 31.ºFundos próprios

Artigo 32.ºÂmbito da actividade

Artigo 33.ºRegime aplicável

Artigo 34.ºDireito de exercer a atividade noutro Estado-Membro

Artigo 35.ºEstabelecimento de sucursal

Artigo 36.ºLiberdade de prestação de serviços

Artigo 37.ºAlterações às informações comunicadas no âmbito do estabelecimento de sucursal

Artigo 38.ºAlterações às informações comunicadas no âmbito da liberdade de prestação de serviços

Artigo 39.ºDireito aplicável à prestação transfronteiriça da actividade

Artigo 40.º

Gestão de organismos de investimento alternativo de países terceiros não comercializados na União Europeia

Artigo 41.ºDireito de exercer a atividade em Portugal

Artigo 42.ºEstabelecimento de sucursal em Portugal

Artigo 43.ºLiberdade de prestação de serviços em Portugal

Artigo 44.ºAlterações às informações comunicadas no âmbito do estabelecimento de sucursal

Artigo 45.ºAlterações às informações comunicadas no âmbito da liberdade de prestação de serviços

Artigo 46.º

Pedido de gestão de organismos de investimento coletivo em valores mobiliários por sociedade gestora estabelecida noutro Estado-Membro

Artigo 47.ºDireito aplicável à constituição e funcionamento de organismo de investimento colectivo

Artigo 48.ºPedido de autorização

Artigo 49.ºProcedimento de autorização

Artigo 50.ºRequisitos de autorização

Artigo 51.ºDecisão

Artigo 52.ºProcedimento de dispensa

Artigo 53.ºCooperação e comunicação de informação

Artigo 54.ºAlteração da estratégia de comercialização

Artigo 55.ºExecução e alteração da estratégia de comercialização

Artigo 56.ºLitígios da sociedade gestora de país terceiro autorizada em Portugal

Artigo 57.ºDireito de estabelecimento de sucursal e liberdade de prestação de serviços noutro Estado-Membro

Artigo 58.º

Direito de estabelecimento de sucursal e liberdade de prestação de serviços de sociedade gestora de país terceiro autorizada noutro Estado-Membro

Artigo 59.ºDireito aplicável à constituição e funcionamento de organismos de investimento alternativo

Artigo 60.ºAutorização de organismo de investimento colectivo

Artigo 61.ºDisposições gerais

Artigo 62.ºRegime aplicável

Artigo 63.ºFunções da sociedade gestora

Artigo 64.ºDeveres gerais

Artigo 65.ºDever de agir no interesse dos participantes

Artigo 66.ºDeveres de organização

Artigo 67.ºTratamento de reclamações e prestação de informação

Artigo 68.ºComissão de gestão

Artigo 69.ºCustos e encargos do organismo de investimento colectivo

Artigo 70.ºSubcontratação

Artigo 71.ºSubcontratação por entidade subcontratada

Artigo 72.ºSubstituição

Artigo 73.ºReceitas

Artigo 74.ºComissões

Artigo 75.ºValor e divulgação

Artigo 76.ºDeveres gerais

Artigo 77.ºCritérios de identificação de conflitos de interesses

Artigo 78.ºPolítica e procedimentos em matéria de conflitos de interesses

Artigo 79.ºGestão e acompanhamento de conflitos de interesses

Artigo 80.ºOperações pessoais

Artigo 81.ºEnvolvimento acionista e exercício dos direitos de voto

Artigo 82.ºBenefícios ilegítimos

Artigo 83.ºConflitos de interesses no âmbito da gestão de organismos de investimento alternativo

Artigo 84.ºDocumentos constitutivos dos organismos de investimento colectivo

Artigo 85.ºElaboração e conteúdo do prospecto

Artigo 86.ºElaboração do regulamento de gestão

Artigo 87.ºElaboração do documento com informações fundamentais destinadas aos investidores

Artigo 88.ºConteúdo do documento com informações fundamentais destinadas aos investidores

Artigo 89.ºDever de disponibilização do documento com informações fundamentais destinadas aos investidores

Artigo 90.ºResponsabilidade civil

Artigo 91.º

Informação aos investidores de organismos de investimento alternativo dirigidos exclusivamente a investidores profissionais

Artigo 92.ºElaboração e prazos de divulgação dos relatórios e contas

Artigo 93.ºConteúdo do relatório e contas

Artigo 94.º

Relatório e contas anual dos organismos de investimento alternativo que controlem sociedades não cotadas

Artigo 95.ºDeveres de informação relativos a execução de ordens de subscrição e de resgate

Artigo 96.ºInformação financeira

Artigo 97.ºComunicações promocionais

Artigo 98.ºFormas de divulgação

Artigo 99.ºDivulgação de documentos constitutivos e relatórios e contas

Artigo 100.ºDever de comunicação à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários

Artigo 101.ºComposição da carteira

Artigo 102.ºPrestação de informação pelas sociedades gestoras de OICVM

Artigo 103.ºPrestação de informação pelas sociedades gestoras de OIA

Artigo 104.ºÓrgão de administração

Artigo 105.ºAdequação dos membros dos órgãos sociais

Artigo 106.ºAvaliação da adequação

Artigo 107.ºAvaliação contínua da adequação dos membros dos órgãos sociais

Artigo 108.ºAdequação dos titulares de participações qualificadas

Artigo 109.ºAvaliação inicial dos titulares de participações qualificadas em sociedade gestora de OICVM

Artigo 110.ºProcedimento de avaliação inicial

Artigo 111.ºDiminuição de participação qualificada

Artigo 112.ºComunicações relativas a participações qualificadas

Artigo 113.ºParticipações qualificadas em sociedade gestora não autorizada para a gestão de OICVM

Artigo 114.ºSupervisão contínua das participações qualificadas e medidas correctivas

Artigo 115.ºÂmbito e objecto

Artigo 116.ºCompetência decisória e de revisão

Artigo 117.ºComité de remunerações

Artigo 118.ºColaboradores com funções de controlo interno

Artigo 119.ºComponente fixa e variável da remuneração

Artigo 120.ºPagamento da componente variável em instrumentos financeiros

Artigo 121.ºRemuneração por cessação de funções

Artigo 122.ºBenefícios discricionários de pensão

Artigo 123.ºFunção de gestão de riscos

Artigo 124.ºGestão de riscos e avaliação contínua

Artigo 125.ºGestão da liquidez

Artigo 126.ºExposição a titularização

Artigo 127.ºPrincípios gerais

Artigo 128.ºCompetência para a avaliação

Artigo 129.ºPolítica de envolvimento de acionistas e deveres de transparência da sociedade gestora

Artigo 130.ºDesignação de depositário

Artigo 131.ºContrato entre o depositário e a sociedade gestora

Artigo 132.ºDeveres do depositário

Artigo 133.ºIndependência

Artigo 134.ºReutilização de ativos sob guarda

Artigo 135.ºSubstituição do depositário

Artigo 136.ºSubcontratação da função da guarda de ativos

Artigo 137.ºRegime dos ativos em caso de insolvência do depositário

Artigo 138.ºResponsabilidade do depositário

Artigo 139.ºAuditor

Artigo 140.ºComercialização

Artigo 141.ºRegime aplicável à comercialização

Artigo 142.ºEntidade comercializadora

Artigo 143.ºDeveres da entidade comercializadora

Artigo 144.ºPré-comercialização

Artigo 145.ºPré-comercialização de organismos de investimento alternativo

Artigo 146.ºInformação relativa à pré-comercialização

Artigo 147.ºSupervisão e cooperação no âmbito da pré-comercialização

Artigo 148.ºMeios de comercialização

Artigo 149.ºComercialização de organismos de investimento coletivo em valores mobiliários em Portugal

Artigo 150.º

Cessação da comercialização de organismos de investimento coletivo em valores mobiliários em Portugal

Artigo 151.ºComercialização de organismos de investimento coletivo em valores mobiliários na União Europeia

Artigo 152.º

Cessação da comercialização de organismos de investimento coletivo em valores mobiliários na União Europeia

Artigo 153.ºInformação aos investidores

Artigo 154.º

Comercialização em Portugal de organismos de investimento alternativo da União Europeia por sociedade gestora com sede em Portugal ou de país terceiro autorizada em Portugal

Artigo 155.º

Comercialização em Portugal de organismos de investimento alternativo da União Europeia por sociedade gestora da União Europeia ou por sociedade gestora de país terceiro autorizada noutro Estado-Membro

Artigo 156.º

Cessação da comercialização em Portugal de organismos de investimento alternativo da União Europeia por sociedade gestora da União Europeia

Artigo 157.ºComercialização por sociedades gestoras autorizadas em Portugal

Artigo 158.º

Comercialização por sociedades gestoras da União Europeia ou de países terceiros autorizadas noutro Estado-Membro

Artigo 159.ºDepositários de organismos de investimento alternativo de país terceiro comercializado em Portugal

Artigo 160.º

Regime não harmonizado de comercialização de organismos de investimento alternativo não estabelecidos em Portugal junto de investidores profissionais

Artigo 161.º

Regime não harmonizado de comercialização de organismos de investimento alternativo junto de investidores não profissionais

Artigo 162.ºComercialização de organismo de investimento alternativo na União Europeia

Artigo 163.º

Cessação da comercialização noutro Estado-Membro de organismos de investimento alternativo da União Europeia por sociedade gestora nacional

Artigo 164.ºProcedimentos internos

Artigo 165.ºRecursos

Artigo 166.ºPolíticas e procedimentos de contabilidade

Artigo 167.ºSegurança de informação e continuidade da actividade

Artigo 168.ºExecução de decisões de negociação

Artigo 169.ºTransmissão de ordens de negociação

Artigo 170.ºTratamento de operações

Artigo 171.ºAgregação e afetação de ordens

Artigo 172.ºRegisto e conservação

Artigo 173.ºRegisto das operações

Artigo 174.ºRegisto de ordens de subscrição e resgate

Artigo 175.ºSistemas de comunicação interna de factos, informações e provas

Artigo 176.ºComposição do património dos OICVM

Artigo 177.ºOperações proibidas

Artigo 178.ºTécnicas e instrumentos de gestão

Artigo 179.ºExposição a instrumentos financeiros derivados

Artigo 180.ºLimites aplicáveis

Artigo 181.ºEndividamento

Artigo 182.ºSituações excepcionais

Artigo 183.ºDever de diligência

Artigo 184.ºPolítica de gestão de riscos

Artigo 185.ºAvaliação, acompanhamento e revisão da política de gestão de riscos

Artigo 186.ºCálculo da exposição global

Artigo 187.ºAbordagem baseada nos compromissos

Artigo 188.ºRisco de contraparte e concentração de emitentes em OICVM

Artigo 189.º

Procedimentos de cálculo do valor dos instrumentos financeiros derivados negociados no mercado de balcão

Artigo 190.ºAuditoria interna

Artigo 191.ºVerificação de cumprimento

Artigo 192.ºControlo pela direção de topo e pelo órgão de fiscalização

Artigo 193.ºOrganismo de alimentação e organismo principal

Artigo 194.ºProcedimento de autorização

Artigo 195.ºContrato entre o organismo de alimentação e o organismo principal

Artigo 196.ºAtivos elegíveis do organismo de investimento coletivo em valores mobiliários de alimentação

Artigo 197.ºUnidades de participação e comissões

Artigo 198.ºFiscalização do organismo de investimento coletivo em valores mobiliários principal

Artigo 199.º

Documentos constitutivos e relatórios e contas do organismo de investimento coletivo em valores mobiliários de alimentação

Artigo 200.º

Deveres de informação da sociedade gestora do organismo de investimento coletivo em valores mobiliários principal

Artigo 201.ºInformação a prestar pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários

Artigo 202.ºInformação em ações publicitárias

Artigo 203.ºDepositários

Artigo 204.ºAuditores

Artigo 205.ºLiquidação

Artigo 206.ºFusão ou cisão

Artigo 207.ºConversão ou alteração

Artigo 208.ºTipos de organismos de investimento alternativo

Artigo 209.ºEmissão de obrigações

Artigo 210.º

Organismo de investimento alternativo de alimentação e organismo de investimento alternativo principal

Artigo 211.ºObrigação de entrada e mora

Artigo 212.ºAssembleia de participantes

Artigo 213.ºAumento de capital

Artigo 214.ºRedução de capital

Artigo 215.ºProrrogação da duração e conversão

Artigo 216.ºÂmbito

Artigo 217.º

Comunicação sobre aquisição de participações qualificadas e de uma posição de controlo em sociedade não cotada

Artigo 218.º

Comunicação sobre aquisição de uma posição de controlo em sociedade emitente com sede na União Europeia de ações admitidas à negociação em mercado regulamentado

Artigo 219.ºConservação do capital

Artigo 220.ºImóveis elegíveis

Artigo 221.ºParticipações em sociedades imobiliárias

Artigo 222.ºUnidades de participação

Artigo 223.ºInstrumentos financeiros derivados

Artigo 224.ºOutros ativos

Artigo 225.ºOperações permitidas

Artigo 226.ºAtivos não elegíveis

Artigo 227.ºInvestimento em capital de risco

Artigo 228.ºSociedade gestora

Artigo 229.ºOperações permitidas

Artigo 230.ºOperações proibidas

Artigo 231.ºValor da unidade de participação e composição da carteira

Artigo 232.ºAssembleia anual de participantes

Artigo 233.ºInformação

Artigo 234.ºInvestimento em créditos

Artigo 235.ºFusão

Artigo 236.ºProcedimento e autoridade de supervisão

Artigo 237.ºFusão de organismos de investimento alternativo

Artigo 238.ºPedido de autorização de fusão de organismo de investimento coletivo em valores mobiliários

Artigo 239.ºRelatório de auditor

Artigo 240.ºDecisão e autorização

Artigo 241.ºInformação a prestar aos participantes

Artigo 242.ºModo e meios de prestação da informação aos participantes

Artigo 243.ºDireito ao resgate

Artigo 244.ºEfeitos da fusão

Artigo 245.ºCustos

Artigo 246.ºProcedimento

Artigo 247.ºDissolução

Artigo 248.ºComunicações e publicações do facto dissolutivo

Artigo 249.ºEfeitos da dissolução

Artigo 250.ºLiquidação extrajudicial de organismo de investimento colectivo

Artigo 251.ºLiquidação judicial de organismo de investimento colectivo

Artigo 252.ºDissolução

Artigo 253.ºDissolução voluntária

Artigo 254.ºLiquidação de sociedade gestora

Artigo 255.ºSupervisão

Artigo 256.ºDivulgação de legislação e regulamentação

Artigo 257.ºSupervisão de organismos de investimento coletivo em valores mobiliários

Artigo 258.º

Supervisão de sociedade gestora da União Europeia que gere organismos de investimento coletivo em valores mobiliários

Artigo 259.ºSupervisão de sociedade gestora de organismos de investimento alternativo

Artigo 260.ºComunicação de irregularidades

Artigo 261.ºCooperação na supervisão de entidades autorizadas em Portugal

Artigo 262.ºCooperação no âmbito da autorização de sociedade gestora

Artigo 263.ºCooperação na avaliação dos riscos

Artigo 264.º

Cooperação na supervisão de sociedade gestora de organismos de investimento alternativo de país terceiro

Artigo 265.ºCooperação e troca de informação

Artigo 266.ºRegulamentação

ANEXO I Autorização para início de atividade de sociedade gestora ANEXO II Elementos instrutórios relativos à constituição de organismo de investimento colectivo ANEXO III Elementos instrutórios relativos ao pedido de autorização de sociedade gestora de país terceiro ANEXO IV Documentos constitutivos e relatórios e contas ANEXO V Composição do património dos organismos de investimento coletivo em valores mobiliários ANEXO VI Limites ao investimento ANEXO VII Estruturas master-feeder ANEXO VIII Conteúdo da comunicação sobre aquisição de participações qualificadas e de uma posição de controlo em sociedade não cotada ANEXO IX Fusão de organismos de investimento coletivo em valores mobiliários Nº de artigos : 275 Páginas:

1 2 3 Seguinte > Ver índice sistemático do diploma Imprimir todo o diploma SUMÁRIO Aprova o regime da gestão de ativos _____________________ Decreto-Lei n.º 27/2023, de 28 de abril A gestão de ativos é a atividade em que alguém assume a responsabilidade por gerir e administrar um conjunto de bens. O sistema financeiro admite e regula diversas formas de gestão de ativos, podendo esta ser coletiva ou individual. A gestão individualizada de carteira de instrumentos financeiros rege-se pelo Código dos Valores Mobiliários, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 486/99, de 13 de novembro, e é um serviço de investimento exercido, a título profissional, por intermediário financeiro.

A gestão coletiva de ativos pode ser efetuada através de diferentes formas consoante a natureza e a finalidade. No âmbito da gestão coletiva de ativos destaca-se, pela sua função de financiamento à economia, a gestão de investimento coletivo de capitais obtidos junto de investidores através de organismos de investimento coletivo (OIC). A gestão de OIC é especialmente conformada pelo direito da União Europeia, que sujeita a gestão especializada e profissional do investimento coletivo a deveres reforçados de conduta e a supervisão pública sob diversas formas e níveis de intensidade. O direito da União Europeia regula, em especial, os organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (OICVM), de acordo com a Diretiva 2009/65/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de julho de 2009 (Diretiva 2009/65/CE), e os organismos de investimento alternativo (OIA), nos termos da Diretiva 2011/61/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 8 de junho de 2011 (Diretiva 2011/61/UE). A Diretiva 2009/65/CE regula, de forma mais abrangente, os requisitos da atividade destes organismos e das entidades instrumentais à sua atividade, nomeadamente a sociedade gestora e o depositário, tendo em conta a natureza aberta e o público-alvo destes organismos. A Diretiva 2011/61/UE regula os requisitos aplicáveis aos gestores de OIA, nomeadamente em matéria de acesso e exercício da atividade de gestão destes organismos.

Em Portugal, a atividade de gestão coletiva, sob a forma de OIC, é atualmente regulada pelo Regime Geral dos Organismos de Investimento Coletivo (RGOIC), aprovado em anexo à Lei n.º 16/2015, de 24 de fevereiro, na sua redação atual, e pelo Regime Jurídico do Capital de Risco, Empreendedorismo Social e Investimento Especializado (RJCRESIE), aprovado em anexo à Lei n.º 18/2015, de 4 de março, na sua redação atual.

O RGOIC regula especialmente os organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (OICVM), procedendo à transposição da Diretiva 2009/65/CE e, ainda, parcialmente, os OIA, transpondo igualmente a Diretiva 2011/61/UE. O RJCRESIE regula a atividade de capital de risco, bem como a atividade de outros OIC, nomeadamente o investimento especializado e o empreendedorismo social, transpondo parcialmente a Diretiva 2011/61/UE.

A experiência acumulada na aplicação do RGOIC e do RJCRESIE demonstra que é possível adotar uma abordagem de política regulatória mais harmonizada, coerente e uniforme, que promova a eficácia da supervisão e a competitividade do setor, adotando nomeadamente soluções mais alinhadas com o direito da União Europeia. Este é um elemento particularmente relevante, na medida em que os operadores de mercado concorrem, cada vez mais, no contexto integrado do mercado interno da União Europeia.

Adicionalmente, a atividade de gestão coletiva de ativos está sujeita a princípios e regras tendencialmente comuns, independentemente da natureza dos organismos. Por esse motivo, e em linha com os princípios de economia e simplificação legislativa, considera-se vantajoso unificar e sistematizar esses referentes comuns, garantindo maior coerência e harmonização regulatória. Esta iniciativa dá ainda cumprimento a uma das reformas contidas no Plano de Recuperação e Resiliência, num contexto de promoção de um ambiente empresarial mais favorável que proporcione incentivos ao investimento, à capitalização das empresas e à consolidação setorial.

O presente decreto-lei procede, por isso, à aprovação do regime da gestão de ativos (RGA) e, consequentemente, à revogação do RGOIC e do RJCRESIE. O RGA adota um quadro regulatório comum dos OIC, regulando de forma unitária as matérias que estão atualmente dispersas pelo RGOIC e pelo RJCRESIE, promovendo ainda um alinhamento do direito nacional com o direito da União Europeia.

Os OIC são instituições que têm por finalidade o investimento coletivo de capitais obtidos junto de investidores de acordo com uma política de investimento previamente estabelecida. O RGA alinha o conceito base de OIC com o direito da União Europeia. Assim, o OIC é delimitado por referência à recolha de capital junto de investidores para aplicação de acordo com uma política de investimento, sendo previsto, em conformidade com a Diretiva 2009/65/CE, que os OICVM estão ainda sujeitos ao princípio da diversificação de risco. Os OICVM e os OIA constituem as duas tipologias de OIC reguladas pelo RGA. Em benefício da simplificação, o RGA simplifica o catálogo de tipologias de OIA, prevendo três tipologias em função do objeto principal do investimento e uma tipologia residual e aberta. Mantêm-se, pela relevância e enraizamento no nosso mercado, os OIA imobiliários e os OIA de capital de risco, bem como os OIA de créditos que foram introduzidos recentemente no nosso ordenamento. Os demais OIA atualmente existentes, nomeadamente os OIA em valores mobiliários, os organismos de investimento em ativos não financeiros, os organismos de investimento alternativo especializado, com exceção dos OIA de créditos, e os fundos de empreendedorismo social, deixam de constituir tipologias autónomas e passam a poder ser constituídos ao abrigo da tipologia aberta.

Os OIC são patrimónios autónomos, podendo assumir forma contratual, de fundo de investimento, ou societária, de sociedade de investimento coletivo. Os OIC sob forma societária podem ser autogeridos ou heterogeridos, caso designem uma terceira entidade para assegurar a sua gestão. Estes organismos podem ser abertos ou fechados, consoante o número de partes - unidades de participação ou ações - em circulação seja variável ou fixo. As unidades de participação de OIC aberto podem ser subscritas e resgatadas, a pedido dos participantes, conforme previsto nos documentos constitutivos. Os OIC podem ainda dividir-se em compartimentos patrimoniais que são autónomos entre si. Os OIC têm um valor líquido global sempre positivo, não se mantendo os limiares mínimos de valor líquido global atualmente previstos consoante a tipologia do organismo.

A qualidade de participante decorre da aquisição dos valores mobiliários representativos de uma fração do património do OIC sob forma contratual ou societária. As unidades de participação correspondem aos valores mobiliários emitidos por OIC sob forma contratual, enquanto aqueles com forma societária emitem ações por adotarem a forma de sociedade anónima. Independentemente da forma do OIC, os valores mobiliários representativos das suas partes são necessariamente escriturais e sem valor nominal. A aquisição originária é efetuada mediante a sua subscrição, a qual implica o pagamento do respetivo valor de subscrição. Nos OIC abertos, o valor de subscrição é integralmente realizado e nos demais organismos é integral ou parcialmente realizado, consoante o estabelecido nos documentos constitutivos.

Os OIC podem ter duração determinada ou indeterminada, consoante o estabelecido nos respetivos documentos constitutivos. Nos OIA fechados com duração indeterminada, os respetivos documentos constitutivos preveem a negociação das suas unidades de participação no prazo de três anos a contar da constituição.

A atividade dos OIC é suportada pela atuação de diversas entidades com diferentes funções, com particular destaque para a sociedade gestora, o depositário e as entidades comercializadoras. Todos estão vinculados ao dever de atuação no exclusivo interesse dos participantes, ou seja, dos titulares do património coletivo.

O RGA simplifica o catálogo de agentes que podem desenvolver a atividade de gestão coletiva de ativos. O RGOIC e o RJCRESIE preveem quatro tipos de sociedades gestoras: as sociedades gestoras de organismos de investimento coletivo (SGOIC), as sociedades de capital de risco (SCR), as sociedades de empreendedorismo social e as sociedades gestoras de fundos de capital de risco. Adicionalmente, o RJCRESIE contempla ainda a figura dos investidores de capital de risco, bem como a possibilidade de as sociedades de desenvolvimento regional exercerem a atividade. No RGA, os tipos de sociedades gestoras elegíveis passam a ser apenas as SGOIC e as SCR. Esta classificação tem por base a diferença no âmbito de atividade de cada um dos tipos. As SGOIC podem exercer atividades de gestão de OICVM e de OIA, não podendo, porém, gerir exclusivamente OIA de capital de risco. As SCR só podem gerir OIA. As SCR têm necessariamente de gerir, pelo menos, um OIA de capital de risco e não podem gerir maioritariamente OIA imobiliários.

O início da atividade de qualquer sociedade gestora depende de autorização da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), nos termos do RGA, estabelecendo-se dois regimes de acesso à atividade consoante o objeto e dimensão da sociedade gestora. A Diretiva 2011/61/UE admite a aplicação de um regime simplificado para o investimento alternativo que se situe abaixo dos limiares quantitativos nela previstos. A experiência prática comprova a adequação e utilidade deste regime simplificado na captação e gestão de investimento de capital de risco. Por razões de coerência e uniformização regulatória, este regime simplificado deve ser igualmente aplicado a outras formas de investimento alternativo além do capital de risco. Assim, o RGA amplia o âmbito de aplicação do regime simplificado de acesso e exercício da atividade de gestão de OIA, passando a subdividir as sociedades gestoras de OIA segundo um critério de dimensão, ou seja, de grande ou pequena dimensão, consoante ultrapassem ou não os limiares previstos na Diretiva 2011/61/UE.

As sociedades gestoras de pequena dimensão ficam sujeitas a um procedimento simplificado de autorização, por referência ao regime aplicável às sociedades gestoras de OICVM e de grande dimensão. A CMVM dispõe de um prazo de decisão de 30 dias, no qual procede nomeadamente à análise ex ante da adequação dos membros do órgão de administração. O requisito de capital mínimo inicial de uma sociedade gestora de pequena dimensão é de (euro) 75 000, sendo obrigada a constituir um montante adicional de fundos próprios de 0,02 /prct. do montante em que o valor líquido global das carteiras sob gestão exceda (euro) 250 000 000. Os seus requisitos organizacionais são objeto de análise subsequente pela CMVM, de acordo com princípios gerais e critérios de proporcionalidade. Por fim, não se exige a designação de depositário para os OIA geridos por estas sociedades gestoras, quando se trate de OIA dirigido exclusivamente a investidores profissionais.

O regime de início da atividade das sociedades gestoras de OICVM e de grande dimensão é também ajustado, procedendo-se, nomeadamente, à redução do prazo para a decisão de autorização da CMVM. O RGA estabelece um prazo de decisão de 90 dias, prorrogável por 30 dias, quando atualmente se preveem prazos de decisão que se podem estender até 6 meses. Também são ajustados os elementos instrutórios dos pedidos de autorização em linha com o disposto no direito da União Europeia. Os requisitos gerais de uma sociedade gestora de OICVM e de grande dimensão correspondem, no essencial, aos requisitos atualmente previstos no RGOIC para uma SGOIC. As sociedades gestoras de OICVM e de grande dimensão adotam a forma de sociedade anónima, têm administração central e efetiva em Portugal, um capital mínimo inicial de, pelo menos, (euro) 125 000 ou, se exercerem a atividade de registo e depósito de instrumentos financeiros, (euro) 150 000, os seus membros dos órgãos sociais e participantes qualificados cumprem os requisitos de adequação e têm uma direção de topo composta por, pelo menos, duas pessoas.

A autorização para o início da atividade da sociedade gestora delimita o âmbito da atividade que pode exercer de acordo com os tipos previstos no RGA. A sociedade gestora pode, mediante autorização, estar habilitada a gerir OICVM, OIA ou ambos. Adicionalmente, consoante o tipo de OIC que esteja habilitada a gerir, pode igualmente ser autorizada a exercer atividades adicionais reguladas pela Diretiva 2014/65/UE.

As sociedades gestoras de OICVM e de grande dimensão podem exercer atividade transfronteiriça na União Europeia ao abrigo do direito de estabelecimento e da liberdade de prestação de serviços, mediante o cumprimento do procedimento de notificação previsto no RGA, conforme admitido na Diretiva 2009/65/CE e na Diretiva 2011/61/UE. Para o efeito, a sociedade gestora comunica à CMVM, acompanhado da informação exigível, consoante pretenda estabelecer sucursal noutro Estado-Membro ou atuar ao abrigo da liberdade de prestação de serviços. A informação comunicada pela sociedade gestora é transmitida pela CMVM às autoridades de supervisão dos Estados-Membros de acolhimento, podendo a CMVM recusar a comunicação em determinadas situações e de forma fundamentada. De igual modo, uma sociedade gestora da União Europeia também pode exercer atividade em Portugal ao abrigo do direito de estabelecimento e da liberdade de prestação de serviços em termos idênticos a uma sociedade gestora nacional, mediante o cumprimento do referido procedimento de notificação. A supervisão prudencial da sociedade gestora é sempre assegurada pela autoridade do Estado-Membro de origem. Por fim, são ainda previstos os requisitos para que uma sociedade gestora de país terceiro possa exercer atividade em Portugal.

Os OIC e respetivos compartimentos patrimoniais autónomos podem ser constituídos mediante autorização da CMVM ou comunicação à CMVM, com ou sem possibilidade de oposição. A constituição de OIA de subscrição particular fica sujeita a comunicação prévia à CMVM. A constituição de compartimento patrimonial autónomo de OIC aberto ou fechado de subscrição pública, cujo depositário e auditor sejam coincidentes com os do organismo ou de outro compartimento do mesmo organismo também fica sujeita a comunicação à CMVM, podendo, neste caso, deduzir oposição. Os demais OIC e respetivos compartimentos patrimoniais autónomos só podem ser constituídos mediante autorização da CMVM, sendo ajustado o prazo de decisão de autorização.

A sociedade gestora tem uma função central no desenvolvimento da atividade dos OIC, encontrando-se, por isso, sujeita a um exigente quadro de deveres fiduciários de atuação no interesse exclusivo dos participantes. A sociedade gestora procede à gestão do investimento e do risco do OIC, bem como à comercialização e administração do mesmo, prestando um conjunto de serviços administrativos. A sociedade gestora de OIA pode ainda prestar um conjunto de serviços adicionais relacionados, nomeadamente, com gestão de instalações ou administração imobiliária, bem como de aconselhamento especializado.

A sociedade gestora atua no interesse exclusivo dos participantes, desempenhando as suas funções de acordo com padrões reforçados de conduta, nomeadamente de honestidade, equidade, cuidado, diligência e competência, estando sujeita ainda a dever de segredo. No quadro dos seus deveres gerais, a sociedade gestora de OICVM integra os riscos de sustentabilidade no âmbito da sua atuação. A sociedade gestora está obrigada a dar prevalência aos interesses dos participantes relativamente a quaisquer outros interesses, próprios ou de entidades relacionadas, tendo igualmente de assegurar um tratamento equitativo dos participantes.

A atividade de gestão de OIC é remunerada através de uma comissão de gestão. A fórmula de cálculo é previamente definida nos documentos constitutivos do OIC, podendo incluir uma componente variável decorrente do desempenho desse OIC. Para além da comissão de gestão, os demais custos e encargos imputáveis ao OIC estão sujeitos a critérios de adequação tendo em conta o princípio de gestão sã e prudente. A sociedade gestora não pode cobrar ou imputar, ao OIC ou aos participantes, quaisquer custos que não sejam devidos e não se encontrem previstos nos documentos constitutivos.

A sociedade gestora pode subcontratar as suas funções, devendo comunicá-lo previamente à CMVM. A subcontratação não pode comprometer a eficácia da supervisão da sociedade gestora, nem a sua responsabilidade última pela gestão do OIC, incluindo para emitir instruções à entidade subcontratada ou cessar a subcontratação quando o interesse dos participantes o exija.

A relação de gestão é, por natureza, duradoura, mantendo-se, em regra, durante a duração do OIC. Em determinadas situações, a sociedade gestora pode ser substituída nas suas funções, desde que os documentos constitutivos prevejam essa possibilidade. Essa previsão é um requisito essencial da substituição, na medida em que esta circunstância representa uma alteração significativa dos pressupostos subjacentes ao investimento nesse OIC. A substituição de sociedade gestora de OIC abertos depende de autorização da CMVM e, no caso dos demais OIC, é objeto de comunicação subsequente à CMVM.

A atividade dos OIC é enquadrada pelos respetivos documentos constitutivos. Os documentos constitutivos são, consoante o tipo e a natureza do OIC, o prospeto, o regulamento de gestão, o documento com informações fundamentais destinadas aos investidores, a informação aos investidores de OIA dirigidos exclusivamente a investidores profissionais e, no caso de uma sociedade de investimento coletivo, o contrato de sociedade. A elaboração de prospeto é exigível para OIC abertos, sejam OICVM ou OIA, integrando o regulamento de gestão e, no caso de OIC sob forma societária, o contrato de sociedade.

O regulamento de gestão é um documento constitutivo obrigatório independentemente da natureza do OIC. O RGA estabelece um conjunto de elementos que constam necessariamente do regulamento de gestão, podendo a CMVM regulamentar e fixar os demais elementos mínimos deste documento constitutivo.

A sociedade gestora de OICVM elabora o documento de informações fundamentais aos investidores (IFI). O conteúdo e a forma deste documento decorrem diretamente da legislação da União Europeia e da respetiva regulamentação, incluindo, nomeadamente, a identificação, a descrição dos objetivos e política de investimento, resultados previstos, custos e encargos e o perfil de risco. Tendo em conta o disposto na legislação da União Europeia relativa aos pacotes de produtos de investimento ou baseados em seguros dirigidos a investidores de retalho (PRIIP), o IFI pode ser substituído pelo documento de informação fundamental (DIF) previsto nessa legislação da União Europeia. O IFI é disponibilizado aos investidores, pela entidade comercializadora, com uma antecedência adequada ao momento da subscrição das unidades de participação. Relativamente aos OIA, a respetiva sociedade gestora elabora a informação dirigida aos investidores profissionais e, se dirigidos a investidores não profissionais, o DIF previsto na legislação da União Europeia relativa aos PRIIP.

Os OIC estão obrigados a elaborar documentos de prestação de contas. Os OICVM elaboram e publicam um relatório anual e semestral de acordo com o modelo em anexo ao RGA, respetivamente, no prazo de quatro e de dois meses a contar do termo do período de referência. Os OIA elaboram e publicam apenas relatório anual no prazo de cinco meses a contar do encerramento do exercício. O conteúdo mínimo dos relatórios e contas dos OIA decorre diretamente da regulamentação da União Europeia.

A informação que deva ser publicada, nos termos do RGA, relativa a OIC, é divulgada através do sistema de difusão de informação da CMVM. Sem prejuízo de outras formas de publicitação previstas no RGA, são objeto de publicação o prospeto, o regulamento de gestão, as informações fundamentais destinadas aos investidores, a informação aos investidores de OIA dirigidos exclusivamente a investidores profissionais e os últimos relatórios e contas anuais e semestrais.

Para além dos deveres de informação ao público e aos participantes, os OIC e respetivas sociedades gestoras estão sujeitos a deveres de informação à CMVM para efeitos de supervisão e fiscalização do cumprimento das normas que regem a sua atividade. Em particular, a sociedade gestora está obrigada a comunicar à CMVM quaisquer factos relevantes relativos ao organismo de investimento coletivo que afetem o seu funcionamento ou significativamente os seus ativos. Sempre que considere necessário para a proteção dos interesses dos investidores, a CMVM pode determinar que esses factos sejam divulgados ou publicados.

O RGA exige especiais qualidades no que respeita às qualificações e requisitos das pessoas que podem influenciar ou fiscalizar a atividade da sociedade gestora. Atendendo aos interesses em presença, quer os membros dos órgãos sociais, quer os participantes qualificados das sociedades gestora, estão sujeitos a requisitos legais de adequação.

Os membros dos órgãos de administração e fiscalização das sociedades gestoras de OICVM e de grande dimensão são objeto de avaliação prévia ao início de funções para verificar se observam os critérios de idoneidade e experiência. A avaliação prévia é efetuada no procedimento de autorização para início da atividade da sociedade gestora, bem como quando se verifique a alteração da composição do órgão. A CMVM pode opor-se à designação inicial de qualquer membro dos órgãos de administração e fiscalização. Os membros dos órgãos sociais cumprem continuamente os critérios legais de adequação, podendo ser objeto de medidas de supervisão caso deixem de reunir os requisitos para o exercício dessas funções, incluindo, a sua destituição.

A aquisição de uma participação qualificada numa sociedade gestora também está sujeita a requisitos legais e a controlo administrativo pela CMVM. Os participantes qualificados têm de dar garantias de assegurar uma gestão sã e prudente da sociedade gestora, nomeadamente, idoneidade e solidez financeira. A adequação dos participantes qualificados é avaliada no âmbito do procedimento de autorização para o início da atividade da sociedade gestora de OICVM e de grande dimensão.

Para além da avaliação em sede de procedimento de autorização, a aquisição potencial de uma participação qualificada numa sociedade gestora de OICVM está sujeita a notificação prévia à CMVM, podendo esta opor-se à concretização da operação. A avaliação da adequação dos participantes qualificados de uma sociedade gestora de OICVM é efetuada previamente à aquisição da participação qualificada e também sucessivamente, podendo a CMVM adotar medidas de supervisão quando esses requisitos deixem de se verificar.

A avaliação da adequação dos participantes qualificados de uma sociedade gestora que efetue exclusivamente a gestão de OIA é objeto de controlo subsequente. Para este efeito, é estabelecido o dever de informação à CMVM sobre a alteração dos participantes qualificados dessa sociedade gestora.

A política de remuneração é um instrumento de orientação da conduta que deve mitigar e neutralizar riscos decorrentes de incentivos desajustados e desadequados, tratando-se de uma matéria objeto de significativa harmonização no direito da União Europeia. As sociedades gestoras de OICVM e de grande dimensão adotam uma política de remuneração dos colaboradores responsáveis pela condução da atividade e assunção de riscos. Por razões de proporcionalidade, esta exigência não abrange as sociedades gestoras de pequena dimensão.

A disciplina da política de remuneração tem em conta o princípio da proporcionalidade, bem como a abordagem regulatória baseada no risco, atendendo à dimensão, organização interna, natureza, âmbito e complexidade das atividades da sociedade gestora. A política de remuneração deve mitigar e reduzir eventuais riscos de conflitos de interesses, devendo ser compatível com os objetivos da estratégia empresarial, valores e interesses da sociedade gestora e dos OIC por si geridos e respetivos investidores. Deve ainda ser neutra do ponto de vista do género, baseando-se na igualdade de remuneração entre dirigentes e colaboradores masculinos e femininos por trabalho igual.

A política de remuneração abrange todas as formas de remuneração e benefícios dos colaboradores abrangidos por este regime. Em linha com o direito da União Europeia, o RGA estabelece os requisitos e termos da adequada definição das componentes, fixa e variável, da remuneração. A componente fixa da remuneração deve ser suficientemente representativa para permitir inclusivamente o não pagamento da componente variável. Para promover uma remuneração baseada numa ótica de médio-longo prazo, pelo menos, metade da componente variável deve ser paga em espécie e, além disso, uma parte substancial, de 40 /prct. ou 60 /prct. da componente variável, consoante o montante, é diferida pelo período de três anos. É ainda estabelecido que os benefícios discricionários de pensão são retidos e pagos em espécie. Os colaboradores responsáveis pelas funções de controlo desempenham um papel com especial relevância e significado na estrutura de governo societário. Por isso, a fixação da sua remuneração é independente do desempenho das áreas de negócio sob o seu controlo e a sua remuneração é diretamente supervisionada pelo órgão de fiscalização ou pelo comité de remunerações.

A sociedade gestora dispõe de funções de gestão de riscos e de avaliação de ativos. O estabelecimento destas funções é exigível para qualquer sociedade gestora, inclusivamente de pequena dimensão, salvo se tal se revelar desadequado de acordo com exigências de proporcionalidade. A extensão da função de gestão de riscos numa sociedade gestora de pequena dimensão tem em conta a sua dimensão e nível de risco, sendo, por isso, ajustada face à sociedade gestora de grande dimensão.

O depositário assegura a custódia dos ativos do OIC e desempenha funções de controlo e de fiscalização da respetiva atividade no interesse dos participantes. A sua designação é obrigatória, salvo para OIC dirigidos exclusivamente a investidores profissionais que sejam geridos por sociedade gestora de pequena dimensão. A função de depositário pode ser assumida por instituição de crédito ou empresa de investimento estabelecida em Portugal, sendo a respetiva relação contratual formalizada por escrito. O depositário tem um estatuto de independência, devendo adotar medidas para evitar a ocorrência de conflitos de interesses.

O depositário pode subcontratar a função de guarda de ativos, mediante o cumprimento de requisitos, formais e materiais, que visam garantir a sua compatibilidade com o objetivo subjacente à função do depositário, incluindo exigências na seleção e fiscalização da atividade do subcontratado, de interesse objetivo na subcontratação, bem como de competência e recursos do subcontratado.

A informação financeira dos OIC está sujeita a relatório de auditoria emitido por auditor habilitado para o efeito. O auditor está sujeito ao dever de comunicação à CMVM relativamente à ocorrência de factos com impacto significativo na atividade do OIC.

A recolha de capitais junto de investidores realiza-se através da comercialização, que consiste na oferta ou colocação de unidades de participação de organismo de investimento coletivo efetuada, direta ou indiretamente, por iniciativa da sociedade gestora ou por sua conta. O conceito de comercialização adotado no RGA é aperfeiçoado tendo em vista o seu alinhamento com o conceito previsto na Diretiva 2011/61/UE.

Para além da sociedade gestora, podem ser entidades comercializadoras o depositário, intermediários financeiros registados junto da CMVM para o exercício das atividades de colocação com ou sem garantia ou de receção e transmissão de ordens por conta de outrem e, ainda, outras entidades autorizadas pela CMVM. A relação entre a sociedade gestora e a entidade comercializadora rege-se por contrato escrito, estando a sociedade gestora obrigada a prestar informação sobre o OIC às respetivas entidades comercializadoras. Na comercialização, a sociedade gestora pode ser representada por agente vinculado.

A entidade comercializadora é responsável pela recolha das ordens de subscrição e de resgate das unidades de participação, devendo, para o efeito, prestar aos investidores a informação sobre o OIC transmitida pela sociedade gestora.

A pré-comercialização é essencialmente uma forma de sondagem de mercado para aferir o interesse de investidores profissionais no investimento num OIA que ainda não está constituído ou não foi notificado para comercialização. A legislação da União Europeia enquadra a figura no âmbito da atividade transfronteiriça, mas o conceito pode igualmente ser aplicável em contexto meramente nacional. Por isso, o RGA amplia o âmbito da figura da pré-comercialização de OIA junto de investidores profissionais, permitindo que as sociedades gestoras nacionais também o possam fazer em Portugal.

A comercialização transfronteiriça de OICVM opera através do procedimento de notificação prévia à autoridade de supervisão do respetivo Estado-Membro de origem, a qual, por sua vez, comunica essa informação às autoridades de supervisão dos Estados-Membros de acolhimento em que se pretende comercializar o OICVM. A comercialização pode cessar por iniciativa da sociedade gestora, mediante o cumprimento de requisitos, que incluem a apresentação de uma oferta ao público de recompra ou resgate, a divulgação de informação sobre a intenção de cessação da comercialização e a alteração ou revogação de contratos celebrados para efeitos de comercialização, de modo a cessar qualquer oferta a partir da data pretendida de cessação.

A comercialização transfronteiriça de OIA abrange a comercialização de OIA estabelecidos na União Europeia e ainda de OIA estabelecidos em país terceiro.

Os OICVM dispõem de um quadro regulatório dotado de uma elevada harmonização no direito da União Europeia. Essa harmonização é nomeadamente evidenciada pelos requisitos de composição do património, em particular os limites à exposição em ativos. Os limiares quantitativos aplicáveis aos OICVM são regulamentados em anexos ao RGA. Os OICVM podem ser autorizados a investir, pelo menos, 85 /prct. do seu valor líquido global noutro OICVM no âmbito de estruturas de tipo principal e de alimentação. Os primeiros correspondem aos OICVM que recebem investimento de outro OICVM, de alimentação. Os segundos são os OICVM que recolhem capital do público para aplicação indireta noutro OICVM (o organismo principal). Esta forma de investimento indireto significativo pelo OICVM de alimentação, ultrapassando os limiares admitidos aos OICVM, justifica-se pelo facto de este OICVM alocar o seu valor líquido global no OICVM principal, organismo que observa o princípio da diversificação e repartição de risco aplicável aos OICVM. Estas estruturas estão sujeitas a requisitos adicionais, tendo em vista a proteção dos investidores do OICVM de alimentação.

Os OIA são OIC que não se qualifiquem como OICVM. O RGA regula especificamente a atividade de quatro tipos de OIA, incluindo um tipo residual e aberto, para além de estabelecer as regras gerais aplicáveis a qualquer organismo desta natureza. Os OIA passam a poder emitir obrigações, aplicando-se o Código das Sociedades Comerciais, com adaptações, nomeadamente a sujeição aos limites de endividamento previstos no RGA.

O RGA admite o diferimento da obrigação de entrada nos OIA fechados. Assim, sem prejuízo dos prazos fixados nos documentos constitutivos, o participante só entra em mora com a interpelação da sociedade gestora, fixando um prazo para o cumprimento da obrigação de entrada. Durante esse período, o participante não pode receber rendimentos, nem participar nas reuniões da assembleia de participantes.

A convocação, funcionamento e deliberações da assembleia de participantes de OIA fechado regem-se pelo disposto no Código das Sociedades Comerciais, com exceção das normas incompatíveis e das matérias especificamente reguladas no RGA. Opta-se, nomeadamente, por não manter as normas especiais, previstas no RJCRESIE, relativas à convocação da assembleia de participantes, considerando-se que a aplicação adaptada do disposto no Código das Sociedades Comerciais para as sociedades anónimas é a solução mais adequada para regular o processo de deliberação dos participantes. O regulamento de gestão pode ser alterado por iniciativa da sociedade gestora, bem como dos participantes, se aquele documento constitutivo o estabelecer.

O capital dos OIA fechados pode ser aumentado e/ou reduzido. Os participantes dispõem de direito de preferência na subscrição do aumento de capital, salvo previsão diversa nos documentos constitutivos.

A duração do OIA fechado pode ser prorrogada por decisão dos participantes. Deixa de ser estabelecido o período máximo de duração do organismo, podendo a mesma ser prorrogada por prazo superior ao período inicial. Os OIA de duração determinada podem ainda converter-se em OIA de duração indeterminada. Os participantes que votem contra a deliberação de prorrogação ou de conversão têm o direito a resgatar as suas unidades de participação.

Os OIA imobiliários têm como objeto o investimento em ativos imobiliários. O RGA alarga o catálogo de ativos imobiliários passíveis de investimento por estes organismos, incluindo ativos que, ao abrigo do RGOIC, só eram elegíveis para os organismos especiais de investimento imobiliário, subtipo que não se mantém no RGA. Os OIA imobiliários podem investir em prédios rústicos e mistos e desenvolver projetos de construção e de reabilitação de imóveis para arrendamento, exploração onerosa ou revenda, independentemente da sua natureza aberta ou fechada. Os OIA imobiliários podem, em determinadas condições, adquirir participações em sociedades imobiliárias, sendo os respetivos requisitos mantidos na sua essência. Os OIA imobiliários abertos podem adquirir participações em sociedades imobiliárias que não tenham ações admitidas à negociação, desde que adquiram a totalidade do capital e a sociedade esteja sujeita a uma fiscalização externa idêntica e equivalente ao organismo. Os OIA imobiliários podem ainda adquirir unidades de participação de outros OIA imobiliários desde que esse OIA seja aberto ou tenha as suas unidades de participação admitidas à negociação em mercado regulamentado ou em sistema de negociação multilateral.

Os OIA de capital de risco mantêm a sua autonomização e objeto essencial. Sendo, por natureza, uma tipologia de organismo de investimento que tem por finalidade investir em sociedades com elevado potencial de desenvolvimento, como forma de beneficiar da respetiva valorização, o RGA prevê um período referência de 12 anos para a detenção do investimento. Porém, os documentos constitutivos do OIA de capital de risco podem definir expressamente um período de detenção superior.

Atenta a especificidade desta tipologia de OIC, a sociedade gestora de OIA de capital de risco pode ainda desenvolver, a título acessório, um conjunto de atividades de apoio e suporte à atividade destes organismos, incluindo a prestação de serviços de consultoria e assistência relativamente às sociedades participadas, a realização de estudos ou serviços de prospeção.

Os OIA de capital de risco podem investir em instrumentos de capital próprio, alheio ou híbridos, bem como investir noutros OIA de capital de risco. Mantém-se a opção de apenas admitir o investimento noutros OIC com o mesmo objeto, não podendo o total de investimento em OIA de capital risco exceder 33 /prct. do seu ativo. Os OIA de capital de risco também não podem investir mais de 33 /prct. do valor de investimento disponível numa sociedade ou grupo de sociedades, nem podem investir em sociedades em relação de domínio ou de grupo com a sociedade gestora.

De forma a distinguir a natureza do investimento do OIA de capital de risco relativamente a outros OIC, o RGA exige que qualquer investimento em valores mobiliários admitidos à negociação atinja, pelo menos, uma percentagem mínima de investimento de 10 /prct. das ações nas sociedades em que participem, assim garantindo uma influência relevante na gestão das participadas.

Os OIA de créditos foram introduzidos na legislação nacional pelo Decreto-Lei n.º 144/2019, de 23 de setembro, tendo em vista a dinamização do mercado de capitais e a diversificação das fontes de financiamento das empresas. Esta tipologia de OIA supre uma lacuna de mercado na procura e oferta de financiamento, melhorando a complementaridade entre o setor bancário e os setores do capital de risco e da titularização de créditos. Os OIA de créditos são uma forma alternativa de concessão de crédito às empresas, aumentando a concorrência e as possibilidades de obterem condições de financiamento mais atrativas e adequadas. Os OIA de créditos mantêm o seu objeto, não podendo conceder crédito a pessoas singulares e a um conjunto de entidades. Estes OIA podem ser geridos por qualquer sociedade gestora, incluindo de pequena dimensão. É igualmente previsto o regime aplicável à concessão de crédito pelos OIA de créditos, sendo aplicável o regime da concessão de crédito bancário consoante o tipo de operação, nomeadamente em matéria de informação sobre juros. Na relação com os mutuários, a sociedade gestora observa os deveres de informação dos intermediários financeiros, com as necessárias adaptações, nomeadamente sobre os riscos especiais das operações a efetuar e os custos do serviço. Para mitigar o risco de crédito, prevê-se que estes OIA possam participar na central de responsabilidades de crédito.

Os OIC podem ser objeto de fusão, cisão e transformação. Estas operações estão sujeitas a diferentes tipos de controlo administrativo em função do risco e do tipo de OIC. Assim, estão sujeitas a comunicação prévia à CMVM, se a operação envolver exclusivamente OIA de subscrição particular, a comunicação subsequente à CMVM, se a operação envolver exclusivamente OIA exclusivamente dirigidos a investidores profissionais, ou a autorização prévia da CMVM, nos restantes casos.

A fusão, cisão e transformação de OIC têm limites em função da natureza ou do país do estabelecimento dos organismos envolvidos. Os OICVM não podem, por fusão, cisão ou transformação, modificar a sua natureza para OIA. Os OIA constituídos em Portugal não podem fundir-se com OIA constituídos noutros Estados.

O processo de fusão de OICVM decorre da Diretiva 2009/65/CE, que regula, em particular, a fusão transfronteiriça. A fusão de OIA observa as disposições da fusão de OICVM, com as necessárias adaptações. O RGA regula os elementos essenciais do procedimento de cisão e de transformação de OIC, sendo a sua concretização desenvolvida por regulamento, atendendo à natureza técnica dos elementos.

As sociedades gestoras também podem ser objeto de fusão, cisão ou de conversão. A fusão e cisão de uma sociedade gestora estão sujeitas a autorização da CMVM. A sociedade gestora pode ainda converter-se noutro tipo previsto no RGA, mediante comunicação prévia à CMVM, se o âmbito da atividade for permitido ao tipo no qual se pretende converter ou, não o sendo, mediante autorização da CMVM.

Os OIC e as sociedades gestoras podem descontinuar a sua atividade, regulando-se a forma e procedimento dessa cessação. Os OIC podem ser objeto de liquidação extrajudicial ou judicial. São liquidados extrajudicialmente quando se dissolvam pelo decurso do prazo, por decisão da sociedade gestora, deliberação dos participantes de OIA fechados ou, no caso das sociedades de investimento coletivo, nos termos do contrato de sociedade. A sociedade gestora é, por regra, o liquidatário, devendo o procedimento ser concluído no prazo de 15 dias, no caso de OICVM, e no prazo de 1 ano para os demais OIC. Estes prazos só podem ser prorrogados, por decisão da CMVM, quando o liquidatário não seja a sociedade gestora. Por razões de certeza e segurança jurídicas, o RGA não admite a reversão da liquidação de qualquer OIC.

Para além da situação de insolvência, os OIC são liquidados judicialmente em caso de revogação da sua autorização ou da impossibilidade de substituição da sociedade gestora, sendo a mesma promovida pela CMVM. A liquidação judicial de OIC rege-se, em geral, pelo disposto no Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 53/2004, de 18 de março, com as especificidades previstas no RGA. O depositário, atenta a sua função, tem legitimidade para requerer a declaração de insolvência do OIC. A liquidação judicial dos OIC, com base nas demais situações, é promovida pela CMVM, que pode propor os liquidatários ao tribunal.

As sociedades gestoras podem ser dissolvidas voluntariamente ou ser objeto de liquidação judicial quando não cessem o exercício da atividade objeto de renúncia ou de revogação da autorização. Neste caso, o procedimento é promovido pela CMVM. Na liquidação por insolvência da sociedade gestora, o administrador da insolvência está obrigado a promover a substituição da sociedade gestora relativamente aos OIC sob gestão, podendo a CMVM promover a sua substituição em caso de incumprimento desse dever. Quando não seja possível a substituição da sociedade gestora, a CMVM declara a impossibilidade de substituição e ordena a liquidação daqueles OIC. O tribunal pode designar, sob proposta da CMVM, pessoas que coadjuvem o administrador de insolvência, devendo dispor de idoneidade e experiência. Por fim, é previsto o procedimento de liquidação judicial da sociedade gestora em caso de incumprimento do dever de cessação da atividade, aplicando-se, de forma adaptada, o procedimento judicial previsto para a liquidação de OIC.

A CMVM é a entidade administrativa independente responsável pela supervisão dos OIC, bem como das sociedades gestoras constituídas em Portugal, tanto em matéria prudencial, como comportamental. Para o efeito, a CMVM dispõe dos poderes previstos no RGA e ainda dos poderes e prerrogativas previstas no Código dos Valores Mobiliários, em particular, os poderes de supervisão prudencial. A CMVM dispõe ainda de poderes de regulamentação, podendo, assim, regulamentar o disposto no RGA. No âmbito da atividade administrativa, o RGA procede a uma significativa simplificação, de acordo com princípios de risco, necessidade, eficiência e celeridade, reduzindo prazos de decisão administrativa, substituindo procedimentos de autorização por comunicações, com ou sem possibilidade de oposição da CMVM, e eliminando procedimentos e atos administrativos.

O regime sancionatório relativo à atividade dos OIC é integrado no Código dos Valores Mobiliários, assim garantindo maior proximidade e ligação com o regime sancionatório contraordenacional de referência do setor dos mercados financeiros. Para o efeito, é aditada a conexão normativa e material referente a OIC ao regime sancionatório contraordenacional do Código dos Valores Mobiliários, garantindo a cobertura sancionatória dos deveres previstos no RGA e noutra legislação nacional ou da União Europeia, de acordo com a técnica legislativa adotada no Código dos Valores Mobiliários. As normas de sanção relativas a OIC são tipificadas no referido código de acordo com os níveis de graduação de ilícitos nele previstos. A graduação proposta tem necessariamente em conta as exigências do direito da União Europeia, bem como a unidade e coerência do direito nacional.

Foi ouvida a Associação Portuguesa de Capital de Risco, a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios, o Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Assim:

No uso da autorização legislativa concedida pela Lei n.º 4/2023, de 16 de janeiro, e nos termos das alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

Artigo 1.ºObjeto

1 - O presente decreto-lei transpõe para a ordem jurídica interna:

a)A Diretiva 2009/65/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de julho de 2009, que coordena as disposições legislativas, regulamentares e administrativas respeitantes a alguns organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (OICVM), na sua redação atual;
b)A Diretiva 2007/36/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de julho de 2007, no que se refere aos incentivos ao envolvimento dos acionistas a longo prazo, na sua redação atual;
c)A Diretiva 2010/42/UE, da Comissão, de 1 de julho de 2010, que aplica a Diretiva 2009/65/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, no que respeita a certas disposições relativas a fusões de fundos, estruturas de tipo principal/de alimentação e procedimentos de notificação;
d)A Diretiva 2010/43/UE, da Comissão, de 1 de julho de 2010, que aplica a Diretiva 2009/65/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, no que diz respeito aos requisitos organizativos, aos conflitos de interesse, ao exercício da atividade, à gestão de riscos e ao conteúdo do acordo celebrado entre o depositário e a sociedade gestora, na sua redação atual;
e)A Diretiva 2011/61/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 8 de junho de 2011, relativa aos gestores de fundos de investimento alternativos e que altera as Diretivas 2003/41/CE e 2009/65/CE e os Regulamentos (CE) 1060/2009 e (UE) 1095/2010, na sua redação atual.

2 - O presente decreto-lei assegura ainda a execução na ordem jurídica interna:

a)Do Regulamento (UE) 345/2013, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de abril, relativo aos fundos europeus de capital de risco [Regulamento (UE) 345/2013];
b)Do Regulamento (UE) 346/2013, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de abril, relativo aos fundos europeus de empreendedorismo social [Regulamento (UE) 346/2013];
c)Do Regulamento (UE) 2015/760, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de abril, relativo aos fundos europeus de investimento de longo prazo [Regulamento (UE) 2015/760];
d)Do Regulamento (UE) 2017/1131, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 14 de junho, relativo aos fundos do mercado monetário [Regulamento (UE) 2017/1131].

3 - O presente decreto-lei procede ainda à:

a)Quadragésima quarta alteração ao Código dos Valores Mobiliários, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 486/99, de 13 de novembro , na sua redação atual;
b)Segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 204/2008, de 14 de outubro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 47/2019, de 11 de abril.

Artigo 2.ºAprovação do regime da gestão de ativos

É aprovado, em anexo ao presente decreto-lei e do qual faz parte integrante, o regime da gestão de ativos (RGA).

Artigo 3.ºAlteração ao Código dos Valores Mobiliários

Os artigos 1.º, 2.º, 8.º, 20.º, 26.º-H, 30.º, 63.º, 289.º, 305.º, 359.º, 363.º, 388.º, 400.º, 404.º e 422.º-A do Código dos Valores Mobiliários passam a ter a seguinte redação: «Artigo 1.º [...] 1 - (Anterior proémio do corpo do artigo.)

a)[Anterior alínea a) do corpo do artigo.]
b)[Anterior alínea b) do corpo do artigo.]
c)[Anterior alínea c) do corpo do artigo.]
d)As unidades de participação em organismos de investimento coletivo;
e)[Anterior alínea e) do corpo do artigo.]
f)[Anterior alínea f) do corpo do artigo.]
g)[Anterior alínea g) do corpo do artigo.] 2 - [Anterior n.º 2 do corpo do artigo.]

Artigo 2.º[...]

1 - [...] 2 - [...] 3 - [...] 4 - [...] 5 - [...] 6 - [...] 7 - Sempre que estejam em causa unidades de participação, as referências feitas no presente Código ao emitente respeitam à sociedade gestora do organismo de investimento coletivo.

8 - As referências feitas no presente Código a unidades de participação abrangem as ações de sociedades de investimento coletivo, salvo se o contrário resultar da própria disposição.

Artigo 8.º[...]

1 - [...]

a)[...]
b)[...]
c)Respeitem a organismos de investimento coletivo.

2 - [...] 3 - [...] 4 - [...]

Artigo 20.º[...]

1 - [...] 2 - [...] 3 - Não se consideram imputáveis à sociedade que exerça domínio sobre sociedade gestora de organismo de investimento coletivo, sobre sociedade de capital de risco, sobre entidade gestora de fundo de pensões ou sobre intermediário financeiro autorizado a prestar o serviço de gestão de carteiras por conta de outrem e às sociedades associadas de fundos de pensões os direitos de voto inerentes a ações integrantes de fundos ou carteiras geridas, desde que a sociedade gestora ou o intermediário financeiro exerça os direitos de voto de modo independente da sociedade dominante ou das sociedades associadas.

4 - [...] 5 - [...] 6 - [...] 7 - [...]

Artigo 26.ºH

[...] (Anterior proémio do corpo do artigo.)

a)[Anterior alínea a) do corpo do artigo.]
b)'Gestor de ativos', o intermediário financeiro sujeito a lei pessoal portuguesa que preste o serviço de gestão de carteiras, as sociedades gestoras e as sociedades de investimento coletivo autogeridas, salvo as de pequena dimensão;
c)[Anterior alínea c) do corpo do artigo.]

Artigo 30.º[...]

1 - [...]

a)[...]
b)[...]
c)[...]
d)Organismos de investimento coletivo e respetivas sociedades gestoras;
e)[...]
f)Outras instituições financeiras autorizadas ou reguladas, designadamente entidades com objeto específico de titularização, respetivas sociedades gestoras, se aplicável, e demais sociedades financeiras previstas na lei;
g)[...]
h)[...]
i)[...]
j)[...]
k)[...] 2 - [...] 3 - [...] 4 - [...] 5 - [...]

Artigo 63.º[...]

1 - [...]

a)[...]
b)[...]
c)[...]
d)As unidades de participação em organismo de investimento coletivo.

2 - O intermediário financeiro registador é indicado pelo emitente ou pela sociedade gestora, que suportam os custos da eventual mudança de entidade registadora.

3 - [...] 4 - [...]

Artigo 289.º[...]

1 - [...]

a)[...]
b)[...]
c)[...]
d)O exercício das funções de depositário de organismo de investimento coletivo.

2 - [...] 3 - [...] 4 - [...] 5 - [...] 6 - [...] 7 - [...] 8 - [...] 9 - [...] 10 - [...]

Artigo 305.º[...]

1 - [...] 2 - [...] 3 - [...] 4 - [...]

a)[...]
b)[...]
c)[...]
d)[...]
e)Geridos por sociedade gestora de organismo de investimento coletivo ou sociedade de capital de risco que tenham com o intermediário financeiro uma das relações previstas nas alíneas anteriores.

Artigo 359.º[...]

1 - [...]

a)[...]
b)Intermediários financeiros, sociedades gestoras de organismos de investimento coletivo, sociedades de capital de risco e consultores para investimento;
c)[...]
d)[...]
e)[...]
f)[...]
g)[...]
h)[...]
i)[...]
j)[...]
k)[...]
l)[...]
m)[...]
n)[...]
o)Sociedades de investimento coletivo;
p)(Revogada.)
q)[...]
r)[...]
s)[...] 2 - [...] 3 - [...] 4 - [...] 5 - [...]

Artigo 363.º[...]

1 - [...]

a)[...]
b)Os organismos de investimento coletivo;
c)[...]
d)As sociedades gestoras de organismos de investimento coletivo, as sociedades de capital de risco, as sociedades gestoras de fundos de titularização de créditos e as sociedades de titularização de créditos;
e)(Revogada.) 2 - [...] 3 - [...] 4 - [...] 5 - [...] 6 - [...]

Artigo 388.º[...]

1 - [...] 2 - [...] 3 - [...]

a)Instrumentos financeiros, ofertas públicas relativas a valores mobiliários, formas organizadas de negociação de instrumentos financeiros, sistemas de liquidação e compensação, contraparte central, intermediação financeira, titularização de créditos, notação de risco, elaboração, administração e utilização de índices de referência e fornecimento de dados de cálculo para os mesmos e regime da informação e de publicidade relativa a qualquer destas matérias;
b)[...]
c)[...]
d)Organismos de investimento coletivo;
e)[Anterior alínea d).] 4 - [...] 5 - [...] 6 - [...] 7 - [...]

Artigo 400.º[...]

(Anterior proémio do corpo do artigo.)

a)[Anterior alínea a) do corpo do artigo.]
b)[Anterior alínea b) do corpo do artigo.]
c)[Anterior alínea c) do corpo do artigo.]
d)[Anterior alínea d) do corpo do artigo.]
e)[Anterior alínea e) do corpo do artigo.]
f)[Anterior alínea f) do corpo do artigo.]
g)[Anterior alínea g) do corpo do artigo.]
h)[Anterior alínea h) do corpo do artigo.]
i)Contraordenação grave, quando se trate de violação de deveres relativos aos organismos de investimento coletivo.

Artigo 404.º[...]

1 - [...]

a)[...]
b)[...]
c)[...]
d)[...]
e)[...]
f)[...]
g)[...]
h)Suspensão do exercício do direito de voto atribuído aos titulares de participações sociais em entidades sujeitas à supervisão prudencial da CMVM.

2 - As sanções acessórias referidas no número anterior não podem ter duração, contada a partir da decisão condenatória definitiva, superior:

a)A cinco anos nos casos das sanções previstas nas alíneas b), c) e h);
b)A 12 meses, no caso da sanção prevista na alínea f).

3 - [...] 4 - [...] 5 - [...] 6 - No caso de aplicação de sanção acessória prevista na alínea h) do n.º 1, a CMVM ou o tribunal comunicam a condenação à assembleia geral da entidade sujeita à supervisão prudencial da CMVM.

Artigo 422.ºA

[...] 1 - A CMVM comunica à Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados as decisões objeto de publicação, nos termos do artigo anterior, relativas a:

a)Condenações por contraordenações respeitantes ao regime do abuso de mercado;
b)Condenações por contraordenações relativas a organismos de investimento coletivo;
c)Condenações pela prática de crimes contra o mercado.

2 - (Revogado.) 3 - A CMVM comunica anualmente à Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados informação agregada sobre:

a)As sanções aplicadas pela prática de crimes contra o mercado e de contraordenações respeitantes ao regime do abuso de mercado, bem como informação agregada e sem a identidade dos visados relativamente às averiguações e investigações efetuadas nesses âmbitos;
b)As sanções aplicadas pela prática de contraordenações relativas a organismos de investimento coletivo.

4 - (Revogado.) 5 - [...]»

Artigo 4.ºAlteração ao Decreto-Lei n.º 204/2008, de 14 de outubro

O artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 204/2008, de 14 de outubro, passa a ter a seguinte redação: «Artigo 2.º [...] 1 - São entidades participantes:

a)Entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal que concedam crédito;
b)Sucursais de instituições de crédito com sede no estrangeiro e atividade em Portugal;
c)Organismos de investimento alternativo de créditos constituídos em Portugal; e
d)Outras entidades designadas pelo Banco de Portugal que, de algum modo, exerçam funções de crédito ou atividade com este diretamente relacionada.

2 - [...] 3 - [...] 4 - [...] 5 - [...] 6 - Sempre que sejam constituídos deveres ou imputadas atuações aos organismos de investimento coletivo referidos na alínea c) do n.º 1, na qualidade de entidade participante, deve entender-se como sujeito do dever ou objeto de imputação a respetiva sociedade gestora, salvo se outro sentido resultar da norma em causa ou da natureza da entidade.»

Artigo 5.ºAditamento ao Código dos Valores Mobiliários

É aditado ao Código dos Valores Mobiliários o artigo 397.º-B, com a seguinte redação: «Artigo 397.º-B Organismos de investimento coletivo 1 - Constitui contraordenação muito grave, no âmbito da gestão, depósito ou comercialização de organismos de investimento coletivo, a realização de atos ou o exercício de atividades sem a autorização, sem o registo ou outros factos permissivos devidos, ou fora do âmbito que resulta da autorização, do registo ou desses factos.

2 - Constitui contraordenação muito grave:

a)A inobservância dos níveis de capital inicial mínimo ou de fundos próprios;
b)A inobservância das regras relativas à elegibilidade dos ativos das carteiras dos organismos de investimento coletivo;
c)O incumprimento dos limites ao investimento ou ao endividamento por organismo de investimento coletivo;
d)O incumprimento das regras relativas à gestão de riscos;
e)A inobservância das regras relativas à avaliação dos ativos;
f)O incumprimento das regras sobre autonomia patrimonial ou relativas à segregação patrimonial dos organismos de investimento coletivo;
g)O incumprimento das regras relativas à guarda de ativos;
h)O incumprimento das regras relativas à reutilização de ativos.

3 - Constitui contraordenação muito grave:

a)A falta de atuação de modo independente ou no exclusivo interesse dos participantes;
b)O tratamento não equitativo, não profissional ou discriminatório dos participantes;
c)A omissão de pagamento de valores devidos aos participantes relativos ao resgate, ao reembolso ou à distribuição de rendimentos;
d)O incumprimento de deveres perante os participantes;
e)A resolução de situações de conflitos de interesses de modo não equitativo ou discriminatório;
f)O incumprimento de demais regras relativas a conflitos de interesses;
g)A inobservância das regras relativas à execução, tratamento ou registo de operações;
h)A inobservância das regras relativas à transmissão, agregação ou afetação de ordens;
i)A cobrança indevida de custos ao organismo de investimento coletivo ou aos participantes;
j)A inobservância das regras relativas aos compartimentos patrimoniais ou às categorias de unidades de participação;
k)A prática de atos sem a aprovação prévia da assembleia de participantes.

4 - Constitui contraordenação muito grave:

a)A obtenção de autorizações com base em falsas declarações ou meio irregular;
b)O incumprimento de deveres previstos nos documentos constitutivos;
c)A omissão de adoção de políticas ou procedimentos de sanação de irregularidades internas suscetíveis de afetar a estabilidade ou a integridade do mercado;
d)A subcontratação de funções de sociedade gestora ou depositário fora dos casos admitidos;
e)A omissão de elaboração, a elaboração defeituosa ou a omissão de comunicação do relatório e contas dos organismos de investimento coletivo sob gestão;
f)A realização de alterações estatutárias de sociedade gestora sem observância do respetivo procedimento legal;
g)A realização de operações de fusão ou cisão que envolvam sociedades gestoras sem autorização da CMVM;
h)O incumprimento de medidas corretivas adotadas pela CMVM, transmitidas por escrito aos seus destinatários;
i)O exercício das funções de membro de órgão de administração ou fiscalização de sociedade gestora ou sociedade de investimento coletivo, em violação de proibição legal, de medida adotada pela CMVM e transmitida por escrito ao seu destinatário ou com oposição expressa da CMVM;
j)A aquisição de participação qualificada em sociedade gestora com oposição expressa da CMVM, antes da não oposição ou de decorrido o prazo para oposição;
k)O incumprimento do dever de notificação prévia de aquisição, reforço, diminuição ou alienação de participação qualificada em sociedade gestora.

5 - Constitui contraordenação grave:

a)O uso de denominação ou designação reservada sem obtenção de autorização ou verificação de facto permissivo;
b)A violação das regras relativas ao idioma;
c)A violação do dever de conservação e de registo;
d)A realização de ações publicitárias sem a observância dos requisitos exigidos;
e)A violação do dever de alteração da firma e do objeto social da sociedade gestora em caso de revogação da autorização.»

Artigo 6.ºDesignação

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) é designada a autoridade competente para supervisionar, fiscalizar e aplicar o disposto no:

a)Regulamento (UE) 345/2013;
b)Regulamento (UE) 346/2013;
c)Regulamento (UE) 2015/760; e
d)Regulamento (UE) 2017/1131.

Artigo 7.ºDireito transitório

1 - As entidades gestoras de organismos de investimento coletivo e os organismos de investimento coletivo abrangidos pelo Regime Geral dos Organismos de Investimento Coletivo, aprovado em anexo à Lei n.º 16/2015, de 24 de fevereiro, na sua redação atual (RGOIC), e pelo Regime Jurídico do Capital de Risco, Empreendedorismo Social e Investimento Especializado, aprovado em anexo à Lei n.º 18/2015, de 4 de março, na sua redação atual (RJCRESIE), dispõem de um prazo de 180 dias após a data da entrada em vigor do presente decreto-lei para se adaptar ao disposto no RGA.

2 - Os pedidos de autorização ou registo para início de atividade e para constituição de organismo de investimento coletivo pendentes à data da entrada em vigor do presente decreto-lei ficam sujeitos ao disposto no RGA, sendo convertidos nos correspondentes procedimentos, quando aplicável, e iniciando-se a contagem de novos prazos de decisão.

3 - Quando o RGA preveja a comunicação de factos antes sujeitos a autorização ou a registo, nos termos do RGOIC ou do RJCRESIE, extinguem-se os procedimentos pendentes à data da entrada em vigor do presente decreto-lei, contando-se o prazo:

a)De oposição pela CMVM desde a data de entrada em vigor do RGA;
b)De comunicação nos termos do RGA, no caso de comunicações subsequentes.

4 - Às comunicações com possibilidade de dedução de oposição pela CMVM, nos termos dos regimes referidos no n.º 1, que se mantenham no RGA e em que o prazo para a dedução de oposição se encontre em curso à data da entrada em vigor do presente decreto-lei, aplicam-se os prazos previstos no regime anterior.

5 - Os procedimentos pendentes de prorrogação do prazo para liquidação de organismo de investimento coletivo ou de reversão da liquidação de organismo de investimento coletivo alternativo de subscrição particular prosseguem os seus termos à luz do regime anterior.

6 - As sociedades gestoras de organismos de investimento coletivo e os organismos de investimento alternativo autogeridos, que detenham ativos sob gestão em montante inferior aos limiares previstos no n.º 1 do artigo 7.º do RGA, e que se encontrem já autorizadas para o exercício da atividade ao abrigo dos regimes referidos no n.º 1 à data da entrada em vigor do presente decreto-lei, são qualificados como sociedades gestoras de pequena dimensão, caso não comuniquem à CMVM, num prazo de 90 dias a contar da data da entrada em vigor do presente decreto-lei, a sua intenção de ser qualificados como sociedades gestoras de grande dimensão.

7 - Com a comunicação prevista no número anterior as entidades nele referidas são automaticamente qualificadas como sociedades gestoras de grande dimensão.

8 - Quando, para efeitos de adaptação ao RGA, a alteração de firma se limite à substituição da atual designação por qualquer das expressões referidas nos n.os 2 e 3 do artigo 8.º do referido regime, a referida alteração está sujeita a comunicação à CMVM no prazo de 90 dias após a data da entrada em vigor do presente decreto-lei.

9 - Os atos relativos à admissibilidade de firma e ao registo comercial e as publicações efetuadas ao abrigo do número anterior ficam dispensados do pagamento de emolumentos.

10 - Os fundos de investimento abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 316/93, de 21 de setembro, adaptam-se ao disposto no RGA no prazo de um ano após a data da entrada em vigor do presente decreto-lei.

11 - Os fundos constituídos ao abrigo dos Decretos-Leis n.os 361/97, de 20 de dezembro, e 187/2002, de 21 de agosto, na sua redação atual, descontinuam a sua atividade no prazo de um ano após a entrada em vigor do presente decreto-lei, sem prejuízo da possibilidade de conversão em organismos de investimento coletivo disciplinados pelo RGA nesse mesmo prazo.

12 - Quando os Planos de Poupança Reforma assumam a forma de organismo de investimento alternativo e a proteção dos investidores o justifique, a CMVM pode regulamentar, até ao fim de 2024, a elaboração e o conteúdo de documento pré-contratual específico.

13 - Os regulamentos da CMVM adotados ao abrigo do RGOIC e do RJCRESIE mantêm-se em vigor até à sua substituição, alteração ou revogação expressa, na medida em que sejam compatíveis com o disposto no RGA.

14 - O artigo 160.º do RGA cessa a sua vigência na data fixada nos termos do ato delegado a ser adotado pela Comissão nos termos do n.º 6 do artigo 68.º da Diretiva 2011/61/UE, passando, a partir desse momento, a vigorar o disposto nos artigos 157.º e 158.º do RGA.

Artigo 8.ºRemissões e referências

As remissões e referências feitas em legislação avulsa ao RGOIC e ao RJCRESIE consideram-se efetuadas para as correspondentes disposições do RGA.

Artigo 9.ºNorma revogatória

São revogados:

a)O RGOIC;
b)O RJCRESIE;
c)A alínea p) do n.º 1 do artigo 359.º, a alínea e) do n.º 1 do artigo 363.º e os n.os 2 e 4 do artigo 422.º-A do Código dos Valores Mobiliários ;
d)O Decreto-Lei n.º 316/93, de 21 de setembro;
e)O Decreto-Lei n.º 361/97, de 20 de dezembro;
f)O Decreto-Lei n.º 187/2002, de 21 de agosto.

Artigo 10.ºEntrada em vigor

1 - O presente decreto-lei entra em vigor 30 dias após a sua publicação.

2 - O disposto no artigo 266.º do RGA entra em vigor no dia seguinte ao da publicação do presente decreto-lei.

3 - Na data fixada pelo ato delegado a ser adotado pela Comissão Europeia nos termos do n.º 6 do artigo 67.º da Diretiva 2011/61/UE entra em vigor o disposto no RGA relativamente a:

a)Autorização e supervisão de sociedades gestoras de países terceiros;
b)Comercialização de organismos de investimento alternativo de países terceiros na União Europeia, por sociedades gestoras nacionais e da União Europeia;
c)Comercialização de organismos de investimento alternativo da União Europeia e de países terceiros na União Europeia por sociedades gestoras de países terceiros autorizadas em Portugal; e
d)Gestão de organismos de investimento alternativo da União Europeia em Estado-Membro diferente do Estado-Membro de referência por sociedade gestora de país terceiro autorizada em Portugal.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 16 de março de 2023. - António Luís Santos da Costa - Fernando Medina Maciel Almeida Correia.

Promulgado em 18 de abril de 2023.

Publique-se.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Referendado em 20 de abril de 2023.

O Primeiro-Ministro, António Luís Santos da Costa.

ANEXO (a que se refere o artigo 2.º) REGIME DA GESTÃO DE ATIVOS

TÍTULO I

Disposições gerais

CAPÍTULO I

Âmbito

Artigo 1.ºÂmbito de aplicação

1 - O presente regime regula os organismos de investimento coletivo.

2 - O regime de atividade e comercialização a nível da União Europeia não se aplica à sociedade gestora que gere exclusivamente organismos de investimento coletivo cujos únicos participantes sejam a própria gestora ou as suas empresas-mãe, as suas filiais ou outras filiais das respetivas empresas-mãe, bem como ao organismo de investimento coletivo nessa situação, desde que nenhum dos participantes seja um organismo de investimento coletivo.

Artigo 2.ºOrganismo de investimento colectivo

Os organismos de investimento coletivo são instituições, dotadas ou não de personalidade jurídica, que têm como fim o investimento coletivo de capitais obtidos junto de investidores de acordo com uma política de investimento previamente estabelecida.

Artigo 3.ºForma dos organismos de investimento

Os organismos de investimento coletivo, consoante tenham ou não personalidade jurídica, assumem a forma:

a)Societária, de sociedade de investimento coletivo; ou
b)Contratual, de fundo de investimento.

Artigo 4.ºOrganismos de investimento coletivo abertos e fechados

1 - Os organismos de investimento coletivo são abertos ou fechados, consoante as suas unidades de participação sejam emitidas, respetivamente, em número variável ou fixo.

2 - As sociedades de investimento coletivo são sociedades de capital variável ou fixo, consoante sejam organismos de investimento coletivo abertos ou fechados.

3 - As unidades de participação de organismo de investimento coletivo aberto são emitidas e podem ser resgatadas a pedido dos participantes, de acordo com o estabelecido nos documentos constitutivos.

4 - As unidades de participação de organismo de investimento coletivo fechado não podem ser resgatadas, salvo nos casos previstos na lei ou regulamento.

Artigo 5.ºTipos de organismos de investimento colectivo

1 - Os organismos de investimento coletivo adotam um dos seguintes tipos:

a)Organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (OICVM), que são organismos abertos:
i)Cujo objeto exclusivo é o investimento coletivo de capitais obtidos junto do público em valores mobiliários ou outros ativos financeiros líquidos referidos no capítulo ii do título iv e que cumpram os limites ali previstos; e
ii)Cujas unidades de participação são, a pedido dos seus titulares, resgatadas ou readquiridas, direta ou indiretamente, a cargo dos organismos, podendo ser recusados os pedidos desde que as unidades de participação sejam negociadas em mercado regulamentado ou em sistemas de negociação multilateral e a sua cotação não se afaste significativamente do seu valor patrimonial líquido;
b)Organismos de investimento alternativo (OIA) que correspondem aos organismos de investimento coletivo não previstos na alínea anterior, incluindo os referidos no n.º 1 do artigo 208.º, bem como outros que se rejam por legislação nacional especial.

2 - Os organismos de investimento coletivo previstos e regulados em legislação da União Europeia enquadram-se, consoante os casos, num dos tipos previstos no número anterior.

Artigo 6.ºSociedades gestoras

1 - São sociedades gestoras as entidades cuja atividade habitual é a gestão de organismos de investimento coletivo, designadamente:

a)As sociedades gestoras de organismos de investimento coletivo, que podem gerir quaisquer organismos de investimento coletivo, desde que os organismos sob gestão não se circunscrevam a OIA de capital de risco;
b)As sociedades de capital de risco, que apenas podem gerir OIA, desde que, pelo menos, um dos organismos geridos seja qualificado como OIA de capital de risco e a maioria dos organismos sob gestão não sejam OIA imobiliários.

2 - Nos termos e condições previstos em legislação da União Europeia, apenas as sociedades gestoras referidas no número anterior podem:

a)Utilizar a denominação «EuVECA» na comercialização de fundos de capital de risco qualificados;
b)Utilizar a denominação «EuSEF» na comercialização de fundos de empreendedorismo social qualificados;
c)Gerir e comercializar «ELTIF» ou «Fundo Europeu de Investimento de longo prazo»;
d)Gerir e comercializar fundos do mercado monetário.

3 - Salvo se outro sentido resultar da disposição em causa, quando no presente regime sejam constituídos deveres ou imputadas atuações a:

a)Organismo de investimento coletivo, deve entender-se como sujeito do dever ou objeto de imputação a sociedade gestora;
b)Sociedade gestora, deve entender-se como incluindo enquanto sujeito do dever ou objeto de imputação a sociedade de investimento coletivo autogerida.

Artigo 7.ºSociedades gestoras de grande e de pequena dimensão

1 - As sociedades gestoras de OIA distinguem-se em sociedades gestoras de grande e de pequena dimensão, consoante os ativos sob gestão excedam ou não os seguintes montantes:

a)(euro) 100 000 000 e incluam ativos adquiridos através do recurso ao efeito de alavancagem;
b)(euro) 500 000 000 e não incluam ativos adquiridos através do recurso ao efeito de alavancagem e em relação aos quais não existam direitos de reembolso que possam ser exercidos durante um período de cinco anos a contar da data do investimento inicial.

2 - Para efeitos do disposto no número anterior, considera-se existir efeito de alavancagem quando a posição em risco do OIA seja ampliada através da contração de empréstimos em numerário ou em valores mobiliários, do recurso a posições sobre derivados ou a qualquer outro meio equivalente.

3 - O cálculo dos limiares referidos no n.º 1 considera os ativos geridos direta ou indiretamente através de sociedade à qual a sociedade gestora esteja ligada por uma gestão ou controlo comuns, ou por uma participação direta ou indireta significativa.

Artigo 8.ºDenominação

1 - A denominação de organismo de investimento coletivo identifica a sua natureza, aberta ou fechada, o respetivo tipo e é adequada à sua política de investimento.

2 - A firma ou denominação de sociedade de investimento coletivo inclui a expressão «Sociedade de Investimento Coletivo» ou «SIC» e a de fundo de investimento a expressão «Fundo de Investimento» ou «Fundo».

3 - A firma ou denominação de:

a)Sociedade gestora de organismo de investimento coletivo inclui a expressão «Sociedade Gestora de Organismos de Investimento Coletivo» ou a abreviatura «SGOIC»;
b)Sociedade de capital de risco inclui a expressão «Sociedade de Capital de Risco» ou a abreviatura «SCR».

4 - Só os organismos de investimento coletivo e as sociedades gestoras podem incluir na sua denominação, marca e logótipo, bem como usar no exercício da sua atividade, incluindo em campanhas publicitárias, expressões e símbolos que sugiram atividade própria de organismo de investimento coletivo ou de sociedade gestora, respetivamente.

Artigo 9.ºOutras definições

Para efeitos do presente regime, entende-se por:

a)«Adquirente ou alienante, potenciais, de participação qualificada», a pessoa singular ou coletiva que, individualmente ou em concertação, direta ou indiretamente, decida, respetivamente:
i)Adquirir ou alienar uma participação qualificada;
ii)Aumentar ou diminuir uma participação qualificada;
b)«Controlo» ou «domínio», a relação entre qualquer pessoa singular ou coletiva e uma sociedade:
i)Quando, relativamente à pessoa singular ou coletiva, se verifique alguma das seguintes situações:

1.º Deter a maioria dos direitos de voto correspondente ao capital social da sociedade;

2.º Ser sócia da sociedade e ter o direito de designar ou de destituir mais de metade dos membros do órgão de administração ou do órgão de fiscalização;

3.º Poder exercer influência dominante sobre a sociedade, por força de contrato ou de cláusula dos estatutos desta;

4.º Ser sócia da sociedade e controlar por si só, em virtude de acordo concluído com outros sócios desta, a maioria dos direitos de voto;

5.º Poder exercer, ou exercer efetivamente, influência dominante ou controlo sobre a sociedade; ou 6.º No caso de pessoa coletiva, gerir a sociedade como se ambas constituíssem uma única entidade;

ii)Para efeitos da aplicação dos pontos 1.º, 2.º e 4.º da subalínea anterior:

1.º Considera-se que aos direitos de voto, de designação ou de destituição do participante se equiparam os direitos de qualquer outra sociedade dele dependente ou que com ele se encontre numa relação de grupo, bem como os de qualquer pessoa que atue em nome próprio, mas por conta do participante ou de qualquer outra das referidas sociedades;

2.º Deduzem-se os direitos relativos às ações detidas por conta de pessoa que não seja o participante ou outra das sociedades referidas no parágrafo anterior, ou relativos às ações detidas em garantia, desde que, neste último caso, tais direitos sejam exercidos em conformidade com as instruções recebidas, ou a posse das ações seja uma operação corrente do participante em matéria de empréstimos e os direitos de voto sejam exercidos no interesse do prestador da garantia; iii) Para efeitos da aplicação dos pontos 1.º e 4.º da subalínea i), deduzem-se à totalidade dos direitos de voto correspondentes ao capital social da sociedade participada os direitos de voto relativos à participação detida por esta sociedade, por uma sua filial ou por uma pessoa que atue em nome próprio, mas por conta de qualquer destas sociedades;

c)«Corretor principal», uma instituição de crédito, uma empresa de investimento ou qualquer entidade sujeita a regulação prudencial e supervisão contínua que preste serviços a investidores profissionais, nomeadamente financiando ou executando transações de instrumentos financeiros na qualidade de contraparte, e que possa prestar outros serviços, como compensação e liquidação de negócios, serviços de guarda de instrumentos financeiros, empréstimo de títulos, tecnologia personalizada ou instalações de apoio operacional;
d)«Direção de topo», as pessoas singulares que desempenhem funções executivas no órgão de administração ou que dirijam efetivamente a atividade da sociedade gestora;
e)«Empresa-mãe», a empresa que exerça controlo sobre outra empresa;
f)«Estado em que se encontra estabelecido ou constituído»:
i)No caso de uma sociedade gestora, o Estado onde se encontra a sede social;
ii)No caso de um organismo de investimento coletivo, o Estado em que foi autorizado ou registado, ou, caso não esteja autorizado nem registado, o Estado onde se encontra a sua sede social ou administração central; iii) No caso de depositário, o Estado onde se encontra a sede social ou sucursal;
iv)No caso de representante legal que seja pessoa coletiva, o Estado onde se encontra a sede social ou sucursal;
v)No caso de representante legal que seja pessoa singular, o Estado onde se encontra domiciliado;
g)«Estado-Membro de acolhimento do organismo de investimento coletivo», qualquer Estado-Membro, diverso do seu Estado-Membro de origem, em cujo território sejam comercializadas as unidades de participação do organismo de investimento coletivo;
h)«Estado-Membro de acolhimento de sociedade gestora de país terceiro», o Estado-Membro diverso do Estado-Membro de referência, no qual uma sociedade gestora de país terceiro gere OIA da União Europeia ou comercializa unidades de participação de um OIA da União Europeia ou de um OIA de país terceiro;
i)«Estado-Membro de acolhimento de sociedade gestora da União Europeia», qualquer Estado-Membro diverso do Estado-Membro de origem, no qual uma sociedade gestora da União Europeia possua uma sucursal ou preste serviços;
j)«Estado-Membro de origem de sociedade gestora da União Europeia», o Estado-Membro onde se encontra a sua sede social;
k)«Estado-Membro de origem do organismo de investimento coletivo»:
i)O Estado-Membro no qual o organismo de investimento coletivo foi autorizado ou registado ao abrigo da legislação nacional aplicável ou, em caso de autorizações ou registos múltiplos, o Estado-Membro no qual o organismo de investimento coletivo foi autorizado ou registado pela primeira vez;
ii)Caso o organismo de investimento coletivo não tenha sido autorizado ou registado num Estado-Membro, o Estado-Membro onde o organismo de investimento coletivo tem a sua sede social ou a sua administração central;
l)«Estado-Membro de referência», o Estado-Membro determinado nos termos do artigo 48.º para efeitos de autorização de uma sociedade gestora de país terceiro;
m)«Fatores de sustentabilidade», os fatores previstos em legislação da União Europeia relativa à divulgação de informação sobre sustentabilidade no setor dos serviços financeiros;
n)«Filial», a pessoa coletiva relativamente à qual outra pessoa coletiva, designada por empresa-mãe, se encontre numa relação de controlo, considerando-se ainda a filial de uma filial igualmente filial da empresa-mãe de que ambas dependem;
o)«Índices a reproduzir, total ou parcialmente, pelo organismo de investimento coletivo», os índices que:
i)Sejam suficientemente diversificados, de modo que a sua composição assegure que os movimentos de preço ou as atividades de negociação relativas a um ativo não influenciem indevidamente o desempenho global do índice;
ii)Representem um padrão de referência adequado em relação aos mercados a que dizem respeito e meçam o desempenho de um grupo representativo de ativos subjacentes de forma relevante e adequada; iii) Sejam publicados de forma adequada, devendo:

1.º O seu processo de publicação assentar em procedimentos sólidos de recolha de preços, cálculo e publicação do valor do índice incluindo o método de determinação do valor dos ativos para os quais o preço de mercado não se encontre disponível;

2.º Ser prestadas, em tempo útil, informações relevantes, designadamente sobre as metodologias de cálculo e de reformulação dos índices, as alterações dos índices ou quaisquer dificuldades operacionais na prestação de informações atempadas ou exatas;

p)«Organismo de investimento coletivo da União Europeia»:
i)O organismo autorizado ou registado noutro Estado-Membro nos termos da lei nacional aplicável;
ii)O organismo não autorizado nem registado noutro Estado-Membro, mas com sede social ou administração central noutro Estado-Membro;
q)«Organismo de investimento alternativo de país terceiro», o organismo que não seja organismo de investimento coletivo da União Europeia;
r)«Participação qualificada», uma participação direta ou indireta que represente pelo menos 10 /prct. do capital ou dos direitos de voto da entidade participada ou que permita exercer uma influência significativa na gestão da mesma, sendo aplicáveis os critérios de cálculo e imputação previstos nos artigos 16.º, 20.º e 20.º-A do Código dos Valores Mobiliários, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 486/99, de 13 de novembro, na sua redação atual;
s)«Pessoa relevante»:
i)Titulares do órgão de administração e as pessoas que dirigem efetivamente a atividade da sociedade gestora;
ii)Colaboradores da sociedade gestora e quaisquer outras pessoas singulares cujos serviços são disponibilizados e controlados pela sociedade gestora, que estejam envolvidos na prestação da atividade de gestão de organismos de investimento coletivo; iii) Pessoas singulares de entidades subcontratadas, que estejam diretamente envolvidas na prestação de serviços à sociedade gestora, com vista à prestação da atividade de gestão de organismos de investimento coletivo pela sociedade gestora;
t)«Relação de grupo», a relação prevista enquanto tal nos termos do Código das Sociedades Comerciais, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 262/86, de 2 de setembro, na sua redação atual, independentemente das sedes das sociedades se situarem em Portugal ou no estrangeiro;
u)«Relação estreita ou relação de proximidade», a relação entre duas ou mais pessoas, singulares ou coletivas, que se encontrem ligadas entre si através:
i)De uma participação, direta ou indireta, de percentagem não inferior a 20 /prct. no capital social ou dos direitos de voto de uma empresa;
ii)De uma relação de controlo; ou iii) De uma ligação de todas de modo duradouro a um mesmo terceiro através de uma relação de controlo;
v)«Representante legal», uma pessoa singular com domicílio na União Europeia ou uma pessoa coletiva com sede social na União Europeia que, tendo sido expressamente designada por uma sociedade gestora de país terceiro, age em nome e por conta desta junto de autoridades, clientes, organismos e contrapartes da mesma na União Europeia, em tudo o que diga respeito às obrigações que impendem sobre a referida sociedade gestora;
w)«Risco de sustentabilidade», um risco em matéria de sustentabilidade nos termos da legislação da União Europeia relativa à divulgação de informação sobre sustentabilidade no setor dos serviços financeiros;
x)«Sociedade gestora de pequena dimensão», sociedade gestora de OIA cujos ativos sob gestão se situam abaixo dos limiares referidos no n.º 1 do artigo 7.º;
y)«Sociedade gestora de grande dimensão», sociedade gestora de OIA cujos ativos sob gestão se situam acima dos limiares referidos no n.º 1 do artigo 7.º;
z)«Sociedade gestora da União Europeia», a entidade autorizada nos termos previstos na legislação da União Europeia relativa aos OICVM e aos OIA, e que gere habitualmente organismos de investimento coletivo, incluindo organismos de investimento coletivo autogeridos, com sede social noutro Estado-Membro;
aa)«Sociedade gestora de país terceiro», a entidade que gere habitualmente OIA, incluindo a sociedade de investimento coletivo autogerida, com sede social em Estados não pertencentes à União Europeia;
bb)«Sociedade não cotada», uma sociedade com sede social na União Europeia e cujas ações não estejam admitidas à negociação num mercado regulamentado;
cc)«Sucursal», um local de atividade que constitui uma parte desprovida de personalidade jurídica de uma sociedade gestora e que presta os serviços previstos na respetiva autorização;
dd)«Suporte duradouro», qualquer instrumento que permita ao investidor armazenar informações que lhe sejam dirigidas pessoalmente, de tal forma que possam ser consultadas posteriormente durante um período adequado aos fins a que se destinam, e que permita uma reprodução exata das informações armazenadas.

CAPÍTULO II

Organismos de investimento coletivo em geral

Artigo 10.ºDeveres fundamentais

A sociedade gestora, o depositário e as entidades comercializadoras de organismo de investimento coletivo agem de modo independente e no exclusivo interesse dos participantes.

Artigo 11.ºConstituição e extinção

1 - O organismo de investimento coletivo constitui-se na data:

a)Da integração na sua carteira dos ativos ou montantes correspondentes à primeira realização do valor de subscrição; ou
b)Do registo comercial do respetivo contrato de sociedade, tratando-se de sociedade de investimento coletivo.

2 - O organismo de investimento coletivo extingue-se na data:

a)Do registo comercial do encerramento da liquidação da sociedade de investimento coletivo;
b)Do encerramento do processo de insolvência, em caso de liquidação judicial;
c)Da receção pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) das contas da liquidação, nos restantes casos.

3 - As datas de constituição e extinção de organismo de investimento coletivo nos casos previstos nas alíneas a) e b) do número anterior são imediatamente comunicadas à CMVM.

Artigo 12.ºAutonomia patrimonial

1 - O organismo de investimento coletivo não responde, em caso algum, pelas dívidas dos participantes, da sociedade gestora, depositário e das entidades comercializadoras, bem como de outros organismos de investimento coletivo.

2 - Pelas dívidas relativas ao organismo de investimento coletivo responde apenas o seu património.

Artigo 13.ºCompartimentos patrimoniais autónomos

1 - Os documentos constitutivos podem prever a divisão do organismo de investimento coletivo em compartimentos patrimoniais autónomos e, nesse caso, definem as condições aplicáveis à transferência de unidades de participação entre estes.

2 - Cada compartimento patrimonial autónomo é representado por uma ou mais categorias de unidades de participação e é dotado de autonomia patrimonial.

3 - A cada compartimento patrimonial autónomo é aplicável o regime jurídico estabelecido para o respetivo organismo de investimento coletivo.

Artigo 14.ºUnidades de participação

1 - As unidades de participação são valores mobiliários que representam os direitos de conteúdo idêntico dos titulares a uma fração do património de organismo de investimento coletivo sob forma contratual.

2 - As unidades de participação e as ações de sociedade de investimento coletivo são escriturais, nominativas e sem valor nominal, sendo admitido o seu fracionamento para efeitos de subscrição e de resgate ou reembolso.

3 - O valor de subscrição das unidades de participação é:

a)Integralmente realizado no caso de organismos de investimento coletivo abertos; ou
b)Integral ou parcialmente realizado, nos restantes casos, de acordo com o estabelecido no regulamento de gestão.

4 - As unidades de participação só podem ser emitidas após o montante correspondente ao valor da primeira realização ser efetivamente integrado no património do organismo de investimento coletivo, exceto se se tratar de desdobramento de unidades de participação já existentes ou de distribuição gratuita.

5 - A obrigação de realização da entrada transmite-se com as respetivas unidades de participação.

6 - O valor das unidades de participação determina-se dividindo o valor líquido global do organismo de investimento coletivo pelo número de unidades de participação emitidas.

7 - As referências no presente regime a unidades de participação abrangem ações das sociedades de investimento coletivo, salvo se o contrário resultar da própria disposição.

Artigo 15.ºCategorias de unidades de participação

1 - Podem ser emitidas diferentes categorias de unidades de participação em função de direitos ou características especiais respeitantes às mesmas, desde que previstas nos documentos constitutivos e assegurada a consistência com o perfil de risco e a política de investimento do organismo de investimento coletivo.

2 - As unidades de participação de cada categoria têm características iguais e conferem idênticos direitos e obrigações.

Artigo 16.ºParticipantes

1 - Os titulares de unidades de participação designam-se participantes.

2 - As referências no presente regime a participantes abrangem os acionistas das sociedades de investimento coletivo, salvo se o contrário resultar da própria disposição.

Artigo 17.ºSubscrição, resgate e reembolso

1 - Os documentos constitutivos fixam os termos e condições de:

a)Subscrição de unidades de participação, não podendo o período de subscrição inicial ser superior a 25 /prct. do período inicial de duração do OIA fechado;
b)Pagamento em caso de resgate ou reembolso;
c)Suspensão de operações de subscrição e resgate.

2 - A subscrição implica a aceitação do disposto nos documentos constitutivos do organismo de investimento coletivo e confere à sociedade gestora os poderes necessários para a sua gestão.

3 - Os participantes de organismo de investimento coletivo fechado gozam de direito de preferência na subscrição de novas unidades de participação, salvo previsão em contrário nos documentos constitutivos.

4 - A suspensão de subscrições ou de resgates pode ser decidida, em circunstâncias excecionais:

a)Pela sociedade gestora, no interesse dos participantes, nos termos previstos nos documentos constitutivos, desde que comunicada de imediato à CMVM;
b)Pela CMVM, no interesse público ou dos participantes.

5 - É permitido o pagamento em espécie na subscrição, no resgate, no reembolso das unidades de participação ou no produto da liquidação e na distribuição de rendimentos, desde que previsto nos documentos constitutivos.

6 - O pagamento em espécie na subscrição pressupõe que a entrada esteja em conformidade com a política de investimento do organismo de investimento coletivo e seja aceite pela sociedade gestora.

7 - As entradas em espécie estão sujeitas às regras valorimétricas aplicáveis aos ativos em causa.

Artigo 18.ºRegisto de unidades de participação

1 - A escolha do sistema de registo das unidades de participação consta dos documentos constitutivos, com a identificação do único intermediário financeiro registador ou da entidade gestora do sistema centralizado, consoante o sistema de registo adotado.

2 - As unidades de participação podem ser registadas em sistema centralizado sob gestão de um intermediário financeiro quando não estejam admitidas à negociação em mercado regulamentado ou em sistema de negociação multilateral.

3 - O sistema previsto no número anterior observa as normas relativas aos sistemas centralizados de valores mobiliários, nomeadamente as respeitantes aos poderes e deveres das suas sociedades gestoras e intermediários financeiros junto dos quais se encontram abertas contas de registo individualizado.

Artigo 19.ºDuração do organismo de investimento colectivo

1 - A duração do organismo de investimento coletivo é determinada ou indeterminada de acordo com o estabelecido nos documentos constitutivos.

2 - Os documentos constitutivos de OIA fechado de duração indeterminada preveem a negociação das suas unidades de participação em mercado regulamentado ou em sistema de negociação multilateral, a ocorrer no prazo de três anos desde a sua constituição.

Artigo 20.ºValor líquido global

1 - O valor líquido global de cada organismo de investimento coletivo e de cada um dos compartimentos patrimoniais autónomos deve ser positivo.

2 - Para efeitos do número anterior, entende-se por valor líquido global o montante correspondente ao valor total dos respetivos ativos menos o valor total dos seus passivos.

Artigo 21.ºSociedades de investimento colectivo

1 - A sociedade de investimento coletivo rege-se pelo presente regime e ainda pelo disposto no Código das Sociedades Comerciais, salvo quando as normas deste se mostrem incompatíveis com a natureza e objeto específicos destes organismos ou com o disposto no presente regime.

2 - Para efeitos do disposto no número anterior, são incompatíveis com a natureza e objeto específicos da sociedade de investimento coletivo ou com o disposto no presente regime, entre outras, as normas do Código das Sociedades Comerciais em matéria de:

a)Composição, aumento, redução e intangibilidade do capital social e amortização de ações;
b)Constituição de reservas;
c)Limitação de distribuição de bens aos acionistas;
d)Elaboração e prestação de contas;
e)Fusão, cisão e transformação de sociedades; e
f)Regime de aquisição tendente ao domínio total.

3 - Não é aplicável às sociedades de investimento coletivo o regime das sociedades emitentes de valores mobiliários admitidos à negociação em mercado regulamentado consagrado no Código dos Valores Mobiliários.

TÍTULO II

Acesso à atividade

CAPÍTULO I

Disposições gerais

Artigo 22.ºProcedimento

1 - O início de atividade de sociedade gestora com sede em Portugal depende de autorização prévia da CMVM ou, no caso de sociedade gestora de pequena dimensão, autorização prévia simplificada.

2 - O pedido de autorização para início de atividade de sociedade gestora é instruído com os elementos referidos na secção 1 do anexo i ao presente regime e do qual faz parte integrante, ou na secção 2 do referido anexo, quando se trate de sociedade gestora de pequena dimensão.

3 - A constituição de organismo de investimento coletivo em Portugal e dos respetivos compartimentos patrimoniais autónomos depende de:

a)Autorização da CMVM;
b)Comunicação prévia à CMVM, quando se trate de OIA de subscrição particular sob forma contratual ou societária heterogerido e respetivos compartimentos patrimoniais autónomos;
c)Comunicação prévia à CMVM, podendo esta deduzir oposição, quando respeite à constituição de compartimento patrimonial autónomo de organismo de investimento coletivo aberto ou fechado de subscrição pública, cujo depositário e auditor sejam coincidentes com os do organismo ou com os de outro compartimento do mesmo organismo.

4 - Para efeitos do disposto no número anterior:

a)O pedido de autorização, subscrito pelos promotores da sociedade de investimento coletivo autogerida ou pela sociedade gestora, é instruído com os elementos referidos no anexo ii ao presente regime e do qual faz parte integrante;
b)A comunicação referida na alínea b) do número anterior é acompanhada dos elementos referidos no anexo ii ao presente regime;
c)A comunicação referida na alínea c) do número anterior é acompanhada dos projetos dos documentos constitutivos alterados em conformidade.

Artigo 23.ºApreciação e decisão

1 - Caso os pedidos de autorização referidos no artigo anterior não se encontrem instruídos com todos os elementos legalmente exigíveis, a CMVM notifica os requerentes no prazo de 10 dias a contar da receção do pedido para estes, no mesmo prazo, suprirem as insuficiências detetadas.

2 - Decorrido o prazo referido no número anterior sem que a CMVM notifique o requerente, ou após a receção dos elementos solicitados, a CMVM notifica os requerentes da sua decisão:

a)No prazo de três meses, prorrogável por mais um mês por decisão da CMVM, para início de atividade da sociedade gestora e para constituição da sociedade de investimento coletivo autogerida;
b)No prazo de 30 dias para início de atividade de sociedade gestora de pequena dimensão e para constituição de sociedade de investimento coletivo autogerida abaixo dos limiares referidos no n.º 1 do artigo 7.º;
c)No prazo de 15 dias para constituição dos demais organismos de investimento coletivo.

3 - Durante o decurso dos prazos previstos no número anterior, a CMVM pode solicitar quaisquer esclarecimentos que considere necessários, não havendo lugar à suspensão de contagem dos prazos.

4 - Na ausência de decisão da CMVM nos prazos estabelecidos no n.º 2:

a)O requerente pode recorrer aos meios de tutela administrativa e jurisdicional previstos na lei nos casos das alíneas a) e b) do referido número;
b)O pedido considera-se deferido no caso da alínea c) do referido número.

5 - Para efeitos do disposto na alínea c) do n.º 3 do artigo anterior, a CMVM pode deduzir oposição no prazo de 10 dias úteis a contar da receção da comunicação.

6 - A CMVM pode limitar o âmbito da autorização no que respeita à atividade de gestão de OIA e às atividades previstas no n.º 3 do artigo 28.º, nomeadamente quanto às estratégias de investimento.

7 - A decisão da CMVM não envolve qualquer garantia quanto ao conteúdo da informação instruída no âmbito dos procedimentos previstos no artigo anterior.

Artigo 24.ºRecusa de autorização

1 - A CMVM recusa a autorização quando:

a)O conteúdo dos elementos que instruem o pedido for insuficiente;
b)Não se encontrem reunidos os requisitos estabelecidos no presente regime;
c)No âmbito da constituição de OICVM, a sociedade gestora da União Europeia não esteja autorizada a gerir OICVM no Estado-Membro onde tem a sua sede estatutária;
d)A comercialização das unidades de participação do organismo de investimento coletivo em causa esteja impedida em Portugal, nomeadamente por força de disposição dos respetivos documentos constitutivos.

2 - A CMVM recusa igualmente o pedido de autorização para início de atividade de sociedade gestora, caso o exercício das funções de supervisão seja posto em causa por:

a)Relações estreitas existentes entre a sociedade gestora e outras pessoas singulares ou coletivas;
b)Disposições legais, regulamentares ou administrativas de países terceiros que regem pessoas singulares ou coletivas com as quais a sociedade gestora mantenha tais relações; ou
c)Dificuldades relacionadas com a aplicação das referidas disposições legais, regulamentares ou administrativas.

3 - A CMVM pode recusar a autorização para a comercialização de OIA junto de determinados segmentos específicos de investidores caso não se encontrem reunidas condições suficientes para a sua proteção, nomeadamente em termos de complexidade, liquidez dos ativos e risco do OIA.

Artigo 25.ºRevogação, suspensão e caducidade

1 - Além do disposto no artigo 364.º-A do Código dos Valores Mobiliários, a CMVM revoga a autorização para início de atividade de sociedade gestora ou para constituição de organismo de investimento coletivo se:

a)Não for iniciada a subscrição do organismo de investimento coletivo no prazo de 12 meses a contar da notificação da decisão da autorização;
b)A sociedade gestora não iniciar as atividades objeto da autorização no prazo de 12 meses, a contar da notificação da concessão da autorização, ou tiver cessado há, pelo menos, 6 meses o exercício das referidas atividades;
c)A sociedade gestora de pequena dimensão não cumprir o disposto no n.º 5 do artigo 32.º;
d)A sociedade gestora renunciar expressamente à autorização.

2 - Constitui ainda fundamento de revogação da autorização de organismo de investimento coletivo fechado de duração indeterminada:

a)A não apresentação do pedido de admissão à negociação em mercado regulamentado ou em sistema de negociação multilateral no prazo de 90 dias após o fim do respetivo período de subscrição inicial ou no prazo referido na alínea c) do n.º 3 do artigo 215.º;
b)O indeferimento do pedido referido na alínea anterior; ou
c)A ausência de admissão ou de seleção para negociação no prazo de três anos.

3 - A revogação e suspensão da autorização podem respeitar apenas a uma ou mais das atividades autorizadas.

4 - A CMVM pode autorizar a prorrogação dos prazos referidos nas alíneas a) e b) do n.º 1 a requerimento devidamente fundamentado da sociedade gestora.

5 - As comunicações previstas nas alíneas b) e c) do n.º 3 do artigo 22.º caducam:

a)Se a CMVM declarar a violação grave ou sistemática prevista na alínea c) do n.º 5 do artigo 364.º-A do Código dos Valores Mobiliários;
b)Na situação prevista na alínea a) do n.º 1.

6 - Os prazos para início da subscrição ou início de atividade referidos nas alíneas a) e b) do n.º 1 são de 24 meses a contar da autorização ou da comunicação prévia, quando se trate de sociedade gestora de pequena dimensão ou de OIA geridos por estas.

Artigo 26.ºAlterações subsequentes à autorização para início de atividade de sociedade gestora

1 - A sociedade gestora que pretenda ampliar ou reduzir o âmbito da sua autorização:

a)Submete à CMVM um pedido de ampliação da autorização inicial, especificando as atividades que pretende passar a exercer, instruindo-o com os projetos de alteração aos elementos referentes à sua autorização; ou
b)Comunica à CMVM a renúncia parcial à autorização relativamente à atividade que pretenda deixar de exercer.

2 - Após receção do pedido referido na alínea a) do número anterior, a CMVM notifica o requerente da sua decisão no prazo de 30 dias, observando o disposto nos artigos 23.º e 24.º 3 - Na ausência de decisão da CMVM no prazo referido no número anterior, o requerente pode recorrer aos meios de tutela administrativa e jurisdicional previstos na lei.

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Explicação por IA a partir do texto oficial da lei. Orientativa, não substitui aconselhamento jurídico.